CIENTISTAS EXPLICAM ENIGMTICA ASSIMETRIA DE LAGOS EM TIT

    Investigadores do Instituto de Tecnologia da Califrnia, nos EUA, do JPL (Jet Propulsion Laboratory) da NASA, e de outros institutos, sugerem que a excentricidade da rbita de Saturno em torno do Sol possa ser responsvel pela distribuio invulgarmente assimtrica de lagos nas regies polares sul e norte da maior lua do planeta, Tit. Um artigo descrevendo a teoria aparece na edio de 29 de Novembro da revista Nature Geoscience.
    A rbita alongada de Saturno em torno do Sol expe partes diferentes de Tit a diferentes quantidades de luz solar, o que afecta os ciclos de precipitao e evaporao nessas reas. As variaes semelhantes na rbita da Terra tambm leva a ciclos de idades do gelo a longo-termo no nosso planeta.
    Como revelado por dados do instrumento SAR (Synthetic Aperture Radar) a bordo da sonda Cassini, os lagos de metano lquido e etano nas altas latitudes norte de Tit, cobrem uma rea 20 vezes maior que a dos lagos nas altas latitudes a sul. Os dados da Cassini tambm mostram que existem mais lagos significativamente parcialmente cheios e agora vazios no norte (nos dados de radar, as caractersticas lisas -- como superfcies de lagos -- aparecem como reas escuras, enquanto caractersticas mais irregulares -- como o fundo de um lago vazio -- aparecem brilhantes). A assimetria no provavelmente um acaso estatstico devido grande quantidade de dados recolhidos pela Cassini ao longo da sua misso j com cinco anos.
    Os cientistas consideraram de incio a ideia de que "h algo inerentemente diferente na regio polar norte da sul, em termos de topografia, tal como precipitao, drenos ou infiltraes," afirma Oded Aharonson do Caltech, autor principal do artigo da Nature Geoscience.
    No entanto, Aharonson nota que no existem diferenas substanciais conhecidas entre as regies norte e sul para suportar esta possibilidade. Alternativamente, o mecanismo responsvel por esta dicotomia regional poder ser sazonal. Um ano em Tit dura 29,5 anos terrestres. A cada 15 anos terrestres, as estaes em Tit invertem-se: chega o Vero num hemisfrio e Inverno no outro. De acordo com esta hiptese de variao sazonal, a precipitao e a evaporao do metano varia em diferentes estaes -- os lagos enchem-se a norte enquanto lagos esvaziam-se a sul.
    O problema com esta ideia, disse Aharonson, que explica o decrscimo de cerca de um metro por ano nas profundidades dos lagos no hemisfrio de Vero. Mas os lagos de Tit tm profundidades mdias na ordem das vrias centenas de metros, e no ficariam vazios (ou cheios) em apenas 15 anos. Alm do mais, a variao sazonal no pode explicar a disparidade entre os hemisfrios no que toca ao nmero de lagos vazios. A regio polar norte tem aproximadamente trs vezes mais bacias de lagos vazias que a regio sul e sete vezes mais lagos parcialmente cheios.
    "O mecanismo sazonal pode ser responsvel por parte do transporte global de lquido metano, mas no a histria toda." Uma explicao mais plausvel, diz Aharonson e seus colegas, est relacionada com a excentricidade da rbita de Saturno -- e por isso de Tit, seu satlite -- em torno do Sol.
    Investigadores do Instituto de Tecnologia da Califrnia, nos EUA, do JPL (Jet Propulsion Laboratory) da NASA, e de outros institutos, sugerem que a excentricidade da rbita de Saturno em torno do Sol possa ser responsvel pela distribuio invulgarmente assimtrica de lagos nas regies polares sul e norte da maior lua do planeta, Tit. Um artigo descrevendo a teoria aparece na edio de 29 de Novembro da revista Nature Geoscience.
    A rbita alongada de Saturno em torno do Sol expe partes diferentes de Tit a diferentes quantidades de luz solar, o que afecta os ciclos de precipitao e evaporao nessas reas. As variaes semelhantes na rbita da Terra tambm leva a ciclos de idades do gelo a longo-termo no nosso planeta.

    Os hemisfrios norte e sul de Tit, que mostram a grande disparidade entre a abundncia de lagos no norte e a sua escassez no sul. A hiptese apresentada favorece o fluxo longo-termo de hidrocarbonetos volteis, predominantemente metano, de hemisfrio para hemisfrio. Recentemente, a direco do transporte tem sido de sul para norte, mas o efeito foi o inverso h dezenas de milhares de anos atrs.
    Crdito: NASA/JPL/Caltech/UA/SSI
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    Como revelado por dados do instrumento SAR (Synthetic Aperture Radar) a bordo da sonda Cassini, os lagos de metano lquido e etano nas altas latitudes norte de Tit, cobrem uma rea 20 vezes maior que a dos lagos nas altas latitudes a sul. Os dados da Cassini tambm mostram que existem mais lagos significativamente parcialmente cheios e agora vazios no norte (nos dados de radar, as caractersticas lisas -- como superfcies de lagos -- aparecem como reas escuras, enquanto caractersticas mais irregulares -- como o fundo de um lago vazio -- aparecem brilhantes). A assimetria no provavelmente um acaso estatstico devido grande quantidade de dados recolhidos pela Cassini ao longo da sua misso j com cinco anos.
    Os cientistas consideraram de incio a ideia de que "h algo inerentemente diferente na regio polar norte da sul, em termos de topografia, tal como precipitao, drenos ou infiltraes," afirma Oded Aharonson do Caltech, autor principal do artigo da Nature Geoscience.
    No entanto, Aharonson nota que no existem diferenas substanciais conhecidas entre as regies norte e sul para suportar esta possibilidade. Alternativamente, o mecanismo responsvel por esta dicotomia regional poder ser sazonal. Um ano em Tit dura 29,5 anos terrestres. A cada 15 anos terrestres, as estaes em Tit invertem-se: chega o Vero num hemisfrio e Inverno no outro. De acordo com esta hiptese de variao sazonal, a precipitao e a evaporao do metano varia em diferentes estaes -- os lagos enchem-se a norte enquanto lagos esvaziam-se a sul.
    O problema com esta ideia, disse Aharonson, que explica o decrscimo de cerca de um metro por ano nas profundidades dos lagos no hemisfrio de Vero. Mas os lagos de Tit tm profundidades mdias na ordem das vrias centenas de metros, e no ficariam vazios (ou cheios) em apenas 15 anos. Alm do mais, a variao sazonal no pode explicar a disparidade entre os hemisfrios no que toca ao nmero de lagos vazios. A regio polar norte tem aproximadamente trs vezes mais bacias de lagos vazias que a regio sul e sete vezes mais lagos parcialmente cheios.
    "O mecanismo sazonal pode ser responsvel por parte do transporte global de lquido metano, mas no a histria toda." Uma explicao mais plausvel, diz Aharonson e seus colegas, est relacionada com a excentricidade da rbita de Saturno -- e por isso de Tit, seu satlite -- em torno do Sol.
    Tal como a Terra e outros planetas, a rbita de Saturno no perfeitamente circular, sendo ao invs algo elptica e oblqua. Por causa disto, durante o Vero no hemisfrio sul, Tit est 12% mais perto do Sol do que durante o Vero no hemisfrio norte. Como resultado, os Veres no norte so longos e subjugados; os Veres no sul so curtos e intensos.
    "Ns propomos que, nesta configurao orbital, a diferena entre a evaporao e a precipitao no igual nas estaes opostas, o que significa que existe um transporte de metano lquido do sul para o norte," disse Aharonson. Este desequilbrio levaria a uma acumulao de metano -- e por isso formao de muitos mais lagos -- no hemisfrio norte.
    Esta situao apenas verdadeira de momento, ao que parece. Ao longo de escalas de tempo de dezenas de milhares de anos, os parmetros orbitais de Saturno variam, por vezes aproximando Tit do Sol durante o Vero no norte, e mais longe durante o Vero no sul, e produzindo um transporte de metano inverso. Isto deveria levar a um aumento de hidrocarbonetos -- e uma abundncia de lagos -- no hemisfrio sul.
    "Tal como a Terra, Tit tem variaes climticas que duram dezenas de milhares de anos, produzidas por movimentos orbitais," disse Aharonson. Na Terra, estas variaes, conhecidas como ciclos de Milankovitch, esto ligadas a mudanas na radiao solar, que afectam a redistribuio global de gua na forma de glaciares, e que se pensa ser responsvel por idades do gelo. "Em Tit, existem ciclos climticos a longo-termo no movimento global do metano, que produzem lagos e esculpem bacias de lagos. Em ambos os casos descobrimos um registo do processo embebido na geologia," acrescenta.
    "Podemos ter descoberto um exemplo de mudana climtica de longo-termo, anloga aos ciclos climticos de Milankovitch na Terra, ou a outro objecto no Sistema Solar," conclui.


    Sol e Terra da ISS

    Esta apenas uma das muitas vistas espectaculares da Estao Espacial Internacional. O Sol, uma Terra crescente, e o longo brao de um painel solar, foram visveis de uma janela quando o vaivm espacial Atlantis visitou o posto espacial a semana passada. Os reflexos da janela e os clares hexagonais da cmara esto superpostos. O vaivm espacial aterrou na Sexta-feira, aps uma misso de 10 dias para expandir e reabastecer a ISS. Com o nmero STS-129, a misso do vaivm espacial tambm foi o meio de transporte para trazer a astronauta Nicole Stott de volta Terra, da sua estadia na ISS como Engenheira de Voo nas tripulaes da Expedition 20 e 21.


    PHOBOS PODER SER O PRXIMO GRANDE SALTO DA HUMANIDADE

    Phobos um nome que ir comear a ouvir bastante nos prximos anos. Pode ser pouco mais que um asteride - com apenas dois mil milionsimos da massa do nosso planeta, sem atmosfera e quase sem gravidade -, mas a maior das duas luas de Marte est destinada a tornar-se no nosso prximo posto no espao, a nossa segunda casa.
    Embora a nossa prpria Lua esteja aqui bem perto, a sua gravidade implica o uso de foguetes relativamente grandes de modo a levar os astronautas para e da sua superfcie. O mesmo se aplica a Marte, o que torna o lanamento de misses ao Planeta Vermelho tambm algo dispendioso - talvez at proibitivamente caro, a acreditar na reviso da poltica de explorao espacial da NASA pelo Presidente Barack Obama. Em Outubro passado, um comit de especialistas independentes, liderado pelo industrialista Norman Augustine, concluu que a NASA necessitaria de cerca de 3 mil milhes de dlares por ano, a mais, se quisesse realmente enviar astronautas de volta Lua - j sem falar de Marte - at 2020. Mas isso no quer dizer que os seres humanos no tm mais lugares para onde ir.
    Uma opo que o relatrio Augustine sugeriu levaria tripulaes da NASA at asterides vizinhos e at aos satlites de Marte. "O custo bruto de uma misso a Marte est em fazer chegar e trazer os astronautas da superfcie," diz Pascal Lee, presidente do Instituto de Marte em Moffett Field, Califrnia, EUA. "Se esperarmos at que tudo esteja pronto, passar-se-o dcadas. Phobos oferece-nos uma maneira de chegar porta de Marte."
    Dado que Phobos to pequeno, o campo gravitacional que gera muito fraco, to fraco que uma vez que alcanssemos rbita marciana, necessitaramos apenas de poucos impulsos para aterrar e descolar de Phobos. Isto significa que mais barato e fcil enviar naves at distante lua Phobos, do que superfcie da nossa prpria Lua.
    A partir de Phobos podamos facilmente explorar a superfcie de Marte usando telescpios ou rovers controlados remotamente, antes de fazer a descida final at superfcie do planeta quando houvesse dinheiro.
    Mas Phobos tem mais que se lhe diga: no apenas um ponto de paragem conveniente - muito mais. Phobos um mistrio espacial gigante. "Sabemos como so todos os corpos do Sistema Solar, excepo de Phobos," afirma Lee. "No sabemos como que se formou."
    Phobos foi descoberto, conjuntamente com a sua irm mais pequena, Deimos, em 1877 pelo astrnomo americano Asaph Hall no Observatrio Naval dos Estados Unidos em Washington, DC. Durante grande parte dos anos que seguiram, os pequenos tamanhos das luas relegaram-nas para meras notas de rodap nos livros de Astronomia. Phobos uma rocha irregular com menos de 28 km de dimetro, e Deimos ainda mais pequena. Por isso tm sido ignoradas como pequenas rochas espaciais que se aproximaram demasiado de Marte e tiveram o azar de ser capturadas pela sua gravidade.
    Esta viso foi amparada pelas primeiras medies da composio de Phobos, obtidas pelas sondas Mariner 9 e Vikings 1 e 2 nos anos 70. A luz solar reflectida da superfcie mostrou que Phobos era escura, absorvendo mais de 90% da luz solar, e que se assemelhava com meteoritos condritos-carbonceos. Pensa-se que estes antigos objectos celestes sejam originrios das partes mais longnquas da cintura de asterides, ao dobro da distncia de Marte ao Sol. As medies mais recentes de Phobos revelaram uma parecena mais ntima com asterides ainda mais antigos, descobertos apenas no Sistema Solar exterior, bem para l da cintura de asterides principal. O mesmo se verificou com Deimos.
    So ento asterides capturados? No bem assim. As rbitas que estas luas seguem no so o que seria de esperar para corpos capturados. Em vez de orbitarem numa rbita aleatoriamente inclinada, como aconteceria se tivessem sido capturadas em alturas diferentes, tanto Phobos como Deimos seguem percursos que se situam perto do plano equatorial de Marte. O que se passa?
    As rbitas equatoriais implicam que as luas se formaram no mesmo local e da mesma nuvem que coalesceu para formar Marte. Mas se isto for verdade, ento a composio das luas no faz sentido; Phobos e Deimos deveriam ser parecidas com as rochas marcianas, e no com asterides condritos-carbonceos. Num esforo de compreender a composio e assim a origem de Phobos, a sonda Mars Express da ESA fez uma corajosa sequncia de passagens rasantes, a um mnimo de 460 km da lua, em 2006, e 270 km em 2008.
    A esta distncia, a minscula gravidade de Phobos alterou a velocidade da sonda por apenas alguns milmetros por segundo. No obstante, os controladores da misso c na Terra conseguiram identificar o seu efeito no seguimento do seu sinal de rdio - uma variao no sinal de apenas uma parte em um bilio.
    "Foi um feito incrvel, da parte de quem esteve envolvido," afirmou Martin Ptzold da Univeridade de Cologne na Alemanha e lder da experincia cientfica de rdio da Mars Express. Isto permitiu com que a massa de Phobos fosse medida com 100 vezes a preciso anterior, e tambm levantou a possibilidade da lua se tornar numa "sonda fiduciria" para melhor estudar a estrutura interna de Marte.
    Durante os voos rasantes, a cmara HRSC a bordo da Mars Express mapeou a superfcie de Phobos, o que levou construo do modelo tridimensional mais preciso da lua jamais obtido e medio do seu volume. Embora seja muito menos preciso que a sua massa, a determinao do volume permite a determinao da densidade mdia usando o valor ultra-preciso da massa. O que daqui emerge um dos paradoxos mais interessantes da lua.
    "A densidade mdia inesperadamente baixa. Deve ser um corpo poroso," afirma Ptzold. Por isso em vez de ser um simples bocado de rocha slida, deve ter provavelmente vastas cavernas no seu interior, o que pode proteger os futuros astronautas dos malefcios da radiao espacial.
    No entanto, sem amostras do satlite, a sua composio permanece largamente desconhecida. Se for um asteride capturado, o material de que feito ser menos denso que uma rocha vulgar, e a fraco oca rondar os 15%. Se a lua tiver uma composio equivalente das rochas marcianas, ento o vazio interior de Phobos deve ser maior: volta de 45%.
    Estas ideias do dores de cabea aos cientistas planetrios. Se Phobos for constitudo por rochas tipo-Marte, o tamanho deste vazio significa que a probabilidade da lua se ter formado a partir dos pequenos gros de poeira em rbita de Marte, enquanto este se formava por baixo, baixa, pois isto levaria formao de um corpo slido. Como alternativa, Ptzold e Pascal Rosenblatt do Observatrio Real da Blgica em Bruxelas, favorecem uma sequncia de eventos na qual um impacto gigante em Marte expeliu grandes quantidades de detritos para rbita. Estes ento coalesceram em ngulos fortuitos para formar o aglomerado que agora chamamos de Phobos.
    Para testar esta sugesto, a Mars Express ir revisitar a lua em Maro para o seu "flyby" mais rasante de sempre. A sonda passar a uns meros 60 km da superfcie, fornecendo equipa os primeiros vestgios do campo gravtico de Phobos.
    "O campo gravitacional est relacionado com a distribuio interna da massa," afirma Rosenblatt. Por isso, quando a Mars Express estiver por cima de um vazio interior, no ser to influenciada como quando estiver por cima de rocha slida.
    Os investigadores iro tambm usar o instrumento MARSIS (Mars Advanced Radar for Subsurface and Ionospheric Sounding) para estudar o interior de Phobos. Durante os voos rasantes anteriores, a equipa do MARSIS descobriu como ressaltar o seu radar da lua. Agora esperam usar este radar penetrante para observar o seu interior. "Estamos confiantes em observar estruturas subsuperficiais em Maro, mas aqui entram em jogo muitos factores," afirma Andrea Cicchetti do Instituto Italiano de Fsica de Cincia Interplanetria em Roma, que pertence equipa do MARSIS.
    A equipa especialmente dotada para determinar a composio da lua cujo espectro sugere a hiptese de asteride capturado. Rosenblatt pensa, no entanto, que existe uma clsula de fuga. "O espectro superficial pode ser o resultado da influncia de milhares de milhes de anos de clima espacial," afirma. Sem uma atmosfera para as proteger, as rochas marcianas que coalesceram para formar Phobos podem ter sido alteradas superficialmente pelas partculas carregadas libertadas pelo Sol ao longo de milhares de milhes de anos, mascarando a sua verdadeira identidade e enganando os espectmetros. A soluo? Aterrar em Phobos e trazer amostras para estudo c na Terra.
    Isto exactamente o que a Rssia planeia fazer no final de 2011 com a sonda Phobos-Grunt (Phobos-solo em russo). "No podemos compreender a origem de Phobos sem saber a composio da lua, e a Phobos-Grunt dir-nos- isso mesmo," afirma Rosenblatt.
    A Phobos-Grunt poder at providenciar aos cientistas planetrios informaes cruciais acerca do prprio Planeta Vermelho. Durante os ltimos quatro mil milhes de anos, os impactos de meteoritos em Marte devem ter expelido detritos para rbita. Phobos deve ter "arado" atravs destas correntes de detritos, algumas das quais deviam conter grandes bocados de rocha, como demonstrado pela cratera com 9 quilmetros de dimetro em Phobos, a Stickney.
    A maioria dos impactos teriam sido bem mais pequenos, o que provavelmente explica as "estrias" que abundam na superfcie de Phobos. O mapa recente pela Mars Express mostrou que estas linhas so originrias do apogeu principal de Phobos, o ponto que est sempre virado na direco do movimento da lua e por isso o alvo natural para estes detritos.
    O facto excitante que a Natureza tem recolhido amostras de Marte h j milhares de milhes de anos e armazenou-as em Phobos - um dos locais mais fceis de alcanar em todo o Sistema Solar. O que apenas precisamos de fazer ir l busc-las. "Phobos a Biblioteca de Alexandria de Marte," afirma Lee. "As amostras do jovem planeta Marte podem estar muito melhor preservadas em Phobos do que em Marte propriamente dito." Podem at conter a assinatura qumica de vida marciana, embora Lee realce fortemente o "pode" na afirmao.
    E a Phobos-Grunt pode ser apenas a primeira numa linha de misses cada vez mais ambiciosas maior lua de Marte. "Marte deve permanecer o destino final para a explorao tripulada," diz Leroy Chiao, antigo astronauta e membro do comit Augustine. "Mas se ns [o comit] tivssemos pedido directamente o dinheiro necessrio para aterrar em Marte, teramos perdido credibilidade."
    Para criar uma ponte, Lee encara Phobos como uma paragem ideal enquanto as tcnicas e equipamentos necessrios para aterrar em Marte so desenvolvidos pela NASA. Ele j estudou a viabilidade de uma hipottica misso canadiana a Phobos. Ele argumentou o seu caso to bem que Lee est agora envolvido num estudo parecido para a NASA.
    Ele reala que s o ir a Phobos permitiria aos astronautas praticar tcnicas-chave para alcanar rbita marciana, como a aerotravagem, na qual uma nave perde velocidade ao "surfar" a atmosfera do planeta.
    E mais: a lua poderia ter um armazm de peas de fogueto e outros equipamentos, construdos com o passar do tempo por misses robticas. Quando os astronautas a chegassem, equipamentos gastos ou avariados poderiam ser facilmente substitudos.
    Se a misso da NASA seguir em frente, teria como alvo uma espectacular estrutura em Phobos conhecida como o Monolito. Esta plataforma rochosa slida eleva-se da superfcie at 90 metros.
    A sonda aterraria perto do monolito, e poderia estudar a rocha exposta, e depois viajar at outra parte da lua e recolher mais amostras. Levantaria depois voo e viajaria at Deimos, para recolher amostras da lua mais pequena. Finalmente, regressaria Terra. "Seria uma misso excitante," afirma Lee. "A misso poderia descolar da Terra cinco anos aps a obteno de um oramento."
    Est agora nas mos da Casa Branca, enquanto estudam o Relatrio Augustine. Nem mesmo Chiao sabe o resultado provvel destas deliberaes. "Tal como todos ns, estou apenas espera que o governo decida como quer agir," afirma.
    Aterrar em Phobos uma maneira de ficar mais perto de Marte. Mas decerto que seria como viajar at um destino e no ter a coragem de bater porta? Segundo Lee, no. "Existem imensas pessoas que quereriam ir nesta viagem espacial, inclundo eu," afirma. "S a vista de Marte seria de cortar a respirao."
    Chiao, no entanto, afirma que seria duro fazer parte de uma viagem apenas a Phobos. "Para mim, difcil imaginar percorrer todo este caminho e no alcanar a superfcie de Marte," acrescenta. "Mas se tivesse que escolher entre Phobos e nada, escolhia sempre Phobos!"


    RETROSPECTIVA ASTRONMICA DE 2009

    O ano de 2009 deu-nos muitos momentos csmicos impressionantes, tanto para astrnomos como para observadores casuais. Planetas vizinhos, como Mercrio e Jpiter, receberam transformaes, tanto no sentido cientfico como literalmente. A descoberta de gua na Lua e em Marte providenciou pistas do passado, bem como sugestes para a explorao espacial do futuro. E uma classe de recm-detectadas "super-Terras" em torno de outras estrelas podem, em ltima anlise, revelar-se mais habitveis que a prpria Terra. Aqui ficam as histrias que mais sobressaram durante este ano que agora termina.
    Chuvas de meteoros e objectos excntricos
    A Terra ficou num lugar privilegiado para a observao de objectos espaciais em 2009, com chuvas de meteoros, passagens de rochas espaciais, e estranhas luzes no cu - tanto naturais como feitas pelo Homem.
    Espectculos anuais, como as Lenidas, continuaram a maravilhar os observadores, mas algumas rochas espaciais aproximaram-se demasiado do nosso planeta. Um asteride explodiu por cima da Indonsia, com a fora de vrias bombas de Hiroshima, no dia 8 de Outubro de 2009, e tornou-se na maior rocha espacial a atingir a Terra em mais de uma dcada.
    Luzes estranhas e lindas, feitas pelo Homem, tambm se juntaram aos festejos este ano. A NASA lanou um fogueto experimental que recreou brevemente nuvens misteriosas que brilham noite durante o passado ms de Setembro. Mas o espectculo mais estranho veio de uma forma espiral que apareceu por cima da Noruega em Dezembro, e que despoletou uma enorme especulao acerca de extraterrestres e de meteoros - antes do Ministrio da Defesa da Rssia ter confirmado que era o lanamento falhado de um mssil, mssil este que ficou fora de contolo.


    Mercrio revelado
    O planeta Mercrio recebeu uma grande transformao cientfica em 2009, quando a sonda MESSENGER da NASA completou o seu terceiro e ltimo "flyby" em Setembro de 2009, que a ajudar a atingir rbita de Mercrio em 2011.
    Um terceiro encontro com Mercrio no s ajudou a mapear at 98% da superfcie do planeta, mas tambm mostrou que a superfcie contm grandes quantidades de metais pesados, como o ferro e titnio. A surpresa forou os cientistas a repensar a evoluo do pequeno planeta.
    Esta ltima passagem tambm revelou mudanas sazonais no planeta mais prximo do Sol. Tais mudanas tomam a forma de alteraes na composio qumica da fina atmosfera de Mercrio.


    O buraco negro mais massivo
    Ele h o grande, e depois o grande galctico. Um buraco negro supermassivo tornou-se no campeo dos pesos pesados este ano, com 6,4 mil milhes de vezes a massa do Sol, aps os astrofsicos terem revisto estimativas anteriores do tamanho do monstro, atravs de modelos computacionais e observaes telescpicas.
    Este colosso csmico situa-se no corao da gigante galxia M87, tal como o buraco negro massivo da nossa prpria Via Lctea. Outros buracos negros em grandes galxias vizinhas podero agora tambm vir a receber um segundo olhar, por isso no ponha de parte um novo detentor deste recorde nos prximos anos.


    O ano do Telescpio Espacial
    Em 2009 foi lanada uma nova gerao de telescpios espaciais, para descobrir novos mundos ou revelar antigos mistrios do Cosmos. Provavelmente nenhum recebeu mais mediatismo que o novo caador de planetas extrasolares da NASA, o Kepler, que pode detectar mundos distantes com base na tantalizante diminuio da luz criada por um planeta medida que passa em frente da sua estrela, visto da perspectiva da Terra. Entre os outros recm-chegados destacam-se os observatrios espaciais Herschel e Planck da ESA, que vislumbraram o Universo pela primeira vez j este ano. O Herschel o telescpio infravermelho mais poderoso j lanado para o espao, enquanto o Planck tem o objectivo de estudar a "primeira luz" do Universo, que emergiu pouco tempo depois do Big Bang.
    Por ltimo mas no menos importante, a sonda WISE da NASA foi lanada em Dezembro, com o objectivo de estudar o cu infravermelho uma vez e meia durante o seu tempo de vida.
    Estes telescpios de prxima gerao juntam-se a um grupo mais antigo que inclui o Chandra (NASA) e o XMM Newton da ESA. Ambos comemoraram este ano o seu 10. aniversrio.


    gua gelada em Marte
    O caso de um passado molhado em Marte nunca foi to favorvel como em 2009. As rochas espaciais deram uma ajuda Cincia, ao criar crateras na superfcie marciana que revelaram quase 99% de pura gua gelada perto da superfcie - possveis restos de camadas geladas, que podem cobrir at metade do planeta.
    Os cientistas afirmam que um extenso mapa dos vales que cruzam Marte aponta para um possvel oceano no passado do planeta. O intrpido rover Opportunity da NASA continuou tambm a fornecer provas de que a gua poder ter ajudado a esculpir a superfcie marciana.
    Uma das questes mais duradouras que se prolonga para 2010 se ainda existe gua lquida superfcie de Marte. Um conjunto de glbulos ligados s pernas da sonda Phoenix da NASA reprenta provas possveis mas controversas de gua lquida marciana, de acordo com os cientistas da NASA que reveram a misso, restringida a cinco meses, no ano passado.


    Primeiro planeta rochoso em torno de outra estrela
    Duas das maiores descobertas exoplanetrias at data ocorreram em 2009, medida que os caadores de planetas extrasolares deram os primeiros passos na descoberta de planetas tipo-Terra para l do nosso Sistema Solar. Ambos os casos envolveram a observao de mundos distantes passando em frente das suas estrelas-me, em vez de inferir meramente a existncia de planetas com base na oscilao gravitacional que provocariam nas estrelas.
    Primeiro, os astrnomos confirmaram o primeiro mundo rochoso avistado em rbita de outra estrela. Denominado CoRoT-7b, representa o primeiro planeta extrasolar com uma densidade parecida da Terra - mesmo que a sua superfcie se parea muito menos com a do nosso planeta, onde as temperaturas ultrapassam os 1000 graus Celsius.
    Um segundo mundo rochoso, rico em gua, denominado GJ 1214b, tambm se tornou na primeira "super-Terra" a ter uma atmosfera confirmada.
    O punhado cada vez maior de super-Terras, ou planetas com massas entre a da Terra e a de Neptuno, pode agora sobressar entre as centenas de gigantes gasosos parecidos a Jpiter j detectados em rbita de outras estrelas. Alguns cientistas acreditam que tais super-Terras podero, em ltima anlise, ser potencialmente mais habitveis que a Terra.


    Telescpio Hubble observa as profundezas do Universo
    O telescpio mais famoso do mundo, o Hubble, sobreviveu a uma cirurgia no espao e emergiu na sua melhor forma de sempre em 2009. O telescpio, j com 19 anos, celebrou o seu renascimento ao observar o que podero ser as galxias mais distantes e antigas j descobertas.
    A nova cmara WFC3 do Hubble observou, no infravermelho, galxias que se formaram 600 milhes depois do terico Big Bang, ou h cerca de 13,1 mil milhes de anos. A ser confirmada, esta descoberta pode substituir as detentoras actuais deste recorde de galxias mais distantes e antigas do Universo.
    Para alm dos recordes, o Hubble tambm teve tempo para observar um inesperado impacto em Jpiter.


    Jpiter debaixo de fogo
    O que um astrnomo amador anunciou pela primeira vez como uma nova mancha escura em Jpiter, revelou-se uma grande ferida planetria com o tamanho do Oceano Pacfico, deixada para trs por um asteride ou um cometa no vero de 2009. O massivo impacto csmico rivalizou facilmente com outro ocorrido h 15 anos, quando o Cometa Shoemaker-Levy 9 colidiu com o rei do planetas.
    Os astrnomos estimaram que o culpado por trs do impacto no tinha mais que meio quilmetro em dimetro. Mesmo assim, tal objecto csmico teria que ter contido milhares de vezes a energia do impacto de Tunguska na Terra, que explodiu por cima da Sibria em 1908 e arrasou uma rea to grande como uma cidade.
    Um impacto de tamanho similar na Terra teria sido provavelmente catastrfico. Mas os observadores da Terra podem dar graas por Jpiter, que atrai rochas espaciais perigosas devido ao seu gigantesco tamanho e puxo gravitacional.


    gua na Lua
    Talvez nenhuma outra revelao espacial este ano tenha sido to importante como a descoberta de gua na Lua. Um satlite h muito descrito como estril e seco, agora ostenta a tantalizante possibilidade de colnias lunares, j sem falar de um ponto de lanamento para uma explorao espacial mais longnqua.
    Os cientistas confirmaram pela primeira vez traos de gua nas camadas superiores da superfcie lunar, com base em deteces de gua ou de um grupo de hidrxilo (oxignio e hidrognio ligados quimicamente) obtidas pela sonda Chandrayaan-1 da ndia, pela sonda Deep Impact e pela Cassini. Mas as suas descobertas, anunciadas num artigo publicado na edio de 25 de Setembro da revista Science, apenas arranharam a superfcie.
    Depois, a sonda LCROSS da NASA colidiu com o plo sul da Lua em Outubro, e tudo mudou ainda mais. A pluma de detritos libertados pelo impacto da sonda revelou gua gelada, e em grandes quantidades. Este gelo pode servir como gua potvel para futuros astronautas e colonos, ou com hidrognio para o combustvel das naves.
    Saber que a gua aguarda a chegada de seres humanos Lua uma espcie de validao para um dos objectivos principais da NASA, o de colocar novamente botas no solo lunar. E pode tambm providenciar um impulso bastante necessrio para as prximas geraes de cientistas e exploradores espaciais, desbravando o desconhecido para alm de 2010.





    PARABNS, HUBBLE: 20 ANOS A DESVENDAR O COSMOS E A DESLUMBRAR O PBLICO

    Ao longo dos ltimos 20 anos, o Telescpio Espacial Hubble revolucionou o modo como a Humanidade v o Universo. Em muitos aspectos, o telescpio mais importante desde que Galileu apontou a sua luneta para o cu h quatro sculos atrs.

    A NASA lanou o Telescpio Espacial Hubble, um esforo conjunto da NASA e da ESA, no dia 24 de Abril de 1990 a bordo do vaivm Discovery, num evento envolto em grande fanfarra que depressa haveria de cessar. Uma pequenssima mas importante falha nas suas pticas fazia-o ver desfocado. Este problema bem que poderia ter transformado o icnico telescpio espacial num potencial fiasco orbital com uma factura de 1,5 mil milhes de dlares.

    Mas o Hubble foi construdo para ser actualizado no espao, por astronautas a bordo dos vaivns da NASA. Em 1993, a primeira tripulao de mecnicos espaciais corrigiu a viso nublada do Hubble, e mais quatro misses de manuteno e reparao seguiram-se.

    A ltima viagem da NASA ao Hubble decorreu em Maio de 2009, quando a tripulao do vaivm Atlantis prestou ao observatrio orbital o seu servio final. Substituram as velhas baterias do Hubble e peas j gastas, reavivaram cmaras avariadas nunca desenhadas para serem reparadas no espao e acrescentaram dois novos instrumentos. O resultado: o Telescpio Hubble mais poderoso de sempre.

    Os grandes conhecimentos normalmente fazem o mundo parecer maior do que na realidade . No caso do Hubble, a mais importante e talvez a mais impressionante descoberta que ajudou a encontrar, alcanou isso mesmo, ao revelar que o Universo crescia mais depressa do que pensvamos.

    A maior descoberta do Hubble

    Os cientistas apelidaram o suspeito por trs desta expanso acelerada de "energia escura", que agora se pensa constituir 74% da massa-energia combinada do Universo. Em comparao, a matria comum corresponde a apenas 4,6%. A descoberta da energia escura foi totalmente inesperada, e ainda no sabemos com exactido o que . A natureza desta energia escura de certo modo o maior problema da Fsica actualmente.

    E o Hubble no s fez o Universo parecer maior mostrando-nos que estava a crescer - o telescpio espacial tambm sugere que h muito mais a aprender. Atravs do Hubble, vemos que compreendemos muito pouco do Universo, desde a energia escura at matria escura, passando pela histria das galxias ao longo de 13 mil milhes de anos. Mudou completamente a nossa perspectiva do Universo.

    Um achado surpreendente

    Quando o Hubble foi lanado, uma das suas misses principais era descobrir quando o Universo tinha nascido. Nesta altura, a sua idade era bastante incerta, o que poderia levar a possibilidades ridculas, como estrelas mais velhas que o prprio Universo.

    Ao medir a posio de galxias distantes com uma preciso avassaladora e quo depressa se moviam, o Hubble refinou drasticamente a velocidade de expanso do Universo, ajudando a estimar a idade do Universo at mais ou menos 13,75 mil milhes de anos. No entanto, ao resolver o mistrio da idade do Universo, inesperadamente revelou um enigma ainda mais profundo - a expanso do Universo est inexplicavelmente a acelerar, em vez de diminuir como seria de esperar devido ao puxo da gravidade das galxias.

    Haviam sugestes anteriores acerca da existncia de uma "constante cosmolgica" que agia como uma fora repulsiva contra a interaco gravitacional da matria, sendo a proposta mais famosa a de Einstein. Antes do Hubble, sem observaes, ningum levou estas especulaes particularmente a srio.

    A promessa da energia escura

    A resoluo do mistrio da energia escura poder revolucionar a Fsica. Levantou novas teorias acerca da origem do Universo, como por exemplo a que refere a existncia de membranas da realidade que despoletam ciclos infinitos de morte e renascimento csmico. Tambm alimentou a especulao acerca do destino do Universo, levantando a possibilidade da energia escura terminar o Universo num Big Rip.

    Mesmo assim, muito acerca da energia escura permanece desconhecido. Uma ideia afirma que literalmente vem do espao vazio - de energia que a mecnica quntica teoriza existir no vcuo. O problema que os clculos preliminares da fora da energia escura, caso fosse consequncia da energia no vcuo, so 120 ordens de magnitude mais do que vemos actualmente com a energia escura. um 1 com 120 zeros atrs.

    Mesmo com estimativas mais refinadas, ainda estaramos nas 50 ordens de magnitude. Outra possibilidade teoriza que uma espcie de campo, mas no se sabe o porqu de a estar, e se est de algum modo relacionado com a expanso do Universo desde o seu incio. Uma terceira hiptese afirma que no h nenhuma energia escura, e que temos que mudar a nossa teoria da gravidade, que a teoria da relatividade geral de Einstein no est correcta quando passamos para escalas maiores do Universo.

    Em cada destes casos, estamos a falar de uma mudana fundamental no nosso conhecimento da Fsica, a teoria fsica mais bsica que governa o Universo.

    Aqui ficam outros dos grandes feitos astronmicos do Hubble:

    Pluto e seus companheiros: o Hubble descobriu duas novas luas de Pluto, Nix e Hidra, e recentemente mapeou mudanas sazonais na sua superfcie. Ao ajudar a estimar a massa de ris, um corpo 27% mais massivo que o prprio Pluto, veio a ideia de que corpos semelhantes possam existir na Cintura de Kuiper e at mais longe, o que ajudou a despromover Pluto e objectos semelhantes para a categoria de planeta-ano. As observaes futuras destes objectos distantes podero ajudar os cientistas a melhor compreender como o Sistema Solar evoluu.

    Discos protoplanetrios: Ao observar regies de formao estelar, como a famosa Nebulosa de Orionte, o Hubble foi capaz de mostrar que os discos protoplanetrios de gs e poeira so ubquos em torno de muitas jovens estrelas. Isto refora a ideia que os mundos extrasolares so comuns no Universo.

    GRBs: Estas exploses de raios-gama so as exploses mais poderosas do Universo, tipicamente libertando mais energia em segundos do que o Sol em toda a sua vida de 10 mil milhes de anos. A origem destas exploses permaneceu um mistrio durante dcadas. O Hubble ajudou a descobrir que estas exploses normalmente ocorrem em galxias que activamente formavam estrelas e que eram baixas em metalicidade - isto , baixas em elementos mais pesados que o hlio. Isto sugeriu que os GRBs emergiam como estrelas massivas colapsadas para formar buracos negros - galxias activas em formao estelar so normalmente ricas em estrelas massivas que colapsam rapidamente, e as estrelas com baixa metalicidade so mais provveis de reter a sua massa e formar buracos negros.

    Cometa Shoemaker-Levy 9: O Cometa Shoemaker-Levy 9 colidiu espectacularmente com Jpiter em 1994, um impacto que o Hubble capturou em toda a sua glria. A atraco gravitacional do planeta gigante despedaou o cometa em fragmentos, resultando em 21 impactos visveis. A maior destas colises criou uma bola de fogo que cresceu at 3.000 km para cima do topo das nuvens jovianas, bem como uma mancha escura com 12.000 km de dimetro - aproximadamente o tamanho da Terra - num evento que se estima ter tido a fora de 6.000 gigatoneladas de TNT. As observaes do Hubble no s reforaram o interesse do pblico nos efeitos dos impactos csmicos, como tambm forneceram dados sobre a atmosfera de Jpiter.

    Buracos negros: O Hubble descobriu que os buracos negros supermassivos provavelmente existem nas galxias que tm um bojo de estrelas no seu centro. A ligao bastante ntima entre o tamanho destes buracos negros centrais e o tamanho das suas galxias tambm indica uma evoluo em sintonia, o que por sua vez fornece informaes acerca da evoluo do Universo com o passar do tempo.

    Mundos extrasolares: At agora conhecem-se mais de 400 planetas extrasolares, e na realidade foram descobertos por telescpios terrestres. Mesmo assim, o Hubble fez importantes avanos na busca de mundos extrasolares, como na determinao da composio atmosfrica de um exoplaneta pela primeira vez, e at ao observar directamente a luz visvel de Fomalhaut b.

    Desde Galileu

    Podemos dizer que ao olhar para a Histria, o Hubble ter tido o mesmo impacto que o telescpio de Galileu. Nenhum telescpio foi to apelativo para o pblico como o Hubble tem sido ao longo de 20 anos. Este impacto revolucionrio do Hubble deriva do seu poder de permanncia. Foi reparado cinco vezes, e em cada misso foi capaz de se renovar com novos instrumentos que o transformaram num novo telescpio.

    Espera-se que o Hubble, aps esta ltima misso de servio, dure pelo menos mais cinco anos. Se tivermos sorte e formos espertos, podemos ser bem capazes de comemorar o seu 30. aniversrio.


    GUA PODE AGARRAR-SE SUPERFCIE DA LUA

    Uma grande poro da superfcie da Lua pode estar coberta com gua. Esta foi a surpreendente descoberta de um trio de sondas, que acharam traos da substncia no solo lunar.
    Muitos cientistas suspeitam que gua gelada se encontra em crateras permanentemente sombra nos plos da Lua, que so tambm algumas das regies mais frias do Sistema Solar.
    Mas novos achados sugerem que uma pequena quantidade de gua ainda existe no solo lunar por toda a superfcie da Lua. A primeira deteco foi feita pela sonda Chandrayaan-1 da ndia. A sonda, que falhou em Agosto aps menos de 10 meses em rbita, foi a primeira sonda lunar a transportar um instrumento capaz de medir quanta luz absorvida por minerais que contenham gua.
    "S pode ser gua," diz Carle Pieters da Universidade de Brown em Providence, Rhode Island, EUA, lder do intrumento do Chandrayaan-1 que fez a deteco.
    A sonda Chandrayaan-1 descobriu pistas de gua pela superfcie lunar quando mediu uma queda na luz reflectida num comprimento de onda absorvido apenas por gua e por hidrxilo, uma molcula que contm um tomo de hidrognio e um tomo de oxignio.
    Mas a equipa no ficou convencida que tinha descoberto gua. "Levmos literalmente meses a estudar tudo o que poderia explicar esta caracterstica, simplesmente porque no pensvamos que pudesse existir superfcie," afirma Pieters.
    Para ajudar a verificar a assinatura, os membros da equipa viraram-se para os dados recolhidos pela sonda Cassini da NASA, que passou pela Lua em 1999 enquanto se dirigia para Saturno, e pela sonda Deep Impact, tambm da NASA, que passou pela Lua em Junho de 2009, a caminho do cometa Hartley 2. Ambas as sondas tambm mostraram evidncias de gua e hidrxilo, molculas que provavelmente existem na Lua.
    Mas apenas em no grandes quantidades. A recolha de gua de uma rea de solo com o tamanho de um campo de futebol daria-nos apenas "um bom copo de gua," afirma Pieters. No entanto, poder ser um importante recurso para os futuros exploradores lunares.
    A descoberta de gua na superfcie muda a seca imagem da Lua, que tem sido desenhada desde os dias das misses Apollo. "Se tivesse dito a algum h trs semanas atrs que havia, nem que fosse uma minscula quantidade de gua na Lua, teriam-se rido," diz Jennifer Sunshine da Universidade de Maryland em College Park e investigadora principal da misso prolongada da Deep Impact.

    As medies do Chandrayaan-1 sugerem que a gua situa-se nos milmetros superiores da superfcie lunar. Como resultado, Pieters e seus colegas favorecem um cenrio no qual a gua criada quando tomos de hidrognio transportados pelo vento solar colidem com materiais ricos em oxignio na superfcie da Lua, combinando-se para formar hidrxilo e gua.





    " um resultado fascinante, interessante e til," diz Paul Spudis do Instituto Lunar e Planetrio em Houston, Texas, EUA. "Basicamente abriu um novo campo de estudo... que tem muitas mais perguntas que respostas."
    Tambm existem provas que sugerem que a gua possa estar em movimento. As observaes da Deep Impact sugerem que a gua possa ser mais prevalente durante as regies mais frias do dia lunar que tem a durao de um ms, perto do nascer-do-Sol e do pr-do-Sol. Isto indica que a gua pode estar efectivamente a ser criada e destruda, ou que migra medida que a luz solar a aquece o suficiente para a libertar dos minerais a que estava anteriormente ligada.
    Se a gua superfcie mvel, poder providenciar uma diferente fonte de gua para as crateras polares permanentemente sombra, cuja fonte principal de gua pensa-se que seja cometas com gua que colidiram com a Lua.
    "Mesmo que leve uns quantos saltos, ou at mil ou um milho, por fim [a gua] pode acumular-se num bom local como estas reas sempre sombra, e uma vez que a esteja j no vai a lado nenhum," diz Pieters.
    Mas existe ainda um aceso debate acerca da existncia de gua nas escuras crateras da Lua. Os sinais de radar reflectidos das crateras polares mostraram alguns sinais tipo-gelo. E os neutres detectados pela Lunar Prospector da NASA em 1998 sugeriram a presena de hidrognio, embora no fosse claro se os tomos estavam fechados em gua gelada ou sob outra qualquer forma.
    A Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA, que foi lanada em Junho, est agora procura de assinaturas semelhantes.


    A LCROSS da NASA, que ir colidir com uma cratera no plo sul da Lua no dia 9 de Outubro, poder potencialmente ajudar a resolver a questo. A sonda e o estgio de fogueto j gasto actualmente com ela, iro libertar plumas de detritos que a LRO e os telescpios terrestres iro estudar em busca de sinais de gua gelada.


    ASTRONAUTAS PODEM ALCANAR MARTE NA DCADA DE 2020, AFIRMA PAINEL

    Segundo um painel nomeado pela Casa Branca, a Humanidade poder orbitar Marte na dcada de 2020 - mas s se o oramento da NASA for maior. De acordo com um sumrio do relatrio do painel, anunciado na Tera-feira, sua quantia actual, a agncia ser incapaz de deixar a baixa rbita terrestre durante pelo menos duas dcadas.
    Durante o mandato do presidente George W. Bush, foi ordenado NASA que pusesse astronautas na Lua at 2020. Mas em Maio, a administrao do presidente Obama nomeou um painel de especialistas espaciais para rever os planos das viagens tripuladas da agncia espacial. O painel liderado pelo antigo administrador da Lockheed Martin, Norman Augustine.
    Embora o seu relatrio final esteja ainda em vias de acabamento, na Tera-feira o comit enviou um sumrio das suas concluses para a Casa Branca e para a NASA. Uma deciso final sobre a direco futura da NASA depende da Casa Branca e do Congresso americano.
    O sumrio contm uma lista de cinco possveis maneiras de avanar o programa de voo espacial tripulado da NASA, sem preferir uma a qualquer das outras.
    Uma destas opes, denominada Percurso Flexvel, levaria os astronautas a uma srie de destinos cada vez mais distantes, comeando com uma misso para orbitar a Lua. Uma misso a um asteride seguir-se-ia mais tarde, e o plano culminaria ento numa misso a Marte, que o painel afirma que poderia ser alcanada na segunda metade da dcada de 2020.
    Para evitar problemas financeiros, esta opo adiaria o desenvolvimento de quaisquer veculos de aterragem e outro hardware necessrio para realmente colocar astronautas na superfcie do planeta.
    Ao invs, orbitariam Marte, encontrando-se com uma das suas luas. O relatrio no explica se a nave realmente a aterraria ou se apenas orbitaria em torno dela.
    O comit j tinha discutido previamente a ideia do Percurso Flexvel numa das suas reunies pblicas, mas as concluses do seu relatrio so mais especficas no que respeita a quando esta misso a Marte deveria ocorrer.
    Tal misso no levaria astronautas a visitar a superfcie marciana directamente. Mas permitiria que a explorassem usando robots controlados remotamente, que potencialmente poderiam recolher amostras de rochas, amostras estas que poderiam ser trazidas para a Terra para um estudo mais detalhado.
    Robots na superfcie marciana, como os rovers Spirit e Opportunity, no podem ser controlados em tempo real da Terra. Isto porque existe um atraso de 20 minutos em cada lado devido ao tempo que os sinais de rdio demoram a viajar entre os dois planetas. Quando os problemas aparecem, h um grande intervalo de tempo antes que consigamos enviar novos comandos aos robots, atrasando o seu progresso.
    "Humanos ou humanos ajudados por robots, podem levar a cabo a explorao cientfica de superfcies planetrias, particularmente as complexas, mais efectivamente que robots sozinhos," disse Steven Squyres, da Universidade de Cornell e lder da misso dos rovers, ao comit em Agosto, citando a possibilidade de controlar rovers a partir de rbita em torno do Planeta Vermelho.
    Mas o comit avisa que sem mais dinheiro, a NASA ficaria-se apenas pela baixa rbita terrestre at pelo menos decada de 2030. "O comit conclui que a inexistncia de um plano compatvel com o oramento do Ano Fiscal de 2010 no permitir a continuao da explorao humana de um modo significativo," afirma o sumrio do relatrio. Levar a cabo o programa do Percurso Flexvel ou levar astronautas Lua antes da dcada de 2030 necessitaria de mais 3 mil milhes de dlares por ano, para l dos 18,7 mil milhes planeados para a agncia, diz o relatrio.

    Das cinco grandes opes anunciadas no relatrio, duas no requerem um aumento do oramento:
    - Programa de registo: a NASA continuaria a construr os foguetes Ares I e V, e a cpsula tripulada Orion, desenhada para misses humanas Lua. Mas no teria dinheiro para o equipamento de aterragem lunar, e para o suporte da estao espacial a partir de 2015.
    - ISS + Lua: este prolongaria a vida da estao espacial at 2020 e usaria veculos comerciais para levar as tripulaes at uma rbita terrestre baixa em vez do fogueto Ares I. A NASA construiria uma verso mais leve do Ares V e no teria dinheiro para o equipamento de aterragem lunar.
    O relatrio sublinha outras trs opes que a agncia poderia perseguir se conseguisse receber mais 3 mil milhes de dlares extra por ano:
    - Lua primeiro/base: o suporte da ISS acabaria em 2015. A NASA continuaria os seus planos de enviar astronautas de novo Lua, incluindo a construo do Ares V, Ares I e Orion. As misses lunares humanas aconteceriam na segunda metade da dcada de 2020.
    - Variante Lua primeiro: o suporte da ISS seria prolongado at 2020. Os veculos comerciais fariam o acesso at rbita terrestre baixa. A NASA desenvolveria uma verso mais leve do Ares V ou um veculo derivado do vaivm espacial para suportar as misses lunares.
    - Percurso flexvel: os astronautas orbitariam a Lua e Marte, e visitariam um ou mais asterides. Estas misses poderiam usar uma verso mais leve do Ares V, um veculo baseado no vaivm espacial, ou verses modificadas dos actuais foguetes comerciais Atlas V ou Delta IV. O suporte da estao espacial seria prolongado at 2020. Os veculos comerciais fariam o acesso at baixa rbita terrestre.

    O comit tambm recomendou:
    - A existncia de concorrncia entre companhias de lanamento espacial, para providenciar servios de lanamento para tripulaes da NASA at baixa rbita terrestre;
    - O uso de recursos da NASA para prolongar a vida da Estao Espacial Internacional at pelo menos 2020, em ordem a maximizar o retorno de milhares de milhes de dlares investidos na sua construo;
    - A explorao do espao para l da rbita terrestre, cooperativamente com outros pases, espalhando o esforo financeiro entre outros participantes;
    - O estudo da possibilidade de prolongar a operao do vaivm espacial at 2015 - actualmente previsto para se reformar em 2010.


    Site do ESO em portugus

    O telescpio espacial Herschel enviou para a Terra vrias imagens espetaculares de nuvens de gs frio prximas do plano da Via Lctea, revelando uma actividade intensa e completamente inesperada . A regio escura e fria pontilhada com imensas fbricas estelares, que surgem como prolas numa corda csmica.
    A 3 de Setembro, o telescpio Herschel apontou para um reservatrio de gs frio na constelao do Cruzeiro do Sul perto do plano galctico. medida que o telescpio varria o cu, o seu receptor e espectrgrafo de infravermelhos, SPIRE, e os instrumentos de fotovarrimento e espectrometria PACS obtinham imagens digitalizadas desta regio. A regio est localizada a cerca de 60 a partir do Centro Galctico, a milhares de anos-luz da Terra.

    As cinco imagens originais no infravermelho tm sofrido modificaes de cor para permitir que os cientistas diferenciem material extremamente frio (vermelho) do material envolvente, um pouco mais quente (azul).

    As imagens revelam a estrutura do material frio da nossa galxia, de um modo nunca antes visto, e mesmo antes de uma anlise detalhada, os cientistas tm recolhido informao sobre a quantidade de material, a sua massa, a sua temperatura, a sua composio e se a matria est em colapso para formar novas estrelas.
    Que uma rea escura e fria como essa pudesse ter uma actividade to evidente, foi inesperado. Mas as imagens revelam uma surpreendente quantidade de turbulncia: o material interestelar est a condensar-se em filamentos contnuos e interligados que brilham com a luz emitida por estrelas recm-nascidas em diferentes fases de desenvolvimento. A nossa galxia parece incansvel continuamente a forjar novas geraes de estrelas.

    As estrelas formam-se em ambientes frios e densos e nestas imagens fcil localizar as estrelas, formando-se em filamentos que seriam muito difceis de isolar atravs uma imagem singular resultante de um comprimento de onda nico.

    Tradicionalmente, n uma regio muito povoada como esta, que est situada no plano da nossa galxia e que contm muitas nuvens moleculares ao longo da linha de viso, os astrnomos tm tido muitas dificuldades em resolver os detalhes. Mas o telescpio Herschel e os seus sofisticados instrumentos de aquisio no infravermelho no tiveram muito trabalho com esta tarefa de observar atravs da poeira que opaca luz visvel, um tipo de observao astronmica impossvel a partir do solo. O resultado obtido pelo Herschel o de uma incrvel rede de estruturas filamentosas, que indicam uma cadeia de quasi-estrelas com eventos de formao simultneos, e que brilham como colares de prolas no fundo da nossa Galxia.


    COMO OS ASTRONAUTAS PODERIAM "RECOLHER" GUA NA LUA


    gua recm-confirmada na Lua poder ajudar os astronautas lunares a sobreviver e at a impulsionar misses para Marte, se a sua recolha se tornar prtica. Um dispositivo que emite microondas, desenvolvido pela NASA, poder fazer isso mesmo.
    Trs sondas - a Chandrayaan-1 da ndia e as sondas Cassini e Deep Impact da NASA - detectaram a absoro de radiao infravermelha num comprimento de onda que indica a presena de gua ou hidrxilo, uma molcula composta por um tomo de hidrognio e um tomo de oxignio. Todas descobriram que a assinatura mais forte nos plos do que em latitudes mais baixas.
    Algumas destas molculas podem estar a ser criadas continuamente quando os protes do vento solar - ies de hidrognio - se ligam aos tomos de oxignio no solo lunar. Os impactos de cometas podero tambm ter trazido a gua para a Lua.
    Esta gua trazida por cometas ou gerada pelo vento solar pode espalhar-se aleatoriamente com o passar do tempo em crateras permanentemente sombra nos plos lunares, que recentemente se descobriu serem mais frias que Pluto.
    "Uma vez que a chegue, no sai," afirma Carle Pieters da Universidade de Brown em Providence, Rhode Island, EUA, cientista principal do instrumento construdo pela NASA a bordo da Chandrayaan-1 que fez as medies.
    At agora, a gua no parece ser muito abundante - a recolha de gua de uma rea de solo com o tamanho de um campo de futebol daria-nos apenas "um bom copo de gua," disse Pieters.
    Mas se a gua puder ser colhida, os astronautas lunares podero us-la para beber ou dividi-la em oxignio e hidrognio para fazer combustvel para as suas viagens at casa. Isto cortaria os custos de lanamento, dado que ia diminuir a quantidade de combustvel que teriam que levar da Terra.
    O combustvel produzido na Lua poder at ajudar a montar uma misso humana a Marte. Graas gravidade mais fraca da Lua, precisaramos de menos energia para levar uma nave para o espao a partir da superfcie lunar do que na Terra.
    "Muda completamente o paradigma do voo espacial," diz Paul Spudis do Instituto Lunar e Planetrio em Houston, Texas. " como construr um caminho-de-ferro transcontinental at ao espao."
    Mas como que se pode extrar a gua que est provavelmente fechada em muito pequenas concentraes de gelo no solo lunar? As microondas podero ser a chave, de acordo com os estudos levados a cabo por Edwin Ethridge do Centro Aeroespacial Marshall da NASA e William Kaukler da Universidade do Alabama, os primeiros a demonstrar esta tcnica em 2006.
    Os cientistas usaram um forno microondas comum com solo lunar simulado que tinha sido arrefecido at temperaturas tipo-Lua, aproximadamente -150 C.
    Mantendo o solo num vcuo para simular as condies lunares, descobriram que ao aquec-lo apenas at -50 C com microondas, a gua gelada sublimou, ou transformou-se directamente de slida a vapor. O vapor ento espalhou-se a partir de poros a mais alta presso no solo at cmara de vcuo a mais baixa presso, por cima.
    Na Lua, o vapor pode ser recolhido ao manter uma placa de metal por cima do solo. O vapor de gua condensaria ento como geada e teramos ento que a extrar da placa, afirma Kaukler.
    O aquecimento e processamento de solo lunar seco a altas temperaturas tambm poderia libertar oxignio e hidrognio para combustvel ou outros usos. Mas isso necessitaria de 100 vezes mais energia do que a extraco de gua lunar nativa, afirma Spudis: "Tudo se torna mais fcil, barato e rpido."



    CHOVEM ROCHAS EM COROT-7B

    To habituados estamos ns luz do Sol, chuva, ao nevoeiro e neve do nosso planeta que nos quase impossvel imaginar uma atmosfera diferente e outras formas de precipitao.
    Este o caso da atmosfera de CoRoT-7b, um planeta extrasolar descoberto no passado ms de Fevereiro pelo telescpio espacial CoRoT, lanado pelas agncias espaciais francesa e europeia.
    De acordo com modelos cientficos desenvolvidos na Universidade de Washington em St. Louis, EUA, a atmosfera de CoRoT-7b composta por ingredientes rochosos e "quando uma frente se desenvolve," rochas condensam-se no ar e caem para lagos de lava superfcie.
    O trabalho, por Laura Schaefer, assistente de pesquisa no Laboratrio de Qumica Planetria, e Bruce Fegley Jr. doutorado e professor de Cincias Terrestres e Planetrias, aparece na edio de 1 de Outubro do Astrophysical Journal.
    Os astrnomos j descobriram quase 400 planetas extrasolares, ou exoplanetas, nos ltimos 20 anos. Mas devido s limitaes dos meios indirectos pelos quais so descobertos, a maioria so "Jpiteres Quentes", gigantes gasosos que orbitam muito perto das suas estrelas. (cabem dentro de Jpiter mais de 1300 Terras, que tem 300 vezes a massa da Terra)
    CoRoT-7b, por outro lado, tem menos do dobro do tamanho da Terra e apenas cinco vezes a sua massa.
    Foi o primeiro planeta descoberto em rbita da estrela CoRoT-7, uma an laranja na constelao de Unicrnio (a prioridade dada pela letra b).
    Em Agosto de 2009 um consrcio de observatrios europeus, liderado por suios, anunciou a descoberta de CoRoT-7c, um segundo planeta em rbita de CoRoT-7.
    Usando os dados de ambos os planetas, foram capazes de calcular que CoRoT-7b tem uma densidade mdia muito prxima da da Terra. Isto significa que quase de certeza um planeta rochoso composto por rochas de silicato como aquelas na crosta da Terra, afirma Fegley.
    Mas tudo menos tipo-Terra, pois no nada hospitaleiro vida. O planeta e a sua estrela esto separados por apenas 2,5 milhes de quilmetros, 23 vezes menos que a distncia entre o infernal Mercrio e o nosso Sol.
    Dado que o planeta est to prximo da estrela, sofre do mesmo efeito de acoplamento de mar que a Lua em relao Terra. O planeta mostra sempre a mesma face estrela, tal como a Lua mostra sempre a mesma face Terra.
    Este lado "diurno" tem uma temperatura de aproximadamente 2600 Kelvin (2326,85 C). Isto infernalmente quente - quente o suficiente para vaporizar rocha. A temperatura mdia global da superfcie da Terra, por contraste, de apenas 288 Kelvin (14,85 C).
    O lado em sobra perptua, pelo contrrio, extremamente frio, a 50 K (223,15 C).
    Talvez devido a terem sido cozidos, a atmosfera de CoRoT-7b no tem nenhum dos elementos volteis ou compostos que perfazem a atmosfera da Terra, tal como a gua, nitrognio e dixido de carbono.
    "A nica atmosfera que este objecto tem produzida por vapor oriundo de silicatos quentes e derretidos num lago ou oceano de lava," reala Fegley.
    Como ser essa atmosfera? Para descobrir a resposta, Schaefer e Fegley usaram clculos de equilbrio termoqumico para modelar a atmosfera de CoRoT-7b.
    Os clculos, que revelam quais os conjuntos de minerais estveis sobre tais condies extremas, foram feitos com o programa MAGMA, desenvolvido em 1986 por Fegley e por A.G.W. Cameron (j falecido), professor de astrofsica na Universidade de Harvard.
    Schaefer e Fegley modificaram o programa MAGMA em 2004 em ordem a estudar o vulcanismo a alta-temperatura em Io, a lua galileana mais interior de Jpiter. Esta verso modificada foi usada no seu presente trabalho.
    Porque os cientistas no sabiam a composio exacta do planeta, correram a simulao com quatro diferentes composies. "Obtivmos essencialmente o mesmo resultado para todos os quatro casos," afirma Fegley.
    "Sdio, potssio, monxido de silicone e depois oxignio - ou oxignio atmico ou molecular - so os componentes principais da atmosfera." Mas tambm existem quantidades mais pequenas de outros elementos nas rochas de silicato, tais como magnsio, alumnio, clcio e ferro.
    Porque que existe oxignio num planeta morto, quando no fazia parte da atmosfera da Terra at h 2,4 mil milhes de anos, quando as plantas comearam a produzi-lo?
    "O oxignio o elemento mais abundante nas rochas," diz Fegley, "por isso quando vaporizamos rocha produzimos muito oxignio."
    Esta peculiar atmosfera tem a sua prpria e rara meteorologia. " medida que subimos na atmosfera, fica mais frio e eventualmente ficamos saturados com diferentes tipos de 'rocha', da mesma maneira que ficamos saturados com gua na atmosfera da Terra," explica Fegley. "Mas em vez de se formar uma nuvem de gua e chover gotas, ficamos com uma 'nuvem rochosa' que precipita pequenos calhaus de diferentes tipos de rocha."
    Ainda mais estranho, o tipo de rocha que se condensa da nuvem depende da altitude. A atmosfera funciona da mesma maneira que colunas fraccionadas, aquelas grandes colunas que tornam as petroqumicas to reconhecveis de longe. Numa coluna fraccionada, o crude aquecido e os seus componentes condensam numa srie de tabuleiros, o mais pesado (com o mais ponto de ebulio) situado em baixo, e o mais leve (e mais voltil) situado no topo.
    Em vez de condensar hidrocarbonetos como asfalto, petrleo, querosene e gasolina, a atmosfera do planeta condensa materiais como enstatite, corndon, espinlio e volastonite. Em ambos os casos as fraces caem em ordem ao ponto de ebulio.
    O sdio e o potssio, que tm pontos de ebulio muito baixos em comparao com as rochas, no so precipitados e ficam na atmosfera, onde formariam nuvens altas de gs atingidas pelo vento estelar de CoRoT-7.
    Estas enormes nuvens podem ser detectveis por telescpios terrestres. O sdio, por exemplo, dever brilhar na parte laranja do espectro, como uma lmpada de vapor de sdio que iluminam as nossas ruas noite.
    Os observadores recentemente avistaram sdio na atmosfera de outros dois planetas extrasolares.
    A atmosfera de CoRoT-7b pode no ser respirvel, mas certamente entretm.


    ROSETTA FAZ LTIMO "FLYBY" PELA TERRA A 13 DE NOVEMBRO

    A sonda Rosetta, caadora de cometas, far o seu terceiro e ltimo voo rasante pela Terra no prximo dia 13 de Novembro, adquirindo mais velocidade para a ltima parte da sua viagem de 10 anos. A sua misso colocar um "lander" no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e segui-lo durante uma rbita em torno do Sol. A sonda ser visvel para os observadores terrestres em certos locais da Terra. Este ltimo flyby vai aumentar a velocidade da sonda por 3,6 km/s em relao ao Sol, dando Rosetta a energia necessria para alcanar as regies exteriores do Sistema Solar.
    A Rosetta foi lanada no dia 2 de Maro de 2004, e vai visitar vrios alvos a caminho do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. J visitou o asteride 2867 Steins em Setembro de 2008. Vai chegar ao cometa 21 Lutetia a 10 de Junho de 2010, aps o qual entrar em modo hibernao at que alcance o seu destino final em Maio de 2014.
    Uma vez que a Rosetta chegue ao 67P/Churyumov-Gerasimenko, libertar o seu "lander" Philae na direco do ncleo do cometa, e continuar a orbitar e a estudar o cometa durante um ano, ao longo do seu percurso orbital mais prximo do Sol. Esta a primeira misso a orbitar e a aterrar num cometa, e promete devolver imensos dados sobre a interaco cometria com o Sol. Os cometas tambm contm na sua maiora materiais imperturbados da formao do Sistema Solar no seu ncleo, por isso o estudo da sua composio d aos cientistas um olhar sobre o desenvolvimento do Sistema Solar.
    Durante a passagem rasante pela Terra em Novembro de 2007, a Rosetta tirou esta espectacular imagem da Terra. O prximo "flyby" vai dar aos observadores na Terra uma hiptese de observar a Rosetta. A maior aproximao ter lugar no dia 13 de Novembro, pelas 07:45, Hora Universal.
    A sonda ser visvel apenas em partes da Europa, Amrica do Sul e frica, como o mapa mostra. Se estiver nalguma destas regies durante a aproximao, e tiver condies favorveis, pode consultar o blog da Rosetta, onde se encontram mais informaes e dicas sobre a sua observao.
    Para Portugal, a melhor altura para observao entre as primeiras horas de dia 13 e as que antecedem o nascer do dia. Infelizmente, ser antes da sua maior aproximao e estar baixa a Sudoeste (dando a impresso de viajar lentamente na direco contrria rotao da Terra), com uma magnitude que poder variar entre os 12,5 e os 10,3 (altura em que se pe, por volta das 05:27). Com um telescpio amador de grande abertura (12 polegadas) consegue-se observar a sonda.


    GIGANTESCA EXPLOSO REVELA A MAIS MASSIVA ESTRELA CONHECIDA

    Novos clculos sugerem que uma enorme exploso observada em 2007 ter assinalado a morte de uma das mais massivas estrelas conhecidas no Universo. Exploses semelhantes podem ter poludo o jovem Universo com elementos pesados, alterando a sua evoluo.
    Uma equipa de astrnomos liderada por Avishay Gal-Yam do Instituto Weizman de Cincia em Rehovot, Israel, detectou a exploso numa galxia an no dia 6 de Abril de 2007.
    As medies do espectro da supernova e do enfraquecimento do brilho ao longo dos 18 meses seguintes, sugerem que a exploso, denominada SN 2007bi, destruu uma estrela com 100 vezes a massa do Sol. A estrela deve ter sido mais pesada nascena, porque as estrelas massivas perdem muito do seu material medida que envelhecem. Com base na sua massa durante a morte, a estrela provavelmente nasceu com cerca de 200 vezes a massa do Sol, afirma a equipa.
    Hoje em dia, no se conhece nenhuma estrela com tanta massa. Entre as estrelas mais pesadas que foram medidas com preciso, est uma perto do centro da nossa Galxia, com 114 vezes a massa do Sol.
    SN 2007bi tambm se distingue como o melhor caso, at agora, de um tipo extico de morte estelar denominada "supernova par-instabilidade" - um tipo de exploso que apenas afecta estrelas que nasceram com mais de 140 vezes a massa do Sol.
    Estrelas ligeiramente abaixo deste limite colapsam para formar buracos negros ou estrelas de neutres aps esgotarem o seu combustvel nuclear.
    Mas estrelas mais pesadas no tm hiptese de gastar o seu combustvel. medida que envelhecem, as altas presses e temperaturas nos seus ncleos levam os fotes energticos a transformar-se em pares de electres e nos seus homlogos de antimatria, positres. Esta converso reduz a presso da radiao que suporta a massa da estrela, despoletando uma exploso que rasga a estrela.
    A grande quantidade de nquel radioactivo observado no espectro de SN 2007bi, que corresponde a mais de sete vezes a massa do Sol, caracterstica das supernovas par-instabilidade, afirma a equipa. Uma exploso em 2006, que se suspeita ser deste tipo de evento, no teve tal clara assinatura.
    Volker Bromm da Universidade de Texas em Austin, que no um membro da equipa de Gal-Yam, concorda. "2007bi realmente o primeiro caso convincente," acrescenta.


    RESOLVIDO MISTRIO NOS CONFINS DO SISTEMA SOLAR

    Os astrnomos dizem que o nosso Sistema Solar est a passar por uma nuvem de material interestelar que no deveria aqui estar. As velhas sondas Voyager ajudaram a resolver o mistrio.
    A nuvem denominada "Nuvem Interestelar Local". Tem cerca de 30 anos-luz de dimetro e contm uma insignificante mistura de tomos de hidrognio e hlio, de acordo com um comunicado de imprensa da NASA anunciado anteontem. Estrelas vizinhas, que explodiram h cerca de 10 milhes de anos atrs, deveriam ter esmagado ou dispersado esta nuvem.
    Ento o que est a manter esta nuvem no seu lugar?
    "Usando dados das Voyager, descobrimos um forte campo magntico, mesmo para l do Sistema Solar," explicou Merav Opher, Investigador Heliofsico convidado pela NASA, da Universidade George Mason. "Este campo magntico sustm a nuvem interestelar e resolve o antigo mistrio da sua existncia."
    A nuvem muito mais magnetizada do que se pensava anteriormente," afirma Opher. "Este campo magntico pode dar a presso extra necessria para resistir destruio."
    Opher e seus colegas explicam a descoberta na edio de 24 de Dezembro da revista Nature.
    As duas sondas Voyager da NASA j navegam para fora do Sistema Solar h mais de 30 anos. Esto agora bem para l de rbita de Pluto e beira do espao interestelar. Durante a dcada de 90, a Voyager 1 tornou-se no objecto mais longnquo feito pelo Homem.
    As duas Voyager, viajando em direces opostas, revelaram, entre outras coisas, que a bolha em torno do nosso Sistema Solar achatada.
    "As Voyager no esto na realidade dentro desta nuvem interestelar," afirma Opher. "Mas esto l perto e podemos sentir como medida que nos aproximamos."
    A nuvem interestelar local est mesmo para l dos confins do Sistema Solar e contida pelo campo magntico do Sol, que "inchado" pelo vento solar numa espcie de bolha magntica com mais de 10 mil milhes de quilmetros. Denominada "heliosfera", esta bolha protege o Sistema Solar interior dos raios csmicos galcticos e das nuvens interestelares. As duas Voyager esto localizadas na camada exterior da helioesfera, em ingls denominada "heliosheath", onde o vento solar diminui de velocidade devido presso do gs interestelar.
    A Voyager 1 entrou nesta "heliosheath" em Dezembro de 2004. A Voyager 2 seguiu-a em Agosto de 2007. Estas travessias providenciaram dados fundamentais para o novo estudo.
    Outras nuvens interestelares podem tambm estar magnetizadas, assume Opher e seus colegas. E podemos eventualmente colidir com algumas.
    "Os seus fortes campos magnticos podem comprimir a helioesfera ainda mais do que est agora," afirma a NASA. "Uma maior compresso pode permitir com que um maior nmero de raios csmicos alcancem o Sistema Solar interior, possivelmente afectando o clima terrestre e a capacidade dos astronautas viajarem em segurana pelo espao."


    ASTRNOMOS FAZEM-NOS OUTRA VEZ: DESCOBREM MOLCULAS ORGNICAS EM "JPITER-QUENTE" EXTRASOLAR

    Observando bem para l do nosso Sistema Solar, investigadores da NASA detectaram a qumica bsica para a vida num segundo planeta gasoso, avanando os astrnomos para o objectivo de conseguir caracterizar planetas onde possa existir vida. O planeta no habitvel mas tem a mesma qumica que, a ser descoberta futuramente num planeta rochoso, poder indicar a presena de vida.
    " o segundo planeta fora do nosso Sistema Solar onde j se descobriu gua, metano e dixido de carbono, potencialmente importantes para os processos biolgicos em planetas habitveis," disse Mark Swain do JPL da NASA, em Pasadena, Califrnia, EUA. "A deteco de compostos orgnicos em dois planetas extrasolares levanta agora a possibilidade de se tornar mais comum a descoberta de planetas com molculas possivelmente ligadas vida."
    Swain e seus co-investigadores usaram dados de dois observatrios da NASA, o Telescpio Espacial Hubble e o Telescpio Espacial Spitzer, para estudar HD 209458b, um planeta quente e gasoso, maior que Jpiter, que orbita uma estrela tipo-Sol a cerca de 150 anos-luz de distncia na direco da constelao de Pgaso. Os novos achados sucedem-se surpreendente descoberta, em Dezembro de 2008, de dixido de carbono em torno de outro "Jpiter-quente", HD 189733b. Observaes anteriores do Hubble e do Spitzer tinham tambm revelado vapor de gua e metano.

    As deteces foram feitas atravs de espectroscopia, que divide a luz nos seus componentes para revelar as distintas assinaturas espectrais dos diferentes elementos qumicos. Os dados da cmara infravermelha e do espectmetro do Hubble revelaram a presena das molculas, e os dados do fotmetro e do espectmetro infravermelho do Spitzer mediram as suas quantidades.
    "Isto demonstra que podemos detectar as molculas importantes para os processos da vida," afirma Swain. Os astrnomos podem agora comear a comparar as duas atmosferas planetrias em busca de semelhanas e diferenas. Por exemplo, as quantidades relativas de gua e de dixido de carbono nos dois planetas so similares, mas HD 209458b mostra uma abundncia maior de metano do que HD 189733b. "A maior abundncia de metano diz-nos qualquer coisa," disse Swain. "Pode denotar algo especial acerca da formao deste planeta."
    Outros planetas, grandes e quentes, podem ser caracterizados e comparados usando instrumentos existentes, reala Swain. Este trabalho vai preparar as bases para o tipo de anlise que os astrnomos iro eventualmente necessitar de realizar, para seleccionar quaisquer planetas rochosos tipo-Terra onde as assinaturas de qumicos orgnicos possam indicar a presena de vida.
    Esperam-se mais descobertas de mundos rochosos pela misso Kepler da NASA, lanada este ano, mas os astrnomos acreditam que ainda estamos mais ou menos a uma dcada de sermos capazes de detectar quaisquer sinais qumicos de vida.
    Se e quando tais planetas tipo-Terra forem descobertos no futuro, "a deteco de compostos orgnicos no ir necessariamente indicar vida num planeta, porque existem outros maneiras de gerar tais molculas," acrescenta Swain. "Se detectarmos elementos orgnicos num planeta rochoso tipo-Terra, teremos que saber o suficiente sobre o planeta para excluir processos no-vida que podero levar existncia de tais qumicos."
    "Estes objectos esto demasiado longe para enviar sondas, por isso a nica maneira de alguma vez aprendermos algo sobre eles apontando telescpios. A espectroscopia uma poderosa ferramenta para determinar a sua qumica e dinmica."


    EXPLORANDO COM UMA FROTA DE ROBOTS AUTNOMOS

    Uma frota de robots poder um dia voar por cima de cumes de montanhas na lua de Saturno, Tit, atravessar as suas vastas dunas e navegar nos seus lagos lquidos.
    Wolfgang Fink, do Instituto de Tecnologia da Califrnia em Pasadena, EUA, diz que estamos beira de uma grande revoluo cientfica na explorao planetria, e que a prxima gerao de exploradores robticos no ser nada como a de actualmente.
    "O modo como exploramos o amanh ser completamente diferente," disse Fink, recentemente nomeado como Professor Notvel Edward e Maria Keonjian em Microelectrnica na Universidade do Arizona, em Tucson. "Estamos a sar das abordagens tradicionais de uma nica sonda robtica sem redundncia, comandada a partir da Terra, para uma abordagem que nos permite ter mltiplos robots, prescindveis, de baixo-custo e autnomos, que se podem comandar a eles prprios e aos outros robots, em vrios locais e ao mesmo tempo."
    Uma frota de robots poder um dia voar por cima de cumes de montanhas na lua de Saturno, Tit, atravessar as suas vastas dunas e navegar nos seus lagos lquidos.
    Wolfgang Fink, do Instituto de Tecnologia da Califrnia em Pasadena, EUA, diz que estamos beira de uma grande revoluo cientfica na explorao planetria, e que a prxima gerao de exploradores robticos no ser nada como a de actualmente.
    "O modo como exploramos o amanh ser completamente diferente," disse Fink, recentemente nomeado como Professor Notvel Edward e Maria Keonjian em Microelectrnica na Universidade do Arizona, em Tucson. "Estamos a sar das abordagens tradicionais de uma nica sonda robtica sem redundncia, comandada a partir da Terra, para uma abordagem que nos permite ter mltiplos robots, prescindveis, de baixo-custo e autnomos, que se podem comandar a eles prprios e aos outros robots, em vrios locais e ao mesmo tempo."

    Impresso de artista de uma sonda, dirgveis, rovers e robots trabalhando em conjunto.
    Crdito: NASA-JPL


    Fink e os membros da sua equipa em Caltech, do USGS (U.S. Geological Survey) e da Universidade do Arizona, esto a desenvolver software autnomo e construram uma plataforma de ensaio robtica que pode simular um gelogo ou um astronauta, capaz de trabalhar independentemente e como parte de uma equipa maior. Este software permitir a um robot pensar por si prprio, identificar problemas e possveis riscos, determinar reas de interesse e priorizar alvos para estudos mais detalhados.
    O modo como as coisas funcionam agora : os engenheiros enviam um comando a um rover ou uma sonda, para executar certas tarefas e depois esperam que sejam executadas. Tm pouca ou nenhuma flexibilidade na mudana do seu "plano de jogo" medida que os eventos se desenrolam; por exemplo, para observar um desmoronamento ou uma erupo criovulcnica medida que acontece, ou investigar um evento de libertao de metano.
    "No futuro, mltiplos robots estaro no lugar do condutor," afirma Fink. Estes robots partilhariam a informao quase em tempo real. Este tipo de explorao poder um dia ser usada numa misso em Tit, Marte ou noutros corpos planetrios. As propostas actuais para Tit incluem o uso de uma sonda, um balo de ar e rovers ou sondas aquticas.
    Neste cenrio, uma sonda orbitaria Tit obtendo uma viso global da lua, um balo de ar ou dirigvel flutuando nos cus providenciando um "olhar de pssaro" de cadeias montanhosas, lagos e desfiladeiros. No cho, um rover ou um "lander" aqutico poderia explorar os cantos e recantos da lua. A sonda "falaria" directamente com o balo de ar e mandaria-o voar por cima de certas regies para um melhor olhar. Este dirigvel estaria em contacto com vrios pequenos rovers no cho e enviaria ordens para os conduzir at reas identificadas do cu.
    "Este tipo de explorao referida como reconhecimento escalvel em camadas," acrescenta Fink. " como comandar um pequeno exrcito de robots simultaneamente operando no espao, no ar e no cho."
    Um rover poder relatar a observao de rochas macias nos seus arredores, enquanto o balo ou a sonda poderia confirmar que o rover se encontraria num antigo leito de rio - ao contrrio das misses actuais, que se focam apenas numa viso global de rbita e no conseguem proporcionar informao numa escala local para dizer ao rover que est de facto situado no meio de um antigo leito de rio.
    Um exemplo actual deste tipo de explorao o de Marte, no qual os dados obtidos pelos rovers so enviados para as sondas em rbita e depois retransmitidos para a Terra. No entanto, essa informao apenas retransmitida e no partilhada entre as sondas ou usada para os controlar directamente.
    "Estamos basicamente a caminhar para a construo de robots que comandam outros robots," disse Fink, director do Laboratrio de Pesquisa de Sistemas de Explorao Visual e Autnoma no Caltech, onde este trabalho tem sido desenvolvido.
    "Um dia, uma frota de robots ser comandada autonomamente de uma s vez. Esta armada de robots ser os nossos olhos, ouvidos, braos e pernas no espao, no ar, e no cho, capaz de responder ao seu ambiente sem ns, de explorar e compreender o desconhecido," realou.
    Os artigos que descrevem esta nova explorao foram publicados na revista "Computer Methods and Programs in Biomedicine" e nos Procedimentos do SPIE.


    FERMI ACABA O SEU PRIMEIRO ANO COM UM VISLUMBRE NO ESPAO-TEMPO

    Durante o seu primeiro ano de operaes, o Telescpio Espacial de Raios-Gama Fermi da NASA mapeou o cu extremo com uma resoluo e sensibilidade sem precedentes. Capturou mais de mil fontes discretas de raios-gama -- a forma mais energtica de luz. Nivelando essas faanhas esteve uma medio que proporcionou evidncias experimentais raras acerca da prpria estrutura do espao e do tempo, unificadas como espao-tempo nas teorias de Einstein.
    "Os fsicos gostariam de substitur a viso da gravidade de Einstein -- tal como est expressada nas suas teorias da relatividade -- com algo que lida com todas as foras fundamentais," disse Peter Michelson, investigador principal do LAT (Large Area Telescope) do Fermi, na Universidade de Stanford em Palo Alto, Califrnia, EUA. "Existem muitas ideias, mas poucas maneiras de as testar."
    Muitas abordagens de novas teorias da gravidade retratam o espao-tempo como uma estrutura inconstante e superficial, a escalas fsicas bilies de vezes mais pequenas que um electro. Alguns modelos prevm que o aspecto espumoso do espao-tempo faz com que os raios-gama mais energticos se movam ligeiramente mais devagar que os fotes menos energticos.
    Tal modelo violaria o dito de Einstein, que diz que toda a radiao electromagntica -- ondas de rdio, radiao infravermelha, luz visvel, raios-X e raios-gama -- viaja pelo vcuo mesma velocidade.
    No passado dia 10 de Maio, o Fermi e outros satlites detectaram uma pequena exploso de raios-gama, designada GRB 090510. Os astrnomos pensam que este tipo de exploso acontece quando estrelas de neutres colidem. Os estudos a partir da Terra mostram que o evento teve lugar numa galxia a 7,3 mil milhes de anos-luz de distncia. Dos muitos fotes de raios-gama que o instrumento LAT do Fermi detectou a partir da exploso, com a durao de 2,1 segundos, dois possuam energias diferindo por um milho de vezes. E mesmo viajando durante sete mil milhes de anos, o par chegou com apenas 9/10 de segundo de diferena.
    "Esta medio elimina qualquer proposta de uma nova teoria da gravidade que prev uma mudana muito energetico-dependente na velocidade da luz," afirma Michelson. "Para uma parte em 100 trilies, estes dois fotes viajaram mesma velocidade. Einstein ainda domina."
    O instrumento secundrio do Fermi, o GRBM (Gamma-ray Burst Monitor), j observou raios-gama pouco energticos em mais de 250 exploses. O LAT observou 12 destas mais detalhadamente, revelando trs exploses-recorde.
    GRB 090510 exibiu o movimento mais rpido j observado, com a matria ejectada movendo-se a 99,99995% da velocidade da luz. A mais alta energia raios-gama j observada num GRB -- 33,4 mil milhes electro-volt ou cerca de 13 mil milhes de vezes a energia da luz visvel -- veio do GRB 090902B em Setembro. GRB 080916C, do ano passado, produziu a maior energia total, equivalente a 9000 supernovas comuns.
    Observando todo o cu a cada trs horas, o LAT est a proporcionar aos cientistas do Fermi um olhar cada vez mais detalhado do Universo extremo. "Descobrimos mais de mil fontes persistentes de raios-gama -- cinco vezes o nmero anteriormente conhecido," disse a cientista do projecto, Julie McEnery, do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA. "E associmos quase metade com objectos conhecidos noutros comprimentos de onda."
    Os blazares -- galxias distantes cujos buracos negros supermassivos emitem jactos de matria a alta velocidade na nossa direco -- so de longe a fonte mais prevalente, agora alcanando os mais de 500. Na nossa prpria Galxia, as fontes de raios-gama incluem 46 pulsares e dois sistemas binrios onde uma estrela de neutres orbita rapidamente uma estrela jovem e quente.
    "A equipa do Fermi fez um grande trabalho comissionando o satlite e comeando as suas observaes cientficas," disse Jon Morse, director da Diviso de Astrofsica da sede da NASA em Washington. "E agora o Fermi est mais que cumprindo a sua promessa cientfica nica de fazer descobertas importantes e foram do comum acerca do Universo extremo e da estrutura do espao-tempo."


    EXPLOSO DO PASSADO PROPORCIONA PISTAS ACERCA DO UNIVERSO JOVEM

    Astrnomos, usando o radiotelescpico VLA (Very Large Array) obtiveram novos conhecimentos tantalizantes acerca da natureza do mais distante objecto j observado -- uma gigantesca exploso estelar conhecida como uma exploso de raios-gama (GRB).
    A exploso foi detectada a 23 de Abril pelo satlite Swift da NASA, e os cientistas cedo se aperceberam que estava a mais de 13 mil milhes de anos-luz da Terra. Representa um evento que ocorreu 630 milhes de anos aps o Big Bang, quando o Universo tinha apenas 4% da sua idade actual, 13,7 mil milhes de anos.
    "Esta exploso proporciona um olhar sem precedentes numa era quando o Universo era muito jovem e tambm sofria mudanas drsticas. A escurido csmica primitiva estava a ser perfurada pela luz das primeiras estrelas e as primeiras galxias estavam a comear a formar-se. A estrela que explodiu neste evento era um membro destas primeiras geraes de estrelas," afirma Dale Frail do Observatrio Nacional de Rdio-Astronomia dos EUA.
    Os astrnomos viraram os telescpios de todo o mundo para estudar a exploso, denominada GRB 090423. O VLA olhou pela primeira vez para o objecto no dia seguinte descoberta, detectou as primeiras ondas de rdio da exploso uma semana depois, e seguidamente registou mudanas no objecto at que se extinguiu mais de dois meses depois.
    " importante estudar estas exploses com muitos tipos de telescpios. A nossa equipa de pesquisa combinou dados do VLA com dados de telescpios de raios-X e infravermelho para reunir algumas das condies fsicas da exploso," disse Derek Fox da Universidade Estatal da Pennsylvania. "O resultado um olhar nico sobre o princpio do Universo que no podamos ter obtido de outra maneira," acrescentou.
    Os cientistas concluram que a exploso foi mais energtica que a maioria dos GRBs, foi uma exploso quase esfrica, e que se expandiu num meio gasoso relativamente uniforme e tnue que rodeava a estrela.
    Os astrnomos suspeitam que as primeiras estrelas no Universo eram muito diferentes -- mais brilhantes, quentes e massivas -- daquelas que se formaram depois. Esperam descobrir provas destes gigantes ao observar objectos longnquos como GRB 090423 ou ainda mais distantes.
    "A melhor maneira de distinguir estas estrelas distantes de geraes prematuras atravs do estudo das suas mortes explosivas, como supernovas ou exploses de raios-gama," afirma Poonam Chandra, do Colgio Militar Real do Canad, e lder da equipa de pesquisa. Embora os dados do GRB 090423 no indiquem que tenha resultado da morte de tal monstruosa estrela, novas ferramentas astronmicas esto para vir com capacidade para as revelar.
    "O instrumento ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) permitir-nos- descobrir estes GRBs muito distantes mais facilmente para que os possamos seleccionar para observaes posteriores mais detalhadas e intensas. O EVLA (Expanded Very Large Array), com muito mais sensibilidade que o VLA actual, far com que possamos seguir estas exploses durante muito tempo e aprender muito mais sobre as suas energias e ambientes. Seremos capazes de olhar ainda mais para o passado," afirma Frail. Tanto o ALMA como o EVLA tm acabamentos previstos para 2012.


    NOVO TELESCPIO ESPACIAL IR ESTUDAR TEMPESTADES SOLARES

    Enquanto os astrnomos observam estrelas cada vez mais longnquas, alguns cientistas querem observar melhor a estrela mais prxima: o Sol.
    A NASA planeia lanar uma nova sonda, a Solar Dynamics Observatory (SDO), para fazer as observaes solares mais detalhadas de sempre e para compreender a sua complexa meteorologia e tempestades.
    "O Sol muda de cada vez que olhamos para ele, nunca o mesmo," disse Dean Pesnell, cientista do projecto SDO do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA, numa conferncia de imprensa na passada Quinta-feira.
    Os cientistas esperam que os dados da nova sonda os ajudem a melhor compreender as mudanas no campo magntico do Sol, que se torna mais e menos activo ao longo de um ciclo de 11 anos, libertando promeninncias peridicas de partculas carregadas que podem avariar a tecnologia terrestre.
    A sonda de 808 milhes de dlares tem lanamento previsto para 9 de Fevereiro, por volta das 15:36 (hora de Portugal), a bordo de um fogueto Atlas V, de Cabo Canaveral, Flrida.
    A maioria da Terra est protegida contra estas partculas carregadas, a que chamamos vento solar, graas ao seu prprio campo magntico, que as repele. Mas durante uma tempestade solar, alguns destes desvastadores ataques podem chegar ao cho, provocando perturbaes nos sistemas de navegao por satlite, s comunicaes por rdio, s redes elctricas e a outros sistemas.
    "O nosso Sol afecta a nossa vida cada vez mais, medida que ficamos cada vez mais dependentes da tecnologia," afirma Pesnell.
    Os dados da SDO vo ajudar a melhor prever as proeminncias solares, com o objectivo de evitar o pior dos estragos. Isto ser particularmente importante quando os seres humanos comearem a viajar de volta Lua e at Marte, onde no existe um casulo magntico para os proteger, a eles e s suas naves.
    O observatrio contm trs instrumentos para capturar imagens do Sol em oito comprimentos de onda a cada 10 segundos. Os dados sero usados para estudar o processo que gera o campo magntico do Sol, denominado dnamo solar.
    "A compreenso do dnamo e o sermos capaz de o prever, o santo graal da fsica solar," acrescentou Madhulika Guhathakurta, cientista do programa SDO na sede da NASA em Washington, D.C.
    Aps alcanar rbita terrestre, a SDO far alguns testes, e provavelmente ser capaz de enviar os seus primeiros dados cientficos cerca de 60 dias aps o lanamento. Os cientistas do projecto dizem que ao longo da sua misso de cinco anos, a SDO vai revolucionar o nosso conhecimento da fsica solar.


    DESCOBERTO NOVO TIPO DE SUPERNOVA PREVISTO POR FSICOS TERICOS

    Uma nova classe de supernova foi descoberta por cientistas da Universidade de Berkeley, Califrnia, EUA, e pode ser o primeiro exemplo de um novo tipo de exploso estelar. Uma equipa de astrofsicos da Universidade de Santa Barbara, tambm na Califrnia, previu este tipo de exploso no seu trabalho terico.
    Lars Bildsten, professor no Instituto Kavli para Fsica Terica (KITP) da UCSB, e colegas, previram um novo tipo de supernova em galxias distantes, que seriam mais tnues que a maioria e que aumentariam e diminuiriam de brilho em apenas poucas semanas.
    A descoberta, liderada por Dovi Poznanski (ps-doutorado de Berkeley, que tambm pertence ao Laboratrio Nacional Lawrence Berkeley), anunciada na edio Express de 5 de Novembro da revista Science. Bildsten soube da descoberta de Poznanski no passado ms de Agosto, quando organizava uma conferncia.
    " medida que falvamos do nosso trabalho ao longo dos ltimos anos, a maioria dos astrnomos na audincia lembrou-nos que nunca tnhamos observado tal evento," disse Bildsten. "Ns dissmos para continuarem a tentar!"
    H pouco mais de 2 anos, Bildsten trabalhava com os seus colaboradores, quando se aperceberam que o resultado dos seus clculos previa uma exploso observvel, nunca vista no cu nocturno.

    "Tendo o cu como limite, os observadores esto normalmente frente da teoria," afirma Bildsten, "por isso estou feliz por termos feito uma previso que nos permitiu uma rpida interpretao de um novo fenmeno. Embora a supernova tivesse sido observada em 2002, foi preciso o penetrante olho de Dovi Poznanski para apreciar a sua importncia e relevncia."
    Bildsten explicou que a maioria das estrelas termina a sua vida gentilmente, formando ans brancas com a massa do Sol embalada no raio da Terra. Embora sejam muito densos, estes objectos, constitudos ou por uma mistura de carbono e oxignio ou por hlio quase puro, arrefecem at temperaturas to baixas que as reaces de fuso j no podem ocorrer. No entanto, em casos raros, dois destes objectos orbitam-se to de perto -- com um perodo orbital de poucos minutos -- que o hlio da an branca mais leve puxado para fora pelas foras de mar e acumula-se na an branca mais massiva.
    esta ocorrncia rara que leva a condies nicas da explosiva ignio termonuclear e a uma expulso total do hlio acumulado. A abundncia excessiva de elementos radioactivos invulgares, feitos nesta fuso rpida, origina um brilhante espectculo de luz que dura algumas semanas.
    J h muitas dcadas que se conhecem estes brilhantes eventos de plenas exploses termonucleares em ans brancas, referidas como uma "supernova Tipo Ia". So mais brilhantes que o todo de uma galxia durante mais de um ms e so muito teis para os estudos cosmolgicos.

    A estrela em causa, denominada SN2002bj, foi observada h sete anos atrs na galxia NGC 1821 por astrnomos amadores, mas foi erradamente classificada como uma supernova Tipo II. Mas SN2002bj tem uma assinatura diferente de todas as outras variaes conhecidas nestes dois tipos. Em particular, aumentou e diminuiu de brilho em menos de 27 dias, tendo em conta que a maioria das supernovas aumentam e diminuem de brilho ao longo de trs, quatro meses.
    Os eventos previstos por Bildsten e colaboradores tm apenas um-dcimo do brilho durante um-dcimo do tempo, levando inteligente denominao, por Chris Stubbs, professor da Universidade de Harvard, destes eventos, como uma supernova ".Ia" (ponto um a). Relativamente publicao, em Junho de 2007, desta teoria na "Astrophysical Journal Letters", Bildsten disse: "Estava preocupado se a revista nos deixava nomear ou no um evento ainda no observado, mas deixaram -- e o nome pegou. O marketing uma grande parte do sucesso de uma ideia, mesmo na Cincia."
    No obstante o sucesso aparente, ainda permanecem puzzles, e Bildsten e seu colaboradores, especialmente os estudantes Ken Shen e Kevin Moore, da UCSB, esto a trabalhar activamente neles. Estes incluem questes tericas de como que o hlio explode, e se a an branca mais pequena fica para trs ou no. Shen afirmou: "ns estivmos sempre interessados nestas novas possibilidades, mas agora temos uma motivao real. Onde h uma, existem muitas, por isso as coisas vo tornar-se mais excitantes."


    Lanamento Nocturno do Vaivm Endeavour

    Por vezes, o vaivm espacial descola noite. Na imagem, o vaivm Endeavour levanta voo nas primeiras horas de dia 8, a partir da plataforma de lanamento 39A no Centro Espacial Kennedy, na Flrida, EUA, com destino ISS. Os lanamentos nocturnos so teis, pois torna mais fcil alcanar a estao espacial durante certas alturas do ano, e frequentemente causa impacto a quem o observa. O vaivm encontra-se no meio da enorme pluma libertada pelos poderosos foguetes, que elevam o autocarro espacial com dois milhes de quilos at rbita. A misso do Endeavour, apelidada STS-130, inclui a entrega do mdulo Tranquility. Este mdulo trar mais espao aos astronautas da estao e inclui um grande conjunto circular de janelas desenhadas para oferecer espectaculares vistas da Terra, do cu, e da prpria estao espacial.

    2010 - Ncleo de Astronomia do Centro Cincia Viva do Algarve. Compilado por Miguel Montes e Alexandre Costa. Os contedos das hiperligaes encontram-se na sua esmagadora maioria em Ingls.
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    EXOPLANETAS FORNECEM PISTAS PARA EXPLICAR A ESTRANHA QUMICA DO SOL

    Com base num censo de 500 estrelas, 70 das quais conhecidas por possurem planetas, estabeleceu-se uma relao entre o "mistrio do ltio" observado no Sol e a presena de sistemas planetrios. Utilizando o espectrgrafo do ESO, HARPS, uma equipa de astrnomos descobriu que estrelas do tipo do Sol que albergam planetas destroem o seu ltio com muito mais eficcia do que as estrelas sem planetas. Esta descoberta no s ajuda a compreender a falta de ltio na nossa estrela, como tambm fornece aos astrnomos um mtodo muito eficaz para procurar estrelas com sistemas planetrios.
    "Durante quase 10 anos tentmos descobrir o que diferencia as estrelas que apresentam sistemas planetrios das que no os possuem," diz Garik Israelian, primeiro autor do artigo que aparece esta semana na revista Nature. "Acabmos de descobrir que a quantidade de ltio em estrelas do tipo solar depende da existncia ou no de planetas na sua rbita."
    Desde h vrias dcadas que se tem vindo a observar nveis baixos deste elemento qumico no Sol, quando comparados com outras estrelas do tipo solar, e os astrnomos tm sido incapazes de explicar esta discrepncia. A descoberta de uma tendncia para baixos valores de ltio em estrelas que albergam planetas explica de forma natural este mistrio de longa data. "Para ns, a explicao deste mistrio com mais de 60 anos bastante simples," acrescenta Israelian. "O Sol tem ltio a menos porque tem planetas."
    Esta concluso baseia-se na anlise de 500 estrelas, incluindo 70 que albergam planetas. A maioria destas estrelas foram monitorizadas durante vrios anos com o instrumento do ESO, High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher. Este espectrgrafo, conhecido como HARPS, est montado no telescpio de 3.6 metros do ESO e o principal descobridor de exoplanetas do mundo. "Esta a melhor amostra disponvel at data, que nos permite estudar o que torna nicas as estrelas que possuem sistemas planetrios," diz o co-autor Michel Mayor.
    Os astrnomos observaram particularmente estrelas do tipo do Sol, as quais perfazem quase um quarto da amostra. Descobriram que a maioria das estrelas que albergam planetas possuem menos de 1% da quantidade de ltio observado nas outras estrelas. "Tal como o nosso Sol, estas estrelas foram muito eficazes na destruio do ltio que tinham aquando da sua formao," diz Nuno Santos, membro da equipa. "Utilizando a nossa amostra, bastante extensa e nica, podemos tambm demonstrar que o motivo desta reduo de ltio no se relaciona com nenhuma outra propriedade da estrela, como por exemplo a sua idade."
    Contrariamente maioria dos elementos mais leves que o ferro, os ncleos leves de ltio, berlio e boro no so produzidos em grande quantidade nas estrelas. Com efeito, pensa-se que o ltio, composto por apenas trs protes e quatro neutres, foi produzido essencialmente depois do Big Bang, h cerca de 13.7 mil milhes de anos. A maioria das estrelas tm, por isso, a mesma quantidade de ltio, a no ser que este elemento tenha sido destrudo no interior da estrela.
    Este resultado proporciona igualmente aos astrnomos um novo mtodo, bastante eficaz, na procura de sistemas planetrios: ao verificar a quantidade de ltio presente numa estrela os astrnomos podem decidir quais as estrelas que tero provavelmente planetas e que por isso necessitaro de observaes complementares.
    Agora que a relao entre a presena de planetas e os curiosos baixos nveis de ltio se estabeleceu, o mecanismo fsico por detrs deste efeito tem que ser estudado. "Existem vrios processos pelos quais um planeta pode perturbar os movimentos internos da matria no interior da estrela hospedeira, alterando a distribuio dos vrios elementos qumicos e possivelmente provocando a destruio de ltio. Cabe agora aos tericos descobrir quais destes processos tero maior probabilidade de se produzir," conclui Mayor.


    GRANDES QUANTIDADES DE GUA DESCOBERTAS NA LUA

    oficial: h gua na Lua, e muita. Quando derretida, a gua pode potencialmente ser usada para consumo dos astronautas ou para extrar hidrognio para combustvel.
    A sonda LCROSS da NASA descobriu camadas de gua gelada no plo sul da Lua quando a colidiu no ms passado, anunciaram na semana passada os cientistas da misso. As descobertas confirmam as suspeitas anteriormente anunciadas, e em grande.
    " verdade, descobrimos gua. E no foi pouca, descobrimos uma grande quantidade," disse Anthony Colaprete, cientista do projecto LCROSS e seu investigador principal, do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, Califrnia, EUA.
    A sonda LCROSS colidiu no plo sul lunar, numa cratera chamada Cabeus, no passado dia 9 de Outubro. A sonda, que custou 79 milhes de dlares, e que foi precedida pelo estgio do fogueto Centaur, atingiu a superfcie lunar num esforo de criar uma pluma de detritos para os cientistas analisarem em busca de sinais de gua gelada.

    Estes sinais foram visveis nos dados de medies espectogrficas (que medem a luz absorvida em diferentes comprimentos de onda, revelando diferentes elementos) da cratera do estgio Centaur e da pluma de detritos, bi-partida, que o impacto criou. A assinatura da gua foi observada tanto em medies no infravermelho como no ultravioleta.
    "Vemos evidncia de gua em dois instrumentos," afirma Colaprete. "E isso que nos torna realmente confiantes nas nossas descobertas."
    Com base nas medies dos seus instrumentos, a equipa estima ter observado cerca de 100 kg de gua na rea da cratera de impacto (com cerca de 20 metros de dimetro) e no manto de detritos libertados (entre 60 e 80 metros de dimetro), acrescenta Colaprete. "Estou impressionado com a quantidade de gua que vimos na nossa pequena cratera com 20 metros".
    "O que realmente excitante que atingimos apenas um local. como procurar petrleo: uma vez que o descubramos num lugar, muito provvel que exista tambm nas redondezas," disse Peter Schultz, professor de cincias geolgicas na Universidade de Brown e co-investigador da misso LCROSS.

    Esta descoberta de gua no significa que a Lua molhada como a Terra, mas provavelmente mais molhada que alguns dos desertos mais secos da Terra, afirma Colaprete. E mesmo esta pequena quantidade valiosa para as possveis misses futuras, reala Michael Wargo, cientista lunar para os Sistemas de Explorao na sede da NASA.
    Os cientistas h muito que suspeitavam que as crateras em sombra perptua no plo sul da Lua poderiam ser frias o suficiente para manter gua gelada superfcie, com base em deteces de hidrognio por prvias misses lunares. A gua j tinha sido detectada na Lua por um instrumento a bordo da agora defunta Chandrayaan-1, uma sonda da ndia, embora em muito pequenas quantidades e ligada poeira da superfcie lunar.
    A gua no foi o nico composto observado na pluma de detritos do impacto LCROSS.
    "H ali muitas coisas". O que so exactamente esses compostos, ainda no se determinou, mas podem incluir materiais orgnicos que apontariam para impactos cometrios no passado.
    As descobertas mostram que "os plos lunares so uma espcie de registo" da histria lunar e da histria do Sistema Solar, porque estas regies permanentemente sombra so muito frias "e isso significa que tendem a capturar e a manter coisas que a se encontrem," disse Greg Delory, do Laboratrio de Cincias Espaciais e do Centro de Cincias Planetrias Integrativas da Universidade da Califrnia, Berkeley. "Por isso contam uma histria acerca do clima da Lua e do Sistema Solar."

    A confirmao que h gua na Lua no o fim da histria. Uma questo fundamental ainda por responder de onde veio. Algumas teorias j foram propostas para explicar a origem da gua, inclundo detritos de impactos cometrios, interaco da superfcie lunar com o vento solar, e at mesmo gigantes nuvens moleculares passando perto do Sistema Solar, afirma Delory.
    Os cientistas tambm querem continuar a examinar os dados para descobrir em que estado est esta gua. Colaprete diz que com base em observaes iniciais, provvel que a gua gelada esteja intercalada entre partculas de poeira na superfcie lunar.
    Outras questes que os cientistas querem ver respondidas: que tipos de processos movem, destroem e criam a gua superfcie e h quanto tempo l est, acrescenta Delory.
    Os cientistas tambm esto procura de uma ligao entre a gua observada pela LCROSS e a descoberta pela Chandrayaan-1.


    PROJECTO RECORDE DE RADIOASTRONOMIA MEDE O CU COM EXTREMA PRECISO

    Astrnomos iro juntar a maior coleco de radiotelescpios do mundo para trabalhar como uma nica ferramenta de observao num projecto com o objectivo de melhorar a preciso do quadro de referncia que os cientistas usam para medir posies no cu.
    Durante 24 horas, comeando hoje, 18 de Novembro, e acabando amanh, Quinta, dia 19, 35 rdiotelescpios localizados em sete continentes iro observar 243 quasares distantes. Os quasares, galxias com buracos negros supermassivos nos seus ncleos, so prdigos emissores de ondas de rdio, e esto tambm to distantes que, apesar dos seus reais movimentos no espao, parecem estacionrios vistos da Terra. Esta falta de movimento aparente torna-os marcos celestes ideais para ancorar um sistema de rede, parecido latitude e longitude terrestres, usado para marcar as posies dos objectos celestes.
    Dados de todos os radiotelescpios sero combinados num todo para funcionarem como um nico sistema capaz de medir posies celestes com uma preciso extremamente alta. A tcnica usada, denomada VLBI (very long baseline interferometry ou interferometria astronmica), j usada h dcadas, tanto para a pesquisa geodsica como para a astronmica. No entanto, nenhuma prvia observao tinha usado tantos radiotelescpios ou observado tantos objectos numa nica sesso. O recorde actual situa-se nos 23 telescpios.
    Numa reunio no Brazil no passado ms de Agosto, a Unio Astronmica Internacional adoptou um novo quadro de referncia para as posies celestes que entrar em uso a partir de 1 de Janeiro. Este novo quadro de referncia usa um conjunto de 295 quasares para definir posies, tal como as marcas de referncia de um perito numa subdiviso suburbana. Mesmo com os 35 radiotelescpios espalhados por todo o mundo, existem algumas falhas na cobertura do cu, e a observao de hoje ir observar 243 desses 295.

    Ao observar tantos quasares numa nica sesso de observao, podem ser evitados os problemas de ligao de posio de uma sesso de observao para outra, dizem os astrnomos. O resultado ser uma grelha de referncia muito mais forte e precisa. Iro participar nesta iniciativa telescpios na sia, Austrlia, Europa, Amrica do Norte, Amrica do Sul, Antrtica e no Pacfico.
    O melhoramento da grelha celeste permitir aos astrnomos melhor localizar as posies e medir os movimentos dos objectos no cu. medida que os astrnomos estudam cada vez mais os objectos usando mltiplos telescpios e em diferentes comprimentos de onda, tal como no visvel, no rdio, infravermelho, etc., o melhorado quadro de referncia permitir uma maior e mais precisa sobreposio de diferentes imagens.
    Este novo quadro de referncia celeste tambm fortalece um quadro de referncia terrestre usado para as medies dos radiotelescpios que contribui para a pesquisa geofsica. As precisas medies geodsicas ajudam os geofsicos a melhor compreender fenmenos como as placas tectnicas, as mars, e os processos que afectam a orientao do nosso planeta no espao.
    A observao com mltiplos telescpios ser acompanhada por actividades pblicas em conjunto com a celebrao do Ano Internacional da Astronomia. Uma pgina web dedicada observao ser alojada pelo Observatrio de Bordeaux, e alguns dos telescpios participantes tero webcams disponveis para consulta.


    CASSINI SOBREVIVE ENCONTRO COM "ESTRELA DA MORTE"

    No passado dia 13 de Fevereiro, a Cassini passou pela lua de Saturno, Mimas, a uma distncia de 9500 km. Mimas uma das luas interiores de Saturno, com um dimetro mdio de 396 km.
    Passou directamente por cima da Herschel, uma cratera cuja criao quase destruu a lua e que, graas sua aparncia, apelidou Mimas com a alcunha "Estrela da Morte", semelhana da base do filme "Guerra das Estrelas". A cratera Herschel mede um-tero do dimetro da lua. As suas paredes tm cerca de 5 km de altura, e partes do cho tm aproximadamente 10 km de profundidade.
    A equipa da Cassini colocou disposio do pblico em geral imagens no processadas da passagem rasante da Cassini. So as imagens mais detalhadas j obtidas deste satlite.
    Esta passagem por Mimas envolveu algum esforo por parte da equipa porque a sonda passou por uma regio de poeira e como tal precisava de ter proteco, usando para isso a sua antena de alto-ganho.
    A Misso Equincio da Cassini, da qual o "flyby" por Saturno apenas uma pequena parte, um esforo conjunto das agncias espaciais americana e europeia. O JPL, em Pasadena, EUA, gere a misso para o Directorado de Misses Cientficas da NASA em Washington. A sonda Cassini foi desenhada, desenvolvida e montada no JPL. A equipa de imagem consiste de cientistas dos EUA, Reino Unido, Frana e Alemanha. O seu centro de operaes tem sede no SSI (Space Science Institute) em Boulder, no Colorado.


    GUA DESCOBERTA NA LUA VEIO PROVAVELMENTE DE COMETAS


    O mistrio de onde veio a gua da Lua pode em breve ser resolvido. As evidncias da misso LCROSS da NASA sugerem que muita foi entregue por cometas em vez de se ter formado superfcie atravs de uma interaco com o vento solar.
    Em Outubro, dois objectos colidiram com a Lua - um estgio de fogueto e poucos minutos depois, a prpria sonda LCROSS - numa cratera perto do plo sul da Lua. A sonda capturou imagens e obteve dados espectogrficos do detrito lunar expelidos pelo impacto do fogueto, descobrindo que continha inequvocos sinais de gua.
    As misses anteriores tambm tinham descoberto pistas de gua lunar mas a sua fonte no era clara. Uma teoria afirma que se forma quando os tomos de hidrognio no vento solar se ligam com os tomos de oxignio no solo lunar, criando hidrxilo e gua.
    Mas agora, as evidncias tendem a favor de uma explicao alternativa - impactos de cometa. Os dados foram discutidos esta semana na reunio do Grupo de Anlise de Explorao Lunar, um encontro de 160 cientistas em Houston, Texas, EUA.
    A primeira linha de provas vem de compostos que se vaporizam rapidamente, ou volteis. A LCROSS descobriu sinais espectrais de compostos volteis contendo carbono e hidrognio - provavelmente metano e etanol - bem como outros como amnia e dixido de carbono. "Parece que colidimos numa rea muito rica em compostos volteis," disse Tony Colaprete, cientista principal da LCROSS, numa conferncia de imprensa.
    Estes compostos, na sua maioria, j deveriam ter sido perdidos para o espao h milhares de milhes de anos atrs, quando a Lua coalesceu dos detritos de um impacto entre a Terra e um objecto com o tamanho de Marte. A gua formada atravs de uma interaco com o vento solar seria por isso relativamente pura - e livre de compostos volteis.
    Mas os cometas, que se pensa serem os responsveis por muitas das cicatrizes de impacto na Lua, so "bolas de neve suja" que se sabe conterem compostos volteis como o metano. "Se conseguirmos descobrir a fonte da gua [na Lua], isso poder dizer-nos muito mais acerca da histria da Lua durante o ltimo par de mil milhes de anos," diz Larry Taylor da Universidade do Tennessee.
    A segunda linha de evidncias que aponta para os cometas vem da quantidade de gua detectada. Espera-se que o vento solar forme gua em quantidades minsculas, resultando em concentraes no maiores do que 1% do solo lunar.
    Os membros da equipa LCROSS esto ainda a analisar os dados, mas os clculos sugerem que a concentrao de gua maior. "Os dados so consistentes com um contedo total de hidrognio na ordem de alguns percento," disse Colaprete.
    Para l da sua ligao com os cometas, os elementos volteis geraram excitao na reunio devido ao seu valor como recurso para o voo espacial. Apesar da gua ser importante para sobreviver na Lua, o hidrognio na gua que pode ser usado como combustvel para foguetes.
    A possibilidade de descobrir compostos como etanol e metano, que podem ser usados directamente como combustvel, torna ainda mais doce a questo econmica do ser humano regressar Lua. "A LCROSS deu-nos o nosso bilhete de volta Lua," acrescenta Noah Petro do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA.


    NOVOS RESULTADOS DA MISSO STARDUST PINTAM IMAGEM CATICA DO JOVEM SISTEMA SOLAR

    Embora se pense que os cometas sejam dos corpos mais antigos e primitivos no Sistema Solar, novas investigaes do Cometa Wild 2 indicam que material do Sistema Solar interior foi transportado at regio de formao cometria pelo menos 1,7 milhes de anos aps a formao dos slidos mais antigos do Sistema Solar.
    A pesquisa, por cientistas do Laboratrio Nacional Lawrence Livermore e colegas, providencia a primeira restrio da idade do material cometria de um cometa conhecido. Os achados foram publicados na edio de 25 de Fevereiro da revista Science Express.
    A misso Stardust da NASA ao Cometa Wild 2, lanada em 1999, foi desenhada em torno do pressuposto que os cometas preservam restos pristinos de materiais que ajudaram a formar o Sistema Solar. Em 2006, a Stardust enviou de volta as primeiras amostras de um cometa.
    Embora se esperasse que a misso fornecesse um olhar nico sobre o comeo do Sistema Solar ao enviar amostras, gros amorfos do meio interestelar e verdadeira poeira estelar (gros cristalinos originrios de estrelas distantes), os resultados iniciais pintaram uma imagem diferente. Ao invs, os materiais cometrios consistiram de materiais de alta-temperatura, inclundo incluses ricas em clcio-alumnio (CAI em ingls), os objectos mais antigos formados na nebulosa solar. Estes objectos formam-se nas regies interiores da nebulosa solar e so comuns em meteoritos.
    A presena de CAIs no cometa Wild 2 indica que a formao do Sistema Solar incluu misturas em distncias radiais muito maiores do que as reconhecidas pelos cientistas nos passado.
    "O material do Sistema Solar interior no Wild 2 sublinha a importncia do transporte radial do material a grandes distncias na antiga nebulosa solar," afirma a autora principal do estudo, Jennifer Matzel, do laboratrio do Instituto de Geofsica e Cincia Planetria e do Instituto Glenn T. Seaborg. "Estes achados tambm levantam importantes questes no que toca escala de tempo da formao dos cometas e relao entre o Wild 2 e outros objectos da nebulosa solar primitiva." As anlises mostraram que os materiais do Sistema Solar interior formaram-se 1,7 milhes de anos depois do comeo da formao das CAI.


    TELESCPIO SPITZER OBSERVA AN CASTANHA BEB

    O telescpio espacial Spitzer, da NASA, contribuu para a descoberta da an castanha mais jovem j observada -- um achado que, se confirmado, pode resolver o mistrio astronmico de como estes objectos csmicos so formados.
    As ans castanhas so um pouco proscritas porque caem algures entre os planetas e as estrelas, no que toca sua temperatura e massa. So mais frias e leves que as estrelas e mais massivas (e normalmente mais quentes) que os planetas. Isto tem aquecido um debate entre os astrnomos: as ans castanhas formam-se como os planetas ou como as estrelas?
    As ans castanhas nascem das mesmas nuvens densas que formam estrelas e planetas. Mas embora partilhem o mesmo berrio galctico, as ans castanhas so regularmente apelidadas de estrelas "falhadas" porque no tm a massa das suas irms estelares, mais quentes e brilhantes. Sem essa massa, o gs nos seus ncleos no fica quente o suficiente para despoletar a fuso nuclear que queima hidrognio -- o componente principal destas nuvens moleculares -- em hlio. Incapazes de "acender" como estrelas, as ans castanhas acabam como objectos mais frios e menos luminosos, mais difceis de detectar -- um desafio ultrapassado, neste caso, pela viso infravermelha do Spitzer.
    Para complicar ainda mais as coisas, as jovens ans castanhas evoluem rapidamente, o que as torna difcil de detectar nascena. A primeira an castanha foi descoberta em 1995 e, embora desde a j tenham sido descobertas centenas, os astrnomos no tm sido capazes, inequivocamente, de as descobrir num estgio de formao mais inicial. At agora. Neste estudo, uma equipa internacional de astrnomos descobriu uma denominada "proto an castanha" enquanto ainda abrigada pelo seu manto de nuvens moleculares. Guiados por dados recolhidos pelo Spitzer em 2005, focaram a sua pesquisa na nuvem escura Barnard 213, uma regio do complexo de Touro-Cocheiro, bem conhecido pelos astrnomos como um "local de caa" de objectos jovens.
    "Ns decidimos retroceder vrios passos no processo, at quando [as ans castanhas] esto realmente escondidas," disse David Barrado do Centro de Astrobiologia de Madrid, Espanha, autor principal do artigo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics. "Durante esta etapa, teriam uma cobertura opaca, um casulo, e seriam mais fceis de identificar devido aos seus fortes excessos no infravermelho. Usmos esta propriedade para as identificar. Aqui que o Spitzer desempenha um importante papel, pois consegue observar o que se passa dentro destas nuvens. Sem ele o nosso estudo no teria sido possvel."
    A cmara infravermelha do Spitzer penetrou o berrio poeirento para observar uma an castanha beb, apelidada de SSTB213 J041757. Os dados, confirmados com observaes no infravermelho pelo Observatrio de Calar Alto na Espanha, revelaram no uma mas duas, que potencialmente podero ser as ans castanhas mais tnues e frias j observadas.
    Barrado e a sua equipa embarcaram numa busca internacional por mais informao acerca dos dois objectos. O seu objectivo cientfico era observar e caracterizar a presena deste invlucro de poeira -- prova do "ventre celeste" que indicaria que estas ans castanhas estariam, de facto, nos seus estgios evolucionrios mais iniciais.
    As gmeas foram observadas por todo o globo, e as suas propriedades foram medidas e analisadas usando um conjunto de poderosas ferramentas astronmicas. Uma das paragens dos astrnomos foi o Observatrio Submilmetro do Caltech no Hawaii, EUA, que capturou a presena da cobertura em torno dos jovens objectos. Essa informao, em conjunto com o que tinham do Spitzer, permitiu aos astrnomos a construo de uma distribuio energtica espectral -- um diagrama que mostra a quantidade de energia emitida pelos objectos em cada comprimento de onda.
    A partir do Hawaii, os astrnomos fizeram outras paragens em observatrios espanhis (Calar Alto), no Chile (VLT), e no Novo Mxico (VLA). Tambm obtiveram dados com 10 anos, dos arquivos do Centro de Dados Astronmicos do Canad, que permitiu medir comparativamente como os dois objectos se moviam no cu. Ao fim de mais de um ano de observaes, retiraram as suas concluses.
    "Fomos capazes de estimar que estes dois obejctos so as ans castanhas mais tnues e frias at agora descobertas," afirma Barrado. Barrado disse que estes achados potencialmente resolvem o mistrio se as ans castanhas se formam mais como estrelas ou planetas. A resposta? Formam-se como estrelas de baixa-massa. Esta ideia a mais aceite porque a mudana no brilho dos objectos em diversos comprimentos de onda coincide com a de estrelas leves e muito jovens.
    Embora estudos futuros venham confirmar se estes dois objectos celestes so de facto proto ans castanhas, so at agora os melhores candidatos, acrescenta Barrado. Ele reala que a viagem da sua descoberta, por mais difcil que tenha sido, foi divertida. " uma histria que se tem desenrolado pea a pea. Por vezes a natureza leva tempo a ceder os seus segredos."
    Estas observaes foram feitas antes do Spitzer ficar sem lquido refrigerante em Maio de 2009, comeando a sua misso "quente".


    "ESCAVAO" CSMICA REVELA VESTGIOS DA ORIGEM DA VIA LCTEA

    Espreitando atravs de espessas nuvens de poeira no bojo da nossa Galxia (as mirades de estrelas que envolvem o seu centro) e revelando uma extraordinria quantidade de detalhes, uma equipa de astrnomos descobriu uma estranha mistura de estrelas no grupo estelar chamado Terzan 5. Nunca antes observado no bojo da Galxia, este peculiar "cocktail" de estrelas sugere que Terzan 5 de facto um dos blocos construtores do bojo, mais provavelmente uma relquia de uma galxia an que se fundiu com a Via Lctea durante a sua fase inicial.
    "A histria da Via Lctea est codificada no interior nos seus fragmentos mais antigos, enxames globulares e outros sistemas de estrelas que foram testemunhas de toda a evoluo da nossa galxia," diz Francesco Ferraro, autor principal do artigo que aparece na edio desta semana da revista Nature. "O nosso estudo abre uma nova janela sobre mais uma parte do nosso passado galctico."
    Tal como os arquelogos que escavam, por entre camadas de poeira, restos de civilizaes passadas e desenterram peas cruciais da histria da humanidade, tambm os astrnomos observaram por entre as grossas camadas de poeira interestelar que obscurecem o bojo da Via Lctea e revelaram uma relquia csmica extraordinria.
    O alvo deste estudo o enxame estelar Terzan 5. As novas observaes mostram que este objecto ao contrrio da maioria, com a excepo de alguns enxames globulares peculiares, no alberga estrelas nascidas todas ao mesmo tempo - a que os astrnomos chamam "populao nica" de estrelas. Em vez disso, a imensa quantidade de estrelas brilhantes no Terzan 5 vem de, pelo menos, duas pocas distintas, a mais antiga de h cerca de 12 mil milhes de anos e a outra de 6 mil milhes de anos.
    "Apenas mais um enxame globular com uma histria semelhante de formao estelar, bastante complexa, foi observado no halo da Via Lctea: Omega Centauri," diz o membro da equipa Emanuele Dalessandro. "Esta , por isso, a primeira vez que observamos este fenmeno do bojo da Galxia."
    O bojo a regio da Galxia mais inacessvel, em termos de observaes astronmicas: apenas a radiao infravermelha consegue penetrar as nuvens de poeira e revelar as suas mirades de estrelas. " apenas devido aos soberbos instrumentos montados no Very Large Telescope do ESO," diz a co-autora Barbara Lanzoni, "que conseguimos finalmente, penetrar o nevoeiro e obter uma perspectiva completamente nova da origem do prprio bojo galctico."
    Uma jia da tcnica encontra-se nos bastidores desta descoberta, o instrumento Multi-conjugate Adaptive Optics Demonstrator (MAD) que, na fronteira da tecnologia, permite ao VLT obter imagens altamente detalhadas no infravermelho. A ptica adaptativa a tcnica pela qual os astrnomos conseguem eliminar o efeito de manchas em fontes pontuais que a turbulncia existente na atmosfera terrestre inflige s imagens astronmicas obtidas pelos telescpios no solo; MAD um prottipo ainda mais poderoso de um instrumento de prxima gerao de ptica adaptativa.
    Com o apurado olho do VLT os astrnomos descobriram igualmente que Terzan 5 tem mais massa do que se pensava anteriormente: em conjunto com uma composio complexa e uma histria de formao estelar agitada, este facto sugere que o sistema possa ser um resto sobrevivente de uma galxia an desfeita, que colidiu e consequentemente se fundiu com a Via Lctea durante a sua fase inicial, contribuindo assim para a formao do bojo galctico.
    "Esta pode ser a primeira de uma srie de descobertas que permitiro compreender a origem dos bojos nas galxias, algo que ainda frequentemente debatido," conclui Ferraro. "Vrios sistemas similares podem esconder-se por detrs da poeira do bojo: nestes objectos que a histria de formao da nossa Via Lctea est escrita."


    MEDIDO O PRIMEIRO EXOPLANETA TEMPERADO

    Combinando observaes do satlite CoRoT e do instrumento HARPS do ESO, os astrnomos descobriram o primeiro exoplaneta "normal" que pode ser estudado em grande pormenor. Conhecido pelo nome de Corot-9b, o planeta passa regularmente em frente a uma estrela semelhante ao Sol, situada a cerca de 1500 anos-luz de distncia, na direco da constelao da Serpente.

    "Este um exoplaneta normal, temperado, tal como dzias doutros j nossos conhecidos. No entanto, este o primeiro para o qual podemos estudar as suas propriedades em grande detalhe," diz Claire Moutou, que faz parte da equipa internacional de 60 astrnomos, que fez a descoberta. "Tornar-se-, muito provavelmente, na pedra de Rosetta da investigao exoplanetria."

    "Corot-9b o primeiro exoplaneta que se parece realmente com os planetas do nosso sistema solar," acrescenta Hans Deeg, autor principal do trabalho. "Tem o tamanho de Jpiter e uma rbita similar de Mercrio."

    "Tal como os nossos planetas gigantes, Jpiter e Saturno, o exoplaneta principalmente constitudo por hidrognio e hlio," diz Tristan Guillot, membro da equipa, "e pode conter at cerca de 20 massas terrestres de outros elementos, incluindo gua e rochas a altas presses e temperaturas."

    Corot-9b passa em frente sua estrela hospedeira a cada 95 dias, visto a partir da Terra. Este "trnsito" dura cerca de 8 horas, e fornece aos astrnomos muitas informaes adicionais acerca do planeta. Este facto , na realidade, um acaso feliz j que o gigante gasoso partilha muitas das caractersticas dos exoplanetas descobertos at agora.

    "A nossa anlise forneceu mais informao sobre Corot-9b do que sobre outros exoplanetas do mesmo tipo," diz o co-autor Didier Queloz. "Muito provavelmente, abrir um novo campo de investigao sobre as atmosferas de planetas com temperaturas baixas e moderadas. Em particular, abrir uma janela completamente nova sobre a nossa compreenso da qumica das baixas temperaturas."

    Mais de 400 exoplanetas foram descobertos at agora, 70 dos quais pelo mtodo de trnsito. Corot-9b especial no sentido em que a distncia estrela hospedeira cerca de dez vezes maior do que esta mesma distncia para qualquer dos planetas descobertos pelo mesmo mtodo. E, contrariamente a esses exoplanetas, o planeta tem um clima temperado. A temperatura da sua superfcie gasosa parece situar-se entre 160 e -20 Celsius, com variaes mnimas entre o dia e a noite. O valor exacto depende da possvel presena de uma camada de nuvens altamente reflectoras.

    O satlite CoRoT, operado pela agncia espacial francesa CNES, identificou o planeta depois de 145 dias de observaes, durante o Vero de 2008. Observaes feitas pelo muito bem sucedido caador de exoplanetas do ESO - o instrumento HARPS montado no telescpio de 3.6 metros em La Silla, Chile - permitiram aos astrnomos calcular a sua massa, confirmando assim que Corot-9b realmente um exoplaneta, com uma massa de cerca de 80% da massa de Jpiter.

    Esta descoberta foi publicada na edio de ontem da revista Nature.


    DISCOS PROTOPLANETRIOS NA NEBULOSA DE ORIONTE

    Uma coleco de 30 imagens, nunca-antes-vistas, de sistemas planetrios embrinicos na Nebulosa de Orionte, so o ponto alto do projecto mais longo do Hubble j dedicado ao tpico da formao estelar e planetria. Tambm conhecidos como discos protoplanetrios, estes modestos "borres" rodeiam estrelas bebs e ajudam os astrnomos a perceber o mecanismo por trs da formao planetria. Apenas o Telescpio Hubble da NASA/ESA, com a sua altssima resoluo e sensibilidade, capaz de obter imagens to detalhadas de discos circunstelares em comprimentos de onda visveis.
    Parecida com uma graciosa aquarela, a Nebulosa de Orionte um dos objectos mais fotognicos do cu e um dos alvos favoritos do Hubble. medida que estrelas recm-nascidas surgem da mistura de gs e poeira da nebulosa, discos protoplanetrios, tambm conhecidos como "proplyds", formam-se em seu redor: o centro do disco em rotao aquece e torna-se numa nova estrela, mas os restos de material sua volta atraem poeira e agregam-se. Pensa-se que os proplyds sejam jovens sistemas planetrios em formao. Num ambicioso estudo da famosa nebulosa, usando a cmara ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble, os cientistas descobriram 42 discos protoplanetrios.
    Visvel a olho nu, a Nebulosa de Orionte conhecida desde a Antiguidade, mas foi descrita pela primeira vez s em meados do sculo XVII pelo astrnomo francs Nicolas-Claude Fabri de Peiresc - que detm o crdito da sua descoberta. A 1500 anos-luz de distncia, a nebulosa, tambm conhecida como M42, a regio de formao estelar mais prxima da Terra, e contm estrelas massivas o suficiente para aquecer o gs em redor, inflamando-o de cor, e fazendo com que a regio sobressaia no cu.
    Nos contornos gasosos de Orionte, os investigadores identificaram dois tipos diferentes de discos em torno de estrelas jovens e em formao: aqueles que se situam perto da estrela mais brilhante do enxame (Theta 1 Orionic C) e aqueles mais distantes. Esta brilhante estrela aquece o gs dos discos vizinhos, fazendo com que brilhem significativamente. Os discos mais longnquos no recebem radiao energtica suficiente da estrela para aquecer o gs e por isso podem apenas ser detectados como silhuetas escuras contra o pano de fundo da brilhante nebulosa, pois a poeira que os rodeia absorve luz visvel. Ao estudar este discos em silhueta, os astrnomos so capazes de melhor caracterizar as propriedades dos gros de poeira, que se pensa unirem e possivelmente formarem planetas como o nosso.
    Os discos mais brilhantes so indicados por uma extremidade brilhante no material excitado na direco da estrela brilhante, mas que ns vemos numa orientao aleatria dentro da nebulosa, alguns de lado e outros de cima, por exemplo. Outras caractersticas interessantes realam a aparncia destes objectos cativantes, tais como jactos de matria e ondas de choque. As dramticas ondas de choque formam-se quando o vento estelar da massiva estrela vizinha colide com o gs na nebulosa, esculpindo "boomerangs", flechas, e at no caso de 181-825, uma medusa espacial!
    A observao de proplyds no visvel extremamente rara, mas a alta resoluo e sensibilidade do Hubble, em conjunto com a proximidade de M42, permite a captura de imagens detalhadas destes potenciais sistemas planetrios.
    Este atlas de discos protoplanetrios o primeiro resultado cientfico do Programa de Tesouro do Hubble, em relao Nebulosa de Orionte. Estes programas so feitos para permitir aos cientistas estudos compreensivos ao longo de grandes perodos de tempo, dado que este recurso, altamente valioso no Hubble, rigorosamente repartido. As imagens em alta-resoluo de discos protoplanetrios servem como o exemplo de uma descoberta cientfica que levou ao desenvolvimento de melhores tecnologias e um dos estudos cientficos principais do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), um dos maiores projectos de astronomia terrestre da prxima dcada. O ALMA ir observar a poeira em maiores comprimentos de onda, em emisso (em vez de absoro como vemos no visvel) e com uma resoluo angular 10 vezes melhor que a do Hubble.


    MAIS AVALANCHES EM MARTE

    Em 2008, a cmara HiRISE a bordo da sonda Mars Reconnaissance Orbiter estava a estudar uma certa regio de Marte em busca de variaes nos padres de geada medida que a Primavera progredia, e capturou uma avalanche em aco. Este ano, a equipa da HiRISE tem estado alerta, pronta para capturar mais avalanches no hemisfrio norte de Marte.

    Pois bem, a sua busca foi bem sucedida! Esta espectacular imagem foi capturada a 27 de Janeiro de 2010, mostra um ngreme desfiladeiro na regio polar norte de Marte, e pelo menos trs nuvens isoladas de partculas cando pelo desfiladeiro. A equipa diz que estas nuvens, rolando ou pairando perto do cho, provavelmente alcanaram dezenas de metros em altura.

    As avalanches so o resultado de geada de dixido de carbono que se agarra s escarpas na escurido do Inverno, e quando a luz solar a chega na Primavera, liberta a geada e cai. O desfiladeiro, com aproximadamente 700 metros de altura, composto porAqui est outra avalanche capturada a 12 de Janeiro de 2010. A equipa da HiRISE afirma que ao observar todas estas avalanches individuais, est a juntar um mosaico de acontecimentos deste processo, desde o comeo (material que cai pelo desiladeiro) at ao fim (vagarosas nuvens de poeira).

    Com base nas observaes deste ano, estes eventos acontecem sobretudo no meio da Primavera, mais ou menos o equivalente a Abril ou princpios de Maio c na Terra. Ao que parece, este um processo primaveril normal para o plo norte de Marte e pode ser esperado todos os anos - a estao das avalanches! Estas informaes, em conjunto com os resultados dos modelos de comportamento dos materiais envolvidos, vo ajudar-nos a saber mais sobre estes dramticos eventos. vrias camadas de gua gelada com contedos diversos de poeira, mais ou menos semelhante s calotes polares na Terra.



    NOVAS DESCOBERTAS PLANETRIAS SUGEREM QUE PLANETAS DE BAIXA-MASSA SO COMUNS EM ESTRELAS VIZINHAS

    Uma equipa internacional de caadores de planetas descobriu seis planetas de baixa-massa em torno de duas vizinhas estrelas tipo-Sol, inclundo duas "super-Terras" com 5 e 7,5 vezes a massa da Terra. Os investigadores, liderados por Steven Vogt da Universidade da Califrnia, em Santa Cruz, EUA, e Paul Butler do Instituto Carnegie em Washington, afirmam que as duas "super-Terras" so as primeiras descobertas em torno de estrelas tipo-Sol.
    "Estas descobertas indicam que os planetas de baixa-massa so bastante comuns em torno de estrelas prximas. A descoberta de mundos vizinhos potencialmente habitveis pode estar a meros anos," disse Vogt, professor de Astronomia e Astrofsica na Universidade da Califrnia.
    A equipa descobriu os novos sistemas planetrios atravs da combinao de dados recolhidos pelo Observatrio Keck no Hawaii e pelo Telescpio Anglo-Australiano em Nova Gales do Sul, Austrlia. Dois artigos cientficos descrevendo os planetas foram aceites para publicao no Astrophysical Journal.
    Trs dos novos planetas orbitam a brilhante estrela 61 Virginis, que pode ser observada vista desarmada sob cus escuros, na constelao primaveril de Virgem. Os astrnomos e astrobilogos h muito que se sentiam fascinados por esta estrela em particular, que est a apenas 28 anos-luz de distncia. Entre as centenas de vizinhos estelares, 61 Vir sobressai como sendo a mais parecida com o Sol em termos de idade, massa e outras propriedades essenciais. Vogt e seus colaboradores descobriram que 61 Vir contm pelo menos trs planetas, com massas que variam entre as 5 e as 25 massas da Terra.
    Recentemente, uma outra equipa de astrnomos usou o Telescpio Espacial Spitzer da NASA para descobrir que 61 Vir tambm contm um espesso anel de poeira a uma distncia aproximadamente duas vezes a distncia entre Pluto e o Sol. A poeira aparentemente criada por colises de corpos cometrios nas frias e longnquas regies do sistema.
    "A deteco de poeira fria pelo Spitzer, em rbita de 61 Vir, indica a existncia de uma afinidade real entre o Sol e 61 Vir," afirma Eugenio Rivera, investigador psdoutoral da Universidade da Califrnia. Rivera estudou um grande conjunto de simulaes numricas para descobrir que um mundo tipo-Terra, habitvel, poderia facilmente existir na regio ainda inexplorada entre os planetas recm-descobertos e o disco exterior de poeira.
    De acordo com Vogt, o sistema planetrio 61 Vir um excelente candidato para o estudo do novo Telecpio APF (Automated Planet Finder), recentemente construdo no Observatrio Lick em Mount Hamilton. "Escusado ser dizer, estamos muito excitados por continuar a estudar este sistema com o APF," acrescenta Vogt, investigador principal para o APF, que est tambm a construr um espectmetro para o novo telescpio, optimizado para a descoberta de planetas.
    O segundo sistema recm-descoberto pela equipa contm um planeta com 7,5 vezes a massa da Terra, em rbita de HD 1461, outro gmeo quase perfeito do Sol localizado a 76 anos-luz de distncia. Pelo menos um e outros dois possveis candidatos orbitam a estrela. Situada na constelao de Baleia, HD 1461 pode ser tambm oservada a olho nu sob condies escuras.
    Este planeta, denominado HD 1461b, tem uma massa quase intermdia entre a Terra e Urano. Os investigadores dizem que no conseguem ainda determinar se HD 1461b uma verso ampliada da Terra, composta na sua maioria por rocha e ferro, ou se tal como Urano e Neptuno, composto sobretudo por gua.
    Butler diz que as novas deteces requerem instrumentos e tcnicas topo-de-gama. "O planeta mais interior de 61 Vir est entre os dois ou trs sinais planetrios de menor amplitude, j identificados com nveis de confiana. Descobrimos que existe uma enorme vantagem em combinar dados do AAT e dos telescpios Keck, dois observatrios de classe mundial, e est claro que teremos uma excelente hiptese para identificar planetas potencialmente habitveis em torno das estrelas mais prximas em apenas poucos anos."
    As descobertas em 61 Vir e HD 1461 fazem parte de uma grande quantidade de descobertas recentes, que alteraram o pensamento convencional acerca da deteco planetria. No ltimo ano, tornou-se evidente que planetas em rbita de vizinhos do Sol so extremamente comuns. De acordo com Butler, as indicaes actuais dizem que metade das estrelas mais prximas tm um planeta detectvel com massa igual ou menor de Neptuno.
    A equipa de estudo liderada por Vogt e Butler fez medies da velocidade radial com telescpios terrestres para detectar a "oscilao" induzida numa estrela pela fora gravitacional de um planeta em rbita. As observaes foram complementadas com medies precisas do brilho obtidas com telescpios robticos no Arizona, por Gregory Henry da Universidade Estatal do Tennessee.
    "No vemos qualquer variabilidade no brilho das estrelas," afirma Henry. "Isto assegura-nos que as oscilaes so realmente devidas a planetas e no a padres alternantes, como manchas estelares."
    De acordo com Gregory Laughlin, professor de astronomia e astrofsica da Universidade da Califrnia, graas ao melhoramento do equipamento e das tcnicas de observao, estes mtodos terrestres so agora capazes de descobrir objectos de massa terrestre em estrelas prximas do Sol.
    "Estamos agora numa corrida renhida, no que respeita aos primeiros planetas potencialmente habitveis serem descobertos no cho ou no espao," afirma Laughlin. "H alguns anos, tinha colocado o meu dinheiro nos mtodos de deteco espacial, mas agora parece que h uma incerteza. O que verdadeiramente excitante acerca do mtodo de velocidade radial terrestre que capaz de localizar os planetas potencialmente habitveis mais prximos."


    ASTRNOMOS ENCONTRAM MUNDO COM ATMOSFERA DENSA, INSPITA E COM CORAO GELADO

    Os astrnomos descobriram um segundo exoplaneta do tipo super-Terra, para o qual determinaram a massa e o raio, o que forneceu pistas vitais sobre a sua estrutura. igualmente a primeira super-Terra onde foi encontrada uma atmosfera. O exoplaneta, que orbita uma pequena estrela a cerca de 40 anos-luz de distncia, abre novas perspectivas na procura de mundos habitveis. O planeta, GJ1214b, tem uma massa de cerca de seis vezes a massa terrestre e o seu interior provavelmente constitudo por gelo de gua. A sua superfcie parece ser relativamente quente e o planeta encontra-se envolvido por uma atmosfera densa, o que o torna inspito para albergar formas de vida tais como as que conhecemos sobre a Terra.
    No nmero desta semana da revista Nature, uma equipa de astrnomos anuncia a descoberta de um planeta em torno da estrela prxima de pequena massa GJ1214. a segunda vez que uma super-Terra em trnsito detectada, depois da recente descoberta do planeta Corot-7b. Um trnsito ocorre quando a rbita do planeta est alinhada da tal maneira que o vemos atravessar a face da sua estrela-me. O recentemente descoberto planeta tem uma massa de cerca de seis vezes a massa da nossa casa terrestre e 2.7 vezes o seu raio, ficando em termos de tamanho entre a Terra e os gigantes gelados do Sistema Solar, Urano e Neptuno.
    Embora a massa de GJ1214b seja similar do Corot-7b, o seu raio muito maior, o que sugere que a composio dos dois planetas seja muito diferente. Enquanto que Corot-7b tem provavelmente um ncleo rochoso e poder estar coberto de lava, os astrnomos pensam que trs quartos do GJ1214b seja composto por gelo de gua, sendo o restante constitudo por silcio e ferro.
    GJ1214b orbita a sua estrela em cerca de 38 horas a uma distncia de apenas dois milhes de quilmetros - 70 vezes mais prximo da sua estrela do que a Terra est do Sol. "Estando to perto da estrela hospedeira, o planeta deve ter uma temperatura superfcie de cerca de 200 Celsius, quente demais para que a gua se encontre no estado lquido," diz David Charbonneau, autor principal do artigo que apresenta esta descoberta.
    Quando os astrnomos compararam o raio medido de GJ1214b com modelos tericos de planetas, descobriram que o raio observado excede a predio dos modelos: existe algo mais do que a superfcie slida do planeta a bloquear a luz da estrela - uma atmosfera circundante, com 200 km de espessura. "Esta atmosfera muito mais espessa do que a da Terra, por isso a alta presso e a ausncia de luz excluem a possibilidade de vida, tal como a conhecemos," diz Charbonneau, "mas estas condies so igualmente interessantes, uma vez que podem originar uma qumica bastante complexa."
    "Uma vez que o planeta quente demais para manter uma atmosfera durante muito tempo, GJ1214b d-nos a primeira oportunidade de estudar uma atmosfera recentemente formada, envolvendo um planeta que orbita outra estrela," acrescenta o membro da equipa Xavier Bonfils. "Como o planeta se encontra bastante prximo de ns, ser possvel estudar a sua atmosfera mesmo com as infraestruturas de que dispomos actualmente."
    O planeta foi descoberto inicialmente como um objecto em trnsito, no seio do projecto MEarth, que segue cerca de 2000 estrelas de pequena massa no sentido de procurar trnsitos de exoplanetas. Para confirmar a natureza planetria de GJ1214b e obter a sua massa (utilizando o chamado efeito Doppler), os astrnomos necessitaram de toda a preciso do espectrgrafo HARPS, montado no telescpio de 3,6 metros do ESO em La Silla. Sendo um instrumento com uma estabilidade sem precedentes e uma grande preciso, o HARPS o mais bem sucedido descobridor de pequenos exoplanetas de todo o mundo.
    "Esta a segunda super-Terra para a qual a massa e o raio foram calculados, permitindo assim determinar a densidade e da inferir sobre a sua estrutura interna," acrescenta o co-autor Stephane Udry. "Em ambos os casos, os dados do HARPS foram essenciais para caracterizar o planeta."
    "As diferenas em composio entre estes dois planetas so relevantes na procura de mundos habitveis," conclui Charbonneau. Se os planetas super-Terra esto, em geral, envolvidos por uma atmosfera similar de GJ1214b, poder bem acontecer que sejam inspitos ao desenvolvimento da vida, tal como a conhecemos sobre o nosso prprio planeta.


    HERSCHEL ENCONTRA UM BURACO NO ESPAO

    O telescpio espacial infravermelho da ESA, Herschel, fez uma descoberta inesperada: um buraco no espao. O buraco deu aos astrnomos um surpreendente vislumbre do final do processo de formao de estrelas.

    As estrelas nascem em nuvens densas de p e gs que podem ser estudadas com detalhe graas ao Herschel. Apesar de j terem sido vistos jactos e ventos de gs vindos de estrelas novas, foi sempre um mistrio a forma exacta como uma estrela usa isso para afastar o envolvente e emergir das sua nuvem de nascimento. Agora, pela primeira vez, o Herschel pode estar a observar um passo inesperado neste processo.

    Uma nuvem de gs brilhante e a reflectir, conhecida como NGC 1999, est ao lado de uma parte preta do cu. Durante grande parte do sculo XX, estas manchas negras foram conhecidas como nuvens densas de gs e poeira que bloqueiam a passagem da luz.

    Quando o Herschel foi apontado nesta direco para estudar as estrelas novas vizinhas, a nuvem continuou a parecer preta. Mas isto no devia acontecer. Os olhos infravermelhos do Herschel foram desenhados para ver por dentro das nuvens. Ou a nuvem era muito densa ou ento alguma coisa estava errada.

    Investigando mais ainda, usando telescpios terrestres, os astrnomos depararam-se com o mesmo, mas pensaram: esta mancha parece preta no por ser um denso amontoado de gs mas porque est verdadeiramente vazia. Alguma coisa fez uma buraco na nuvem. Nunca tinha sido visto um buraco destes, diz Tom Megeath, da Universidade de Toledo, Estados Unidos. to surpreendente como sabermos que temos buracos de minhocas no jardim e descobrir numa manh que estes se transformaram num gigantesco buraco.

    Os astrnomos pensam que o buraco deve ter-se aberto quando os jactos de gs de algumas das estrelas jovens na regio furaram o lenol de p e gs que formam NGC 1999. A radiao poderosa de uma estrela madura vizinha pode tambm ter ajudado a limpar o buraco. Qualquer que seja a cadeia precisa de eventos, pode ser um importante vislumbre acerca da forma como as estrelas recm-nascidas dispersam as suas nuvens de nascimento.


    HUBBLE DESCOBRE MAIS PEQUENO KBO CONHECIDO

    O Telescpio Espacial Hubble da NASA descobriu o mais pequeno objecto visvel na Cintura de Kuiper, um vasto anel de detritos gelados que rodeia o exterior do Sistema Solar para l de Neptuno.
    O objecto, tal como uma agulha num palheiro, descoberto pelo Hubble, mede apenas 975 metros e est a 6,7 mil milhes de quilmetros. O KBO (Objecto da Cintura de Kuiper) mais pequeno anteriormente observado no visvel, media 48 km, ou quase 50 vezes mais.
    Esta a primeira prova observacional de uma populao de corpos com o tamanho de cometas na Cintura de Kuiper, dilacerados atravs de colises. A Cintura de Kuiper est por isso em contnua evoluo, o que significa que o contedo gelado da regio tem sido modificado ao longo dos ltimos 4,5 mil milhes de anos.
    O objecto detectado pelo Hubble extremamente tnue - magnitude 35 -, 100 vezes mais que a sua capacidade de observao directa.
    Ento como que o telescpio espacial descobriu um corpo to pequeno?
    Num artigo publicado na edio de 17 de Dezembro da revista Nature, Hilke Schlichting do Instituto de Tecnologia da Califrnia em Pasadena, Califrnia, EUA, e seus colaboradores, anunciam que a tantalizante assinatura do pequeno vagabundo foi extrada dos dados de calibrao do Hubble, e no por observao directa.
    O Hubble tem trs instrumentos pticos com a sigla FGS (Fine Guidance Sensors). Os FGSs providenciam informaes navigacionais de alta-preciso para os sistemas de controlo do observatrio espacial atravs da observao de estrelas-guia para calibrao. Os sensores exploram a natureza ondulatria da luz para fazer medies precisas da localizao das estrelas.
    Schlichting e seus investigadores determinaram que os instrumentos FGS so to bons que podem observar os efeitos de um pequeno objecto passando em frente da estrela. Isto provoca uma breve assinatura de ocultao e difrao nos dados FGS medida que a luz da estrela-guia de fundo distorcida em torno do KBO sua frente.
    Eles seleccionaram 4 anos e meio de observaes dos FGS para anlise. O Hubble passou j um total de 12.000 horas durante este perodo, a observar uma faixa do cu at 20 graus do plano da eclptica do Sistema Solar, onde habita a maioria dos KBOs. A equipa analisou as observaes dos FGS, num total de 50.000 estrelas-guia.
    Ao vasculhar pela gigantesca base de dados, Schlichting e a sua equipa descobriram um nico evento de ocultao que durou 0,3 segundos. Isto foi apenas possvel porque a amostra dos instrumentos FGS muda 40 vezes por segundo. A ocultao foi de curta durao devido em grande parte ao movimento orbital da Terra em torno do Sol.
    A equipa assumiu que o KBO se encontrava numa rbita circular e inclinado 14 graus em relao eclptica. A distncia do KBO foi estimada a partir da durao da ocultao, e a quantidade de atenuamento de luz da estrela-guia foi usada para calcular o tamanho do objecto. "Fiquei muito surpresa ao descobri-lo nos dados," afirma Schlichting.
    As observaes do Hubble, de estrelas vizinhas, mostra que um determinado nmero delas tem discos tipo-Cintura de Kuiper em seu redor. Estes discos so os restos da formao planetria. A previso que ao longo de milhares de milhes de anos, os detritos colidem, despedaando os objectos tipo-KBO em objectos mais pequenos, que no faziam parte da populao original da Cintura de Kuiper.
    A descoberta uma poderosa ilustrao da capacidade dos dados arquivados do Hubble em produzir importantes novas descobertas. Num esforo de revelar outros KBOs pequenos, a equipa planeia alagar o seu estudo aos restantes dados dos FGS, para a quase totalidade da durao das operaes do Hubble, desde o seu lanamento em 1990.


    NOVA TEORIA PODE EXPLICAR SUPERROTAO DE VNUS

    Um dos mistrios do nosso Sistema Solar a superrotao, um fenmeno conhecido desde os finais dos anos 60, no qual os ventos de Vnus sopram mais depressa que a velocidade de rotao do planeta. Os cientistas propuseram j vrias teorias, mas nenhuma foi completamente satisfatria. Agora cientistas do Mxico sugeriram, pela primeira vez, um mecanismo vivel pelo qual um vento ainda mais rpido, por cima do planeta, alimenta a superrotao.

    Uma rotao completa do planeta Vnus demora 243 dias terrestres, mas a atmosfera, viajando a velocidades de aproximadamente 200 m/s, demora apenas quatro dias terrestres a completar uma volta. O outro nico local no Sistema Solar onde a superrotao atmosfrica comum na lua de Saturno, Tit.

    Cientistas da Universidade Nacional Autnoma do Mxico, liderados por Hctor Javier Durand-Manterola, tm estudado as velocidades supersnicas dos ventos na ionosfera entre 150 e 800 km por cima da superfcie. Os ventos, conhecidos como o fluxo "transterminador", viajam a vrios quilmetros por segundo. Foram descobertos nos anos 80 pela sonda americana Pioneer Venus e pensa-se que sejam alimentados pela interaco com o vento solar.

    Durand-Manterola e a sua equipa propem que o fluxo transterminador na criosfera possa transferir momento de fluxo para a atmosfera por baixo na forma de ondas de presso medida que se dissipam. Propem que a interaco do lado nocturno entre o fluxo no lado do amanhecer e o fluxo do lado do anoitecer gera ondas porque fluem a velocidades diferentes, sendo o lado do anoitecer muito mais rpido.

    As ondas viajam desde a ionosfera, atravs da termosfera e mesosfera at troposfera depositando a maioria do momento e dissipando-se na camada de nuvens, movendo a atmosfera numa direco retrgrada e alimentando a superrotao.

    A equipa calculou o fluxo energtico que transporta o fluxo transterminador e comparou com a energia calculada perdida pela viscosidade da atmosfera. Estes clculos mostram que existe energia suficiente no fluxo transterminador para contrariar a viscosidade e alimentar a superrotao. Depois calcularam a amplitude que as ondas precisariam de ter para induzir a superrotao e descobriram que a amplitude necessria produziria 84 dB no lado nocturno, o suficiente para manter um "rugido" nas nuvens do lado nocturno - semelhante a uma orquestra tocando em "fortissimo".

    Os investigadores testaram as suas teorias de transferncia energtica numa experincia usando gua. Dirigiram um jacto de gua para um lado de uma camada de poliestireno a partir de uma altura de 0,2 m, o que criou um fluxo que irradiava para fora a 2 m/s. Depois, dirigiram um segundo jacto de gua para o outro lado da camada, desta vez a 0,02m, e isto criou um fluxo radial de 0,63 m/s. Ocorreu turbulncia na rea onde os dois fluxos interagiam e foram observadas ondas superficiais que se moviam do fluxo mais rpido para o fluxo mais lento, o que demonstrou que nesta analogia o momento das ondas viaja na direco prevista.

    O satlite meteorolgico Akatsuki, que foi lanado pelo Japo a semana passada, dever chegar a Vnus em Dezembro e poder esclarecer um pouco mais estas questes.


    NATAL E NEVE: OS LUGARES MAIS FRIOS DO SISTEMA SOLAR

    A cada vez mais pequena calote polar em torno do plo norte da Terra pode muito bem ser o territrio do Pai Natal, mas existem muitos outros territrios frios no Sistema Solar onde ele pode viver. Aqui ficam alguns dos locais mais frios do Sistema Solar.
    Marte
    Se o Pai Natal est procura de outra zona com neve para a oficina onde constri os presentes, as regies polares norte de Marte oferecem uma opo do outro mundo. O ano passado, a sonda Phoenix da NASA observou neve a car na regio Vastitas Borealis, onde aterrou a 25 Maio de 2008, para escavar a superfcie em busca de gua gelada. As trincheiras escavadas pela sonda revelaram gelo subsuperficial, providenciando mais informaes acerca da histria da gua no Planeta Vermelho. Alm da queda de neve, a Phoenix observou a formao de geada na superfcie marciana, medida que o Inverno comeava no hemisfrio norte - pensa-se que a Phoenix ficou coberta de gelo e de geada, desde que a NASA perdeu contacto com ela em Novembro de 2008.
    Tit
    Pensa-se que lagos de metano e etano lquido polvilhem a paisagem desta lua saturniana, num ambiente mais frio que o da Antrctica. Mas apesar do seu estado mais frio, o vento, as chuvas e os processos tectnicos em Tit, segundo os cientistas, tornam-no numa das analogias mais parecidas com a Terra, no Sistema Solar. Embora a temperatura mdia superfcie do satlite, -180 C, mantenha a gua gelada, o metano e etano existem no estado lquido e podem oferecer um porto de abrigo para a vida.
    Encelado
    Em vez de precipitao superfcie, a gelada lua de Saturno tem geysers de vapor de gua que entram em erupo sua superfcie - um processo denominado criovulcanismo. Decorre actualmente um aceso debate acerca da composio exacta do planeta e das plumas expelidas da sua superfcie. H quem afirme que a lua contm uma camada superficial gelada por cima de uma regio de gua lquida, enquanto outros dizem que um corpo gelado, composto por gelo e rocha.
    Europa
    A lua de Jpiter, Europa, tambm um mundo gelado, que se pensa ter uma camada superficial de gua gelada (a uma temperatura de -184 C), com um possvel oceano de gua lquida por baixo. A sua superfcie gelada adequada para a patinagem no gelo, pois um dos locais mais lisos do Sistema Solar, marcado por algumas falhas e riscas, mas com relativamente poucas crateras. Mas apesar da sua crosta gelada e das suas frias temperaturas superficiais, alguns cientistas pensam que o calor do dnamo interior da lua e dos efeitos de mars de Jpiter possam manter o oceano quente o suficiente para suportar vida.
    Cometas
    Se o tren no for suficiente, o Pai Natal pode sempre vir boleia num cometa. Estes corpos do Sistema Solar podem no parecer frios medida que viajam periodicamente pelo cu, mas so na realidade coleces de poeira, gua gelada e bocados de rocha. Estas "bolas de neve sujas", como so por vezes denominadas, so oriundas dos limites mais longnquos do Sistema Solar - a Cintura de Kuiper e a Nuvem de Oort. Desenvolvem as suas tantalizantes caudas quando a sua rbita os aproxima do Sol e os materiais volteis se vaporizam graas radiao solar - mas no Sistema Solar exterior, os cometas permanecem aglomerados de material gelado, restcios da formao do Sistema Solar.
    Urano
    O stimo planeta a contar do Sol e um dos quatro gigantes gasosos do Sistema Solar, Urano por vezes colocado numa categoria denominada de "gigantes gelados," bem como o seu vizinho Neptuno. A atmosfera de Urano - composta por hidrognio, hlio, gua, gelo de amnia e metano - a mais fria de todas as atmosferas do Sistema Solar, com uma temperatura mnima de -224 C.
    Pluto
    No incio deste ano, os cientistas determinaram que a atmosfera de Pluto mais quente do que se pensava, "quente" sendo um termo relativo. O "ar" por cima da superfcie do planeta ano mede ainda -180 C, enquanto a sua superfcie -220 C. Desde a sua demoo como planeta principal em 2006, que Pluto est agrupado numa classe de corpos conhecidos como Objectos da Cintura de Kuiper (KBO), que se encontram at uma distncia 100 vezes maior que a distncia entre a Terra e o Sol.
    O prprio espao
    Embora todos estes mundos acima sejam muito mais frios que qualquer local na Terra, um dos locais mais frios do espao ele prprio. A radiao csmica de fundo que permeia o Universo (restcio terico do Big Bang) tem uma temperatura de -270 C. melhor o Pai Natal instalar um aquecedor no seu tren.
    O Telescpio Planck
    O lugar mais frio do Sistema Solar no um cometa, nem o prprio espao, mas algo feito pelo Homem: o telescpio Planck da ESA. J perto da sua posio orbital final - onde ir observar a radiao csmica de fundo - o telescpio est a ser arrefecido at uma temperatura operacional de -273,05 C. Esta temperatura apenas 0,1 C acima do zero absoluto, a temperatura teoricamente mais fria, possvel no nosso Universo.
    Crateras polares na Lua
    Paradoxalmente, o lugar (natural) mais frio do Sistema Solar no um objecto distante na Cintura de Kuiper. Ao invs, fica muito mais perto do Sol. Em Setembro, a Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA registou a temperatura das crateras permanentemente sombra no plo sul da Lua (onde a sua companheira LCROSS descobriu depsitos de gua gelada aps colidir numa destas crateras em Outubro). Os instrumentos da LRO descobriram que as crateras tinham uma temperatura de -238 - mais frias, at, que a superfcie de Pluto. Pai Natal, melhor levar consigo uns cobertores!


    NASA ABANDONA TENTATIVAS DE FUGA PARA ROVER MARCIANO PRESO

    Aps seis anos de explorao sem precedentes no Planeta Vermelho, o rover Spirit da NASA deixa de ser um robot mvel. A NASA designou o explorador cientfico como uma plataforma cientfica esttica depois de esforos infrutferos, durante os ltimos meses, para o libertar de uma armadilha de areia.
    A tarefa principal do robot venervel durante as prximas semanas ser a de colocar-se num ngulo apropriado para combater o severo inverno marciano. Se o Spirit sobreviver, continuar a recolher dados cientficos a partir da sua localizao final. A misso do Spirit poder continuar durante vrios meses ou anos.
    "O Spirit no est morto; apenas entrou noutra fase da sua longa vida," disse Doug McCuistion, director do Programa de Explorao de Marte na sede da NASA em Washington. "Dissmos o ano passado ao mundo que as tentativas de libertar o adorado robot poderiam no ter sucesso. Parece que a localizao actual do Spirit em Marte ser tambm o seu local de repouso final."
    H dez meses atrs, medida que o Spirit viajava para sul ao longo do limite Oeste de uma plancie denominada Home Plate, as suas rodas partiram uma superfcie quebradia que revelou areia macia por baixo.
    O Spirit cau nesta armadilha, e a equipa do rover desenhou planos para tentar libertar o veculo de seis rodas usando as cinco rodas que ainda funcionavam - a sexta deixou de funcionar em 2006, limitando a mobilidade do Spirit. Os planos incluam experincias com um rover de testes numa caixa de areia no JPL da NASA em Pasadena, Califrnia, anlises, modelos e estudos. Em Novembro, outra roda deixou de funcionar, o que tornou esta situao, j de si complicada, ainda pior.
    As tentativas de deslocao mais recentes foram as que tiveram melhores resultados desde que o Spirit ficou preso. No entanto, o Inverno que se aproxima comanda uma mudana na estratgia. Outono no lar do Spirit em Marte. O Inverno vai comear em Maio. A energia solar disponvel est a diminuir e ser insuficiente para fazer mover o rover em meados de Fevereiro. A equipa do rover planeia usar os movimentos potenciais que restam para melhorar a inclinao do veculo. O Spirit actualmente est inclinado para Sul. O Sol de Inverno fica no cu a Norte, por isso a diminuio da inclinao a Sul aumentaria a quantidade de luz solar nos painis solares do rover.
    "Precisamos de levantar a parte de trs do rover, ou o seu lado esquerdo, ou ambos," afirma Ashley Stroupe, condutora do rover no JPL. "Levantar as rodas traseiras ao andar para trs numa subida j ajuda. Se necessrio, podemos tentar baixar a parte direita da frente do rover baixando a roda direita dianteira, escavando com ela um buraco."
    No seu ngulo actual, o Spirit provavelmente no ter energia suficiente para continuar a comunicar com a Terra durante o Inverno marciano. Mesmo uns poucos graus de melhoramento na inclinao fazem j a diferena para permitir a comunicao a cada alguns dias."
    "A sobrevivncia do Spirit durante o Inverno depender da temperatura e de quo frios estaro os componentes electrnicos do veculo," disse John Callas, gestor do projecto Spirit no JPL e do seu rover gmeo, Opportunity. "Cada pequena quantidade de energia produzida pelos painis solares do Spirit ser utilizada para aquecer os componentes principais do rover, quer seja atravs da sua utilizao ou do uso de aquecedores essenciais."
    Mesmo num estado estacionrio, o Spirit vai continuar a fazer pesquisas cientficas.
    "Existe um tipo de cincia que s podemos fazer com um veculo estacionrio, e que tivmos que adiar durante os anos de mobilidade," disse Steve Squyres, investigador da Universidade de Cornell e investigador principal do Spirit e Opportunity. "A mobilidade reduzida no implica necessariamente o fim abrupto da misso. Ao invs, permite-nos mudar para cincia estacionria."
    Uma destas experincias estacionrias implica o estudo de pequenas oscilaes na rotao de Marte, para melhor compreender o ncleo do planeta. Esta experincia requer meses de seguimento, via rdio, do movimento de um ponto superfcie de Marte para calcular o movimento a longo-prazo com uma preciso de apenas alguns centmetros.
    "Se a misso cientfica final do Spirit for a determinao do estado do ncleo de Marte (slido ou lquido), ento isso seria maravilhoso -- muito diferente de qualquer outro conhecimento que obtivmos do Spirit," afirma Squyres.
    As ferramentas no brao robtico do Spirit podem estudar as variaes na composio do solo vizinho, que foi afectado por gua. A cincia estacionria tambm inclui a observao de como os ventos movem as partculas do solo e a monitorizao da atmosfera marciana.
    O Spirit e o Opportunity aterraram em Marte em Janeiro de 2004. Exploram o nosso vizinho planetrio h j seis anos, muito, muito mais do que o planeado (uma misso com 90 dias). O rover Opportunity est actualmente a viajar na direco de uma grande cratera denominada Endeavour e continua a fazer descobertas cientficas. J percorreu aproximadamente 19 quilmetros e enviou de volta mais de 133.000 imagens.


    NASA PROLONGA MISSO DA CASSINI AT 2017

    A NASA vai prolongar a misso internacional Cassini-Huygens, a Saturno e s suas luas, at 2017. O oramento de 2011 da agncia espacial providencia uma extenso de 60 milhes de dlares por ano para o estudo continuado do "Senhor dos Anis".
    "Esta uma misso que nunca pra de nos surpreender com resultados cientficos e imagens de cortar a respirao," afirma Jim Green, director da diviso de cincia planetria na sede da NASA em Washington. "As descobertas e imagens espectaculares deste viajante histrico revolucionaram o nosso conhecimento de Saturno e das suas luas."
    A Cassini foi lanada em Outubro de 1997, em conjunto com a sonda Huygens da ESA. Chegaram a Saturno em 2004. A Huygens estava equipada com seis instrumentos para estudar Tit, a maior lua de Saturno. Os 12 instrumentos da Cassini h j quase seis anos que enviam dados dirios do sistema saturniano. O projecto tinha fim planeado para 2008, mas a misso recebeu um prolongamento de 27 meses, at Setembro de 2010.
    "A extenso proporciona uma oportunidade nica para seguir as mudanas sazonais de um planeta do sistema solar exterior, desde o Inverno at ao Vero," afirma Bob Pappalardo, cientista do projecto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, Califrnia. "Algumas das descobertas mais excitantes da Cassini ainda esto para vir."
    Este segundo alargamento, denominado Misso Solstcio da Cassini, permite aos cientistas estudar as mudanas sazonais e a longo-prazo do planeta e das suas luas. A Cassini chegou a Saturno pouco depois do solstcio de Inverno no hemisfrio norte de Saturno, e esta extenso continua at poucos meses depois do solstcio de Vero no mesmo hemisfrio, em Maio de 2017. O solstcio de Vero no hemisfrio norte de Saturno marca o incio dessa estao e o comeo do Inverno no hemisfrio sul.
    Um perodo sazonal completo de Saturno nunca tinha sido estudado a este nvel de detalhe. O calendrio da misso requer 155 rbitas adicionais em torno do planeta, 54 voos rasantes por Tit e 11 pela lua gelada Encelado.
    O alargamento da misso tambm permitir aos cientistas continuar as observaes dos anis de Saturno e da bolha magntica em torno do planeta conhecida como magnetosfera. A sonda far mergulhos repetidos entre Saturno e os seus anis para obter um conhecimento ntimo do gigante gasoso. Durante estes mergulhos, a Cassini ir estudar a estrutura interna de Saturno, as suas flutuaes magnticas e a massa anular.
    A misso ser avaliada periodicamente para garantir que a sonda tem a capacidade de alcanar os novos objectivos cientficos delineados para a segunda extenso.
    "A sonda encontra-se em muito bom estado, mesmo tolerando os efeitos esperados da idade e aps ter ultrapassado os 4,1 mil milhes de quilmetros no seu odmetro," afirma Bob Mitchell, gestor do programa Cassini no JPL. "Esta extenso importante porque h ainda muito a aprender acerca de Saturno. O planeta est recheado de segredos, e no os desvenda facilmente."
    O lbum de viagem da Cassini inclui mais de 210.000 imagens; informaes recolhidas durante mais de 125 revolues em torno de Saturno; 67 "flybys" por Tit e oito por Encelado. A Cassini revelou detalhes inesperados na assinatura dos anis do planeta, e observaes de Tit forneceram aos cientistas um olhar do que a Terra poder ter sido antes do desenvolvimento da vida.
    Os cientistas esperam ver respondidas as suas imensas questes que nasceram ao longo da misso, entre elas o porqu de Saturno parecer ter uma rotao inconsistente e como que um provvel oceano subsuperficial alimenta os jactos de Encelado.


    JOGADA TRIPLA: VNUS, MARTE E SATURNO

    Se vive no hemisfrio Norte, saia rua numa qualquer noite destas, mais ou menos uma hora depois do pr-do-Sol, e olhe para Oeste. Encontrar trs planetas: Vnus, Saturno e Vnus.

    A primeira coisa que os observadores vm - se o tempo permitir - o brilhante planeta Vnus, a Oeste-Noroeste, na constelao de Gmeos. Procure as estrelas gmeas da constelao, Pollux e Castor, mesmo por cima de Vnus.

    Enquanto anoitece, o planeta Marte pode ser avistado para a esquerda de Vnus medida que aparece na constelao de Leo, muito perto da estrela de primeira magnitude, Rgulo. Ainda mais para a esquerda est Saturno, brilhando na seco Oeste da constelao de Virgem.

    Este mapa mostra todos os trs planetas medida que aparecem numa rea de 70 graus. Em comparao, o seu punho fechado distncia do brao esticado cobre cerca de 5 graus no cu.

    Vnus, Marte e Saturno esto todos um pouco para Norte da eclptica, o percurso que o Sol parece seguir ao longo do ano.

    Note as posies destes trs planetas em relao s brilhantes estrelas de fundo, dado que esto a comear uma viagem interessante que conseguir seguir durante os prximos dois meses.

    No incio de Julho, Vnus estar mais para a esquerda, atravessando Caranguejo at Leo e situando-se prximo de Rgulo. Marte, entretanto, estar tambm um pouco mais para a esquerda. Saturno nem parece ter-se movido.

    Nessa altura, os trs planetas cobrem apenas 37 graus no cu, metade do que cobriam no incio de Junho.

    Um ms depois, na primeira semana de Agosto, os planetas esto apenas numa rea de 7 graus, e Marte estar para a esquerda de Saturno em Virgem. Vnus tambm ter-se- movido para Virgem.

    Todos os trs cabem confortavelmente no campo de viso de um pequeno par de binculos.

    Em Agosto, Vnus estar ainda brilhante, mas tanto Saturno como Marte diminuem de brilho at um pouco acima de primeira magnitude. Isto acontece porque Saturno e Marte afastam-se da Terra, enquanto Vnus aproxima-se.

    Do hemisfrio Sul, os planetas aparecem nas mesmas posies relativamente uns aos outros, mas a eclptica estar quase na vertical, e os planetas perpendiculares ao horizonte em vez de formarem um ngulo oblquo.

    Esta ser uma boa oportunidade para observar o movimento relativo de trs planetas brilhantes contra as estrelas de fundo, e para ver as diferentes velocidades a que se movem: Vnus atravessa quatro constelaes e Marte duas, com Saturno quase nem se movendo.


    NOVA TCNICA PARA DETECTAR PLANETAS EXTRASOLARES TIPO-TERRA

    Astrnomos descobriram uma nova tcnica terrestre para estudar as atmosferas de planetas para l do nosso Sistema Solar, acelerando a nossa busca por planetas tipo-Terra com molculas relacionadas com a vida. O seu trabalho foi anunciado anteontem (3 de Fevereiro de 2010) na revista Nature.
    Os cientistas desenvolveram a nova tcnica ao usar um telescpio infravermelho da NASA, terrestre, para identificar uma molcula orgnica na atmosfera de um planeta com o tamanho de Jpiter a quase 63 anos-luz de distncia. Usando um novo mtodo de calibrao para remover erros de observao sistemticos, eles obtiveram uma medio que revela detalhes da composio atmosfrica e das condies do exoplaneta, um feito sem precedentes a partir de um observatrio terrestre.
    A Dra. Giovanna Tinetti, da Universidade de Londres, cujo trabalho no projecto foi suportado pelo STFC (Science and Technology Facilities Council), afirma: "O objectivo final observar a atmosfera de um planeta com a capacidade de suportar vida. Ainda no chegmos l, mas a possibilidade de usar telescpios terrestres em combinao com observatrios espaciais, vai acelerar o estudo das atmosferas de planetas extrasolares."
    O autor principal, Mark Swain, astrnomo no JPL da NASA, acrescenta: "O facto de termos usado um telescpio terrestre relativamente pequeno, excitante porque implica que os maiores telescpios no cho, usando esta tcnica, podero ser capazes de caracterizar os alvos terrestres exoplanetrios."
    Actualmente, conhecem-se mais de 400 planetas extrasolares. A maioria deles so gasosos como Jpiter, mas pensa-se que algumas "super-Terras" sejam grandes mundos terrestres ou rochosos. Um verdadeiro planeta tipo-Terra, do tamanho do nosso e mesma distncia da sua estrela-me, ainda no foi descoberto. A misso Kepler da NASA est agora no espao procura, e espera-se que encontre alguns destes mundos terrestres.
    A 11 de Agosto de 2007, Swain e a sua equipa usaram o telescpio infravermelho para observar o planeta HD 189733b, com o tamanho de Jpiter, na constelao de Raposa. A cada 2,2 dias, o planeta orbita uma estrela do tipo-K, ligeiramente mais fria e pequena que o nosso Sol. HD 189733b j proporcinou importantes descobertas na cincia exoplanetria, inclundo deteces de vapor de gua, metano e dixido de carbono atravs de telescpios espaciais. Usando a nova tcnica, os astrnomos conseguiram detectar dixido de carbono e metano na atmosfera de HD 189733b com um espectgrafo, que quebra a luz nos seus componentes para revelar as assinaturas espectrais dos diferentes qumicos. O seu trabalho principal foi o desenvolvimento de um novo mtodo de calibrao para remover os erros sistemticos de observao provocados pela variabilidade da atmosfera da Terra e pela instabilidade devida ao movimento do sistema telescpico medida que segue o alvo.
    "Como consequncia deste trabalho, temos agora a possibilidade excitante que outros telescpios terrestres relativamente pequenos, mas tambm razoavelmente equipados, sejam capazes de caracterizar exoplanetas," afirma John Rayner, o cientista do ITF (Infrared Telescope Facility) da NASA que construu o espectgrafo SpeX usado nestas medies. "Nalguns dias no conseguimos sequer observar o Sol com o telescpio, e o facto de noutros conseguirmos obter o espectro de um exoplaneta a 63 anos-luz de distncia, impressionante."
    Ao longo das suas observaes, a equipa descobriu brilhantes e inesperadas emisses, no infravermelho, de metano, que sobressai no lado diurno de HD 198733b. Isto poder indicar algum tpo de actividade na atmosfera do planeta, que poder estar relacionada com o efeito da radiao ultravioleta da estrela-me ao atingir a atmosfera superior do planeta. No entanto, sero precisos estudos mais detalhados.
    "Um objectivo imediato do uso desta tcnica caracterizar com mais preciso a atmosfera deste e de outros planetas extrasolares, inclundo a deteco de molculas orgnicas e at possivelmente prebiticas - como aquelas que precederam a evoluo da vida na Terra, afirma Swain". Estamos prontos para levar a cabo esta tarefa. "Alguns dos primeiros alvos sero super-Terras. Usada em conjunto com observaes do Hubble, do Spitzer e do futuro Telescpio Espacial James Webb, a nova tcnica "dar-nos- um modo absolutamente brilhante de caracterizar super-Terras," conclui Swain.


    HAYABUSA REGRESSA!

    A pequena e resistente sonda japonesa Hayabusa regressou finalmente Terra aps sete longos anos! A sua chegada foi espectacular, iluminando o cu do "Outback" australiano medida que reentrava pela atmosfera.

    A cpsula da Hayabusa aterrou pelas 15:00 horas (hora de Portugal) de dia 13 na rea Proibida de Woomera no Sul da Austrlia. Um avio especialmente enviado pela NASA registou a espectacular entrada e o espectculo de luzes dos detritos aquecidos devido frico com a atmosfera da Terra.

    Nesta imagem, a prpria sonda desfaz-se em bocados, enquanto o ponto mais pequeno para baixo e direita a cpsula que se separou da sonda 3 horas antes de alcanar a Terra e que posteriormente aterrou de pra-quedas. Espera-se que a cpsula contenha amostras do asteride Itokawa.

    A cpsula j foi recolhida e aparenta estar em bom estado. Ser enviada para o Japo onde os cientistas a vo abrir e descobrir se realmente contm amostras ou no.

    A Hayabusa, lanada em 2003, atravessou uma srie de problemas tcnicos ao longo da sua viagem de 5 mil milhes de quilmetros at ao asteride Itokawa. Os cientistas da misso estavam muito ansiosos porque a sonda estava desenhada para apenas durar quatro anos e havia a preocupao da sua bateria durar o tempo extra ou do seu sistema de controlo avariar.

    A agncia espacial japonesa (JAXA) disse que mesmo apenas um gro de material do asteride pode ser cortado em 100 ou mais amostras e que podem ser distribudas globalmente para anlise.

    Para evitar qualquer contaminao das amostras por material c na Terra, a cpsula permanecer fechada at que chegue ao complexo Sagamihara da JAXA, perto de Tquio. Ser ento vista a raios-X e limpa antes de ser aberta numa cmara especialmente desenhada, em vcuo. Estes testes podero demorar semanas.

    Ficaremos atentos a mais novidades da misso.


    FORMANDO AS GALXIAS ESPIRAIS DE HOJE EM DIA

    Usando dados do Telescpio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrnomos criaram pela primeira vez um censo demogrfico dos tipos e formas de galxias desde um tempo anterior ao Sol e Terra, at ao presente dia. Os resultados mostram que, contrariamente ao pensamento contemporneo, mais de metade das galxias espirais de hoje em dia tinham formas peculiares h apenas 6 mil milhes de anos atrs, o que, a ser confirmado, reala a importncia das colises e fuses no passado recente de muitas galxias. Tambm fornece pistas para o estado invulgar da nossa Galxia, a Via Lctea.
    A morfologia galctica, ou o estudo das formas e da formao das galxias, um tpico importante e muito debatido na Astronomia. Uma ferramenta importante deste tema a Classificao de Hubble, um esquema inventado em 1926 pelo prprio Edwin Hubble. O famoso telescpio espacial tem a honra de ter o seu nome.
    Uma equipa de astrnomos europeus, liderada por Franois Hammer do Observatrio de Paris, completou pela primeira vez um censo demogrfico dos tipos de galxias em dois pontos diferentes na histria do Universo - em efeito, criando duas sequncias de Hubble - que ajuda a explicar a formao das galxias. Neste estudo, os investigadores estudaram 116 galxias locais e 148 galxias distantes.
    Contrariamente ao que se pensava, os astrnomos mostraram que a sequncia de Hubble h seis mil milhes de anos era muito diferente da que os astrnomos observam actualmente.
    Usando dados do Telescpio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrnomos criaram pela primeira vez um censo demogrfico dos tipos e formas de galxias desde um tempo anterior ao Sol e Terra, at ao presente dia. Os resultados mostram que, contrariamente ao pensamento contemporneo, mais de metade das galxias espirais de hoje em dia tinham formas peculiares h apenas 6 mil milhes de anos atrs, o que, a ser confirmado, reala a importncia das colises e fuses no passado recente de muitas galxias. Tambm fornece pistas para o estado invulgar da nossa Galxia, a Via Lctea.
    A morfologia galctica, ou o estudo das formas e da formao das galxias, um tpico importante e muito debatido na Astronomia. Uma ferramenta importante deste tema a Classificao de Hubble, um esquema inventado em 1926 pelo prprio Edwin Hubble. O famoso telescpio espacial tem a honra de ter o seu nome.
    Uma equipa de astrnomos europeus, liderada por Franois Hammer do Observatrio de Paris, completou pela primeira vez um censo demogrfico dos tipos de galxias em dois pontos diferentes na histria do Universo - em efeito, criando duas sequncias de Hubble - que ajuda a explicar a formao das galxias. Neste estudo, os investigadores estudaram 116 galxias locais e 148 galxias distantes.
    Contrariamente ao que se pensava, os astrnomos mostraram que a sequncia de Hubble h seis mil milhes de anos era muito diferente da que os astrnomos observam actualmente.

    A sequncia de Hubble h seis mil milhes de anos era muito diferente da que os astrnomos vm hoje em dia. As duas seces mostram muitas mais galxias peculiares (marcadas Pec) no conjunto de galxias mais distantes, do que dentro do grupo de galxias locais. A organizao dos dados segue a classificao inventada por Edwin Hubble em 1926. A imagem do topo representa o Universo actual - ou local. A imagem de baixo representa a composio das galxias distantes (h seis mil milhes de anos), e mostra uma fraco muito maior de galxias peculiares. Isto implica que muitas das galxias peculiares acabam por se tornar grandes espirais.
    Crdito: NASA, ESA, SDSS, R. Delgado-Serrano e F. Hammer (Observatrio de Paris)
    (clique na imagem para ver verso maior)


    "H seis mil milhes de anos atrs, haviam muitas mais galxias peculiares - um resultado surpreendente," afirma Rodney Delgado-Serrano, autor principal do trabalho recentemente publicado e que capa da Astronomy & Astrophysics. "Isto significa que nos ltimos seis mil milhes de anos, estas galxias peculiares devem ter-se tornado em galxias espirais normais, dando-nos uma imagem [do Universo recente] mais dramtica do que tnhamos anteriormente."
    Os astrnomos pensam que estas galxias peculiares realmente tornaram-se em espirais atravs das colises e das fuses. O estudo da histria da formao galctica leva-nos ao estado actual do Universo. Tal como no estudo de uma vida, existem tempos caticos e tumultuosos, e outros perodos mais calmos. E, como muitos adolescentes, as galxias em desenvolvimento colidem amude com aquelas no seu caminho. As colises entre galxias originam novas galxias e, embora se acredite que estas fuses galcticas diminuram significativamente h oito mil milhes de anos atrs, o novo resultado implica que as fuses ainda estavam a ocorrer frequentemente aps essa altura - at h cerca de 4 mil milhes de anos atrs.
    "O nosso objectivo era descobrir um cenrio que fazia a ponte entre a imagem actual do Universo e as morfologias de galxias mais distantes e antigas - descobrir uma pea que encaixava nesta intrigante viso da evoluo galctica," afirma Hammer.
    Tambm contrariamente opinio largamente aceite que as fuses galcticas resultam na formao de galxias elpticas, Hammer e a sua equipa suportam um cenrio no qual estas colises csmicas resultam em galxias espirais. Num trabalho em paralelo publicado na mesma revista, Hammer e a sua equipa investigam mais profundamente a sua hiptese de "reconstruo espiral", que prope que as galxias peculiares, afectadas por colises ricas em gs, lentamente "renascem" como espirais gigantes com discos e bojos centrais.
    Embora a nossa prpria Via Lctea seja uma galxia espiral, parece ter evitado muito deste drama adolescente; a sua histria tem sido deveras calma e tem evitado colises violentas em tempos astronomicamente recentes. No entanto, a grande vizinha Galxia de Andrmeda no teve tanta sorte e encaixa-se bem neste cenrio de "reconstruo espiral". Os investigadores continuam a procurar explicaes para isto.
    Hammer e a sua equipa usaram dados do SDSS (Sloan Digital Sky Survey) empreendidos pelo Observatrio Apache Point, no Novo Mxico, EUA, do campo GOODS, e do UDF (Ultra Deep Field) obtido pela cmara ACS a bordo do Hubble.


    WISE ESPIA UM COMETA COM O SEU PODEROSO OLHO INFRAVERMELHO

    O telescpio WISE da NASA (Wide-field Infrared Survey Explorer) descobriu o seu primeiro cometa, um dos muitos que se espera que a misso encontre por entre os milhes de outros objectos durante o seu estudo de todo o cu no infravermelho.
    Oficialmente com o nome "P/2010 B2 (WISE)," mas simplesmente conhecido como WISE, o cometa um corpo de gelo com mais de 2 km em dimetro. Provavelmente foi formado por volta da mesma altura que o nosso Sistema Solar, h cerca de 4,5 mil milhes de anos atrs. O cometa WISE nasceu nos recantos mais longnquos e frios do Sistema Solar, mas aps uma longa histria de ser empurrado pelas foras gravitacionais de Jpiter, assentou numa rbita bem mais prxima do Sol. De momento, o cometa est a afastar-se do Sol e est a cerca de 175 milhes de quilmetros da Terra.
    "Os cometas so antigos reservatrios de gua. So dos poucos lugares alm da Terra no Sistema Solar interior onde se sabe que existe gua," afirma Amy Mainzer do JPL da NASA em Pasadena, Califrnia. Mainzer a investigadora principal do NEOWISE, um projecto para descobrir e catalogar novos asterides e cometas avistados pelo WISE (o acrnimo combina WISE com NEO, NEO sendo "near-Earth object").
    "Com o WISE, temos uma ferramenta poderosa para descobrir novos cometas e aprender mais sobre esta populao como um todo. A gua necessria para a vida como a conhecemos, e os cometas podem dizer-nos quanta gua existe no nosso Sistema Solar."
    Espera-se que o telescpio WISE, lanado para uma rbita polar em torno da Terra a 14 de Dezembro de 2009, descubra entre alguns e at dzias de novos cometas, alm de centenas de milhares de asterides. Os cometas so mais difceis de descobrir do que os asterides porque so muito mais raros no Sistema Solar interior. Ao passo que os asterides viajam na "cintura principal" entre as rbitas de Marte e Jpiter, a maioria dos cometas orbitam muito mais longe, nos recantos mais gelados do nosso Sistema Solar.
    Tanto os asterides como os cometas podem "car" para rbitas que os aproximam do percurso da Terra em torno do Sol. A maioria destes objectos so asterides mas alguns so cometas. Espera-se que o WISE descubra novos cometas vizinhos, e isto dar-nos- uma melhor ideia de quo perigosos podem ser para a Terra.
    " muito improvvel que um cometa atinja a Terra," reala James Bauer, cientista do JPL que trabalho no projecto WISE, "Mas, na rara hiptese que acontea, pode ser muito perigoso. As novas descobertas do WISE vo dar-nos estatsticas mais precisas acerca da probabilidade de tal evento, e quo poderoso seria um destes impactos."
    O telescpio espacial avistou o cometa durante o seu estudo rotineiro do cu no dia 22 de Janeiro. O seu software topo-de-gama "arrancou" o cometa da torrente de imagens enviadas do espao ao observar objectos que se movem relativamente s estrelas de fundo. A descoberta do cometa foi seguida por uma combinao de astrnomos profissionais e amadores usando telescpios nos EUA.
    Todos os dados so catalogados no Centro de Planetas Menores, em Cambridge, Massachusetts, o "escritrio" global para todas as observaes e rbitas de planetas menores e cometas.
    O cometa WISE demora 4,7 anos a orbitar o Sol, estando o seu aflio a cerca de 4 UA de distncia, e o seu perilio a 1,6 UA (perto da rbita de Marte). Uma UA (unidade astronmica) a distncia entre a Terra e o Sol. O calor do Sol faz com que os gases e poeiras sejam libertados do cometa, resultando numa cabeleira poeirenta e numa cauda.
    Embora este corpo em particular esteja a libertar material activamente, o WISE tambm ser capaz de descobrir cometas inactivos ou mortos. Nos cometas que j orbitaram muitas vezes o Sol, os seus componentes gelados sofrem eroso, deixando para trs apenas um ncleo escuro e rochoso. No se sabe muito acerca destes objectos porque so difceis de observar no visvel. O olho infravermelho do WISE dever ser capaz de observar o tnue brilho de alguns destes cometas escuros, respondendo a questes como onde e como se formam.
    "Os cometas mortos podem ser mais escuros que o carvo," afirma Mainzer. "Mas no infravermelho, saltam vista. Uma questo que esperamos ver respondida com o WISE quantos cometas mortos constituem a populao de NEOs."
    A misso passar os prximos oito meses a mapear o cu uma vez e meia. A primeira parte dos seus dados estar disponvel para o pblico na Primavera de 2011, e o catlogo final um ano depois. Imagens e descobertas importantes sero anunciadas durante a misso.


    MOLCULAS ORGNICAS SUPER-COMPLEXAS DESCOBERTAS NO ESPAO INTERESTELAR

    Uma equipa de cientistas do Instituto de Astrofsica das Canrias (IAC) e da Universidade do Texas, identificou com sucesso uma das molculas orgnicas mais complexas j descobertas no material entre as estrelas, o denominado meio interestelar. A descoberta de antracina poder ajudar a resolver um mistrio astrofsico com dcadas acerca da produo de molculas orgnicas no espao. Os investigadores anunciaram os seus achados na revista Monthly Notices da Sociedade Astronmica Real.

    "Ns detectmos a presena de molculas de antracina numa densa nuvem na direco da estrela Cernis 52 em Perseu, a cerca de 700 anos-luz do Sol," explica Susana Iglesias Groth, investigadora do IAC que liderou o estudo.

    Na sua opinio, o prximo passo investigar a presena de aminocidos. As molculas como a antracina so prebiticas, por isso so quando sujeitas radiao ultravioleta e combinadas com gua e amnia, podem produzir aminocidos e outros compostos essenciais para o desenvolvimento da vida.

    "H dois anos atrs," afirma Iglesias, "descobrimos provas da existncia de outra molcula orgnica, naftalina, no mesmo lugar, por isso tudo indica que descobrimos uma regio de formao estelar rica em qumica prebitica". At agora, a antracina tem sido apenas detectada em meteoritos e nunca no meio interestelar. As formas oxidadas desta molcula so comuns em sistemas vivos e so activas bioquimicamente. No nosso planeta, a antracina oxidada um elemento bsico da alo e tem propriedades anti-inflamatrias.

    As novas descobertas sugerem que uma boa parte destes componentes-chave da qumica prebitica terrestre podem estar presentes na matria interestelar.

    sabido desde os anos 80 que centenas de bandas descobertas no espectro do meio interestelar, conhecidas como bandas espectroscpicas difusas, esto associadas com a matria interestelar, mas a sua origem no tinha sido identificada at agora. Esta descoberta indica que podem resultar de formas moleculares com base na antracina ou naftalina. Dado que esto largamente distribudas no espao interestelar, podem desempenhar um papel importante na produo de muitas das molculas orgnicas presentes na altura da formao do Sistema Solar.

    Os resultados so baseados em observaes levadas a cabo pelo Telescpio William Herschel no Observatrio Roque de los Muchachos em La Palma nas Ilhas Canrias e pelo Telescpio Hobby-Eberly no Texas, EUA.


    MISSO WISE ANUNCIA AS SUAS PRIMEIRAS IMAGENS OFICIAIS

    Um elenco diverso de personagens csmicas foram apresentadas nas primeiras imagens do telescpio WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) que a NASA anunciou na passada Quarta-feira.
    Desde que o WISE comeou o seu estudo do cu no infravermelho a 14 de Janeiro, o telescpio espacial j enviou mais de um quarto de milho de imagens no-processadas. Quatro novas imagens, j processadas, so bem representativas dos alvos da misso -- um poeirento cometa, uma nuvem repleta de formao estelar, a grande Galxia de Andrmeda e um longnquo enxame de centenas de galxias.
    "O WISE est a funcionar soberbamente," afirma Ed Weiler, administrador associado do Directorado de Misses Cientficas na sede da NASA em Washington. "Estas primeiras imagens provam que a misso secundria do telescpio, ajudar a seguir asterides, cometas e outros objectos estelares, ser to importante como a sua misso primria de estudar todo o cu no infravermelho."
    Uma imagem mostra a beleza de um cometa chamado "Siding Spring". medida que o cometa desfila na direco do Sol, liberta poeira que brilha no infravermelho, a "luz vsivel" do WISE. A cauda do cometa, que se prolonga por 16 milhes de quilmetros, parece-se com uma faixa de tinta vermelha. Uma estrela brilhante aparece por baixo a azul.
    "Temos uma autntica 'loja de doces' oriunda do espao," afirma Edward (Ned) Wright da UCLA, o investigador principal do WISE. "Cada um de ns tem o seu sabor favorito, e existem todos os tipos de sabores."
    Durante o seu estudo, espera-se que a misso descubra talvez dzias de cometas, inclundo alguns que viajam em rbitas que os aproximam da Terra. O WISE vai ajudar a desvendar pistas cometrias de como o nosso Sistema Solar se formou.
    Outra imagem mostra uma regio de formao estelar brilhante chamada NGC 3603, situada a 20.000 anos-luz de distncia no brao espiral Carina da nossa Via Lctea. Este berrio estelar contm muitas estrelas recm-nascidas, algumas delas monstruosamente massivas e mais quentes que o Sol. As estrelas quentes aquecem as nuvens de poeira em redor, fazendo com que brilhem em comprimentos de onda infravermelhos.
    O WISE ir observar centenas de regies de formao estelar na nossa Galxia, ajudando os astrnomos a montar uma imagem de como as estrelas nascem. As observaes tambm vo providenciar uma ligao importante para a compreenso de episdios violentos de formao estelar em galxias distantes. Dado que NGC 3603 est muito mais perto, os astrnomos vo us-la como um laboratrio para estudar o mesmo tipo de aco que est a ter lugar a milhares de milhes de anos-luz.
    Viajando para l da nossa Via Lctea, a terceira nova imagem mostra o nosso maior vizinho galctico, a grande galxia espiral de Andrmeda. Andrmeda um pouco maior que a nossa Via Lctea e est a aproximadamente 2,5 milhes de anos-luz de distncia. A nova imagem salienta o largo campo de viso do WISE -- cobre uma rea maior que 100 luas cheias e at mostra outras galxias mais pequenas perto de Andrmeda, todas pertencendo ao "grupo local" de mais de 50 galxias. o WISE vai capturar imagens de todo o Grupo Local.
    A quarta imagem do WISE vai ainda mais longe, a uma regio de centenas de galxias todas aglomeradas numa nica famlia. Com o nome de enxame da Fornalha, estas galxias esto a 60 milhes de anos-luz da Terra. As paisagens infravermelhas da misso revelam galxias activas e estagnadas, fornecendo um censo de dados de uma inteira comunidade galctica.
    "Todas estas imagens contam uma histria acerca das nossas origens e do nosso destino," afirma Peter Eisenhardt, cientista do projecto WISE no JPL da NASA em Pasadena, Califrnia. "O WISE v cometas e asterides e traa a formao e evoluo do nosso Sistema Solar. Ns podemos mapear centenas de sistemas solares moribundos e em formao por toda a nossa Galxia. Ns podemos ver padres de formao estelar noutras galxias, a milhes de anos-luz de distncia."
    Outros alvos da misso incluem cometas, asterides e estrelas frias denominadas ans castanhas. O WISE descobriu o seu primeiro asteride perto da Terra no dia 12 de Janeiro, e o seu primeiro cometa a 22 de Janeiro. A misso vai estudar o cu inteiro uma vez e meia at Outubro. Nessa altura, o lquido refrigerante necessrio para arrefecer os seus instrumentos acabar.


    SEM LUGAR PARA SE ESCONDEREM: DESCOBERTAS ESTRELAS PRIMITIVAS DESAPARECIDAS EXTERIORES VIA LCTEA

    Durante anos as estrelas mais primitivas residentes fora da Via Lctea conseguiram esconder-se mas agora foram finalmente desmascaradas. Novas observaes utilizando o Very Large Telescope do ESO solucionaram um importante problema astrofsico relativo s estrelas mais antigas na nossa vizinhana galctica - o qual crucial para compreender as estrelas que se formaram muito cedo no Universo.
    "Na realidade, descobrimos uma falha nos mtodos forenses utilizados at agora," diz Else Starkenburg, autora principal do artigo que apresenta este trabalho. "O nosso mtodo mais desenvolvido permitiu-nos descobrir as estrelas primitivas escondidas no meio de todas as outras estrelas mais comuns."
    Pensa-se que as estrelas primitivas se formaram a partir de matria forjada pouco depois do Big Bang, h 13,7 mil milhes de anos. Estas estrelas tm, tipicamente, menos que uma milsima parte da quantidade de elementos qumicos mais pesados que o hidrognio e o hlio, encontrados no Sol, e so chamadas "estrelas extremamente pobres em metais". Pertencem a uma das primeiras geraes de estrelas no Universo prximo. Tais estrelas, extremamente raras, so observadas principalmente na Via Lctea.
    Os cosmlogos pensam que as galxias maiores, como a Via Lctea, se formaram a partir da fuso de galxias mais pequenas. A populao de estrelas extremamente pobres em metais ou "primitivas" da Via Lctea deveria estar j presente nas galxias ans que lhe deram origem, e por isso, populaes similares deveriam estar igualmente presentes noutras galxias ans. "At agora, evidncias destas populaes tm sido escassas," diz a co-autora Giuseppina Battaglia. "Enormes levantamentos feitos nos ltimos anos mostraram continuamente que as populaes estelares mais antigas da Via Lctea e de galxias ans no coincidem, facto que no de todo esperado segundo os modelos cosmolgicos."
    A abundncia dos elementos medida a partir de espectros, que nos fornecem as impresses digitais qumicas das estrelas. A Equipa de Abundncias e Velocidades Radiais de Galxias Ans utilizou o instrumento FLAMES montado no Very Large Telescope do ESO para medir o espectro de cerca de 2000 estrelas gigantes individuais em quatro das nossas vizinhas galxias ans: Fornax, Escultor, Sextante e Carina. Uma vez que as galxias ans esto a distncias tpicas de 300.000 anos-luz - o que corresponde a cerca de trs vezes o tamanho da Via Lctea - apenas riscas e bandas intensas no espectro puderam ser medidas, e mesmo estas aparecem como uma impresso digital tnue e esborratada. A equipa descobriu que, de entre a sua grande coleco, nenhuma das impresses digitais espectrais parecia pertencer classe de estrelas que procuravam, as raras estrelas extremamente pobres em metais encontradas na Via Lctea.
    A equipa de astrnomos liderada por Starkenburg conseguiu agora resultados interessantes ao comparar cuidadosamente os espectros com modelos computacionais. Esta equipa descobriu que apenas diferenas muito subtis distinguem a impresso digital qumica de uma estrela pobre em metais normal e de uma estrela extremamente pobre em metais, e explica porque que os mtodos anteriores no foram bem sucedidos na identificao destas estrelas.
    Os astrnomos confirmaram tambm o quase imaculado estado de vrias estrelas extremamente pobres em metais, graas aos espectros muito detalhados obtidos pelo instrumento UVES montado no Very Large Telescope do ESO. "Comparadas com as impresses digitais muito tnues que tnhamos anteriormente, estas assemelham-se impresso digital vista ao microscpio," explica Vanessa Hill, membro da equipa. "Infelizmente, apenas um pequeno nmero de estrelas pode ser observado desta maneira devido a esta ser uma observao que demora muito tempo".
    "Entre as novas estrelas extremamente pobres em metais descobertas nestas galxias ans, trs tm uma quantidade relativa de elementos qumicos entre apenas 1/3000 e 1/10 000 da que observada no Sol, incluindo assim a estrela que detm o actual recorde da mais primitiva encontrada fora da Via Lctea," diz Martin Tafelmeyer, membro da equipa.
    "O nosso trabalho no s revelou algumas das muito interessantes primeiras estrelas destas galxias, como ainda fornece uma nova e poderosa tcnica de deteco de estrelas deste tipo," conclui Starkenburg. "A partir de agora as estrelas j no tm stio onde se esconder!"


    CASSINI DESCOBRE PLETORA DE PLUMAS E ZONAS QUENTES EM ENCELADO

    Imagens recentemente anunciadas do "flyby" da Cassini por Encelado em Novembro passado revelam uma "floresta" de novos jactos expelidos pelas proeminentes fracturas que atravessam a regio polar sul e fornecem o mais detalhado mapa de temperaturas, at agora, de uma dessas fracturas.
    As novas imagens da equipa de imagem e da equipa do espectmetro infravermelho tambm incluem a melhor imagem tridimensional j obtida de uma das "listas de tigre," uma fissura que liberta partculas geladas, vapor de gua e elementos orgnicos. Existem tambm imagens de regies no to bem mapeadas em Encelado, inclundo uma regio a Sul com padres tectnicos grosseiramente circulares.
    "Encelado continua a surpreender," afirma Bob Pappalardo, cientista do projecto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, Califrnia, EUA. "A cada passagem rasante da Cassini, aprendemos mais sobre a sua actividade extrema."
    Para as cmaras da Cassini, o flyby de 21 de Novembro de 2009 forneceu o ltimo olhar sobre a regio polar sul de Encelado, antes que essa regio da lua entre num ciclo de escurido de 15 anos, e incluu tambm a observao mais detalhada (at agora) dos jactos.
    Os cientistas planearam usar esta passagem rasante para procurar jactos novos ou mais pequenos, no visveis em imagens anteriores. Num mosaico, os cientistas contaram mais de 30 geysers individuais, inclundo mais de 20 at a nunca antes vistos. Pelo menos um jacto capturado em imagens anteriores parece agora menos poderoso.
    "Este ltimo flyby confirma o que suspeitvamos," afirma Carolyn Porco, lder da equipa de imagem. "O vigor dos jactos individuais pode variar com o tempo, e imensos jactos, grandes e pequenos, entram em erupo ao longo das listas de tigre."
    Um novo mapa que combina dados de calor com imagens no visvel, mostra um segmento de 40 km da maior lista de tigre, conhecida como Sulco de Baghdad. O mapa ilustra a correlao, maior resulao j obtida, entre as geologicamente jovens fracturas superficiais e as temperaturas amenas anmalas registadas na regio polar sul. As grandes deteces de calor parecem estar confinadas a uma estreita mas intensa regio com no mais do um quilmetro ao longo da fissura.
    Nestas medies, as temperaturas mximas ao longo do Sulco de Baghdad excederam os 180 Kelvin, e podem at ultrapassar os 200 Kelvin. Estas temperaturas amenas provavelmente resultam do aquecimento dos flancos da fractura pela subida do vapor de gua que impulsiona os jactos de partculas geladas observados pelas cmaras da Cassini. Os cientistas vo testar esta ideia ao investigar a correspondncia entre estas zonas "quentes" e as fontes dos jactos.
    "As fracturas so geladas pelas normas da Terra, mas so um osis acolhedor quando comparadas com os 50 Kelvin da vizinhana," afirma John Spencer, membro da equipa do espectmetro infravermelho da Cassini. "A grande quantidade de calor libertado das listas de tigre pode ser suficiente para derreter o gelo subterrneo. Resultados como estes fazem de Encelado um dos locais mais excitantes do Sistema Solar."
    Alguns dos cientistas da Cassini deduzem que quanto mais amenas as temperaturas superfcie, maior a possibilidade dos jactos terem uma origem lquida. "E a ser verdade, isto torna o ambiente sub-superficial de Encelado, lquido e rico em elementos orgnicos, a zona aqutica extraterretre mais acessvel do Sistema Solar," afirma Porco.
    O voo rasante de 21 de Novembro foi o oitavo encontro com Encelado. A Cassini passou a cerca de 1600 km da superfcie da lua, a aproximadamente 82 sul em latitude.


    A "ESTRELA DA TARDE" EST DE VOLTA: COMO AVISTAR VNUS

    Desde o Vero passado que os planetas dominantes do cu nocturno tm sido Jpiter e mais tarde Saturno, mas isso agora mudou. Vnus est a emergir.
    Vnus est mais perto do Sol do que a Terra, por isso o seu ano - o tempo que leva a dar uma volta ao Sol - muito mais curto que o nosso. medida que Vnus orbita o Sol, alterna entre o cu diurno e nocturno.
    Aps a sua ltima passagem pelo cu da manh, Vnus pareceu passar por trs do Sol - o que os astrnomos chamam de "conjuno superior" - no dia 11 de Janeiro. Durante semanas no foi visvel, embebido profundamente no brilho do Sol. A cada dia que passava, movia-se um pouco para Este e afastando-se da nossa estrela.
    Vnus agora est baixo a Oeste ao pr-do-Sol, uma "estrela da tarde" que fica mais alta a cada dia que passa. Quem tiver um horizonte limpo a Oeste, pode j avistar Vnus a olho nu, at mais ou menos uma hora aps o pr-do-Sol. Mas, descobri-lo baixo no horizonte e por entre o brilho cada vez menor do Sol, poder ser complicado.

    Continuando a viajar para Este do Sol durante Maro, Vnus em breve tornar-se- bem visvel no cu nocturno a Oeste, mesmo at para o mais casual dos observadores. Aparecendo como um objecto "estelar" esbranquiado de magnitude -3,9, o nosso planeta-irmo pe-se uma hora depois do Sol no dia 4 de Maro. Nesta escala de magnitudes, nmeros mais pequenos representam objectos mais brilhantes, e Vnus o objecto natural mais brilhante no cu, a seguir ao Sol e Lua.
    Vnus continuar a subir a cada noite, durante toda a Primavera e Vero. Na primeira semana de Junho, pe-se mais de duas horas e meia depois do Sol. A maior altitude do planeta ao pr-do-Sol tambm ser por volta desta altura.
    Entre 28 de Maro e 12 de Abril, Vnus e Mercrio vo ser um par atractivo no cu a Oeste aps o pr-do-Sol. Entre estas duas datas, estes dois planetas esto a menos de 5 graus entre si, Vnus estando um pouco mais para a esquerda e para cima do mais tnue Mercrio. A 3 de Abril, estaro distncia mais pequena, a apenas 3 graus entre si.
    E no princpio de Agosto, Vnus ser parte um "trio planetrio," juntando-se aos mais tnues planetas, Marte e Saturno, baixos no cu a Oeste aps o pr-do-Sol.

    Vnus alcana a sua maior elongao - a sua maior distncia angular -, 46 Este do Sol, no dia 22 de Agosto.
    Vnus estar mais brilhante no princpio do Outono, medida que se aproxima novamente do Sol, alcanando o seu brilho mximo para esta rbita a 22 de Setembro, uma espectacular magnitude -4,56. Isto torna o planeta Vnus volta de 20 vezes mais brilhante que Sirius, a estrela mais brilhante do cu nocturno. A partir da, Vnus rapidamente baixa de magnitude, desaparecendo do cu em meados de Outubro, e passando a conjuno inferior a 28 de Outubro.
    Em coisa de uma semana, ressurge como "estrela da manh" a Sudeste.
    Muitas pessoas no se apercebem que Vnus tambm tem fases, tal como a nossa Lua. Entre agora e Outubro, a observao repetida de Vnus com um pequeno telescpio vai mostrar toda a sua coleco de fases e tamanhos do disco.

    O planeta aparece agora praticamente cheio (98% iluminado), e ser um disco pequeno e deslumbrante. Ficar com uma forma mais gibosa e maior em tamanho aparente no final da Primavera. No final de Agosto, Vnus finalmente alcana o seu Quarto Crescente.
    A partir da, durante o resto do ano, fica cada vez maior em tamanho aparente e com uma fase mais fina, medida que passa mais perto da Terra. De facto, se usar um telescpio ir notar que enquanto a distncia Terra-Vnus diminui, o tamanho aparente do disco de Vnus aumenta, quase que duplicando o seu tamanho actual em 31 de Julho.
    Quando Vnus duplicar novamente de tamanho a 23 de Setembro, a sua fase crescente dever ser facilmente discernvel, mesmo at em simples binculos com 7x de ampliao.


    SISTEMA BINRIO MAIS EXTREMO ORBITA A CADA 5 MINUTOS

    Uma equipa internacional de astrnomos mostrou que as duas estrelas no sistema binrio HM Cancri, orbitam o seu centro de massa em meros 5,4 minutos. Isto torna HM Cancri a estrela binria com o perodo orbital mais curto. tambm a dupla mais pequena conhecida. O sistema binrio tem 8 vezes o dimetro da Terra, o que equivalente a no mais do que um-quarto da distncia da Terra Lua.

    O sistema binrio consiste de duas ans brancas. As ans brancas so as cinzas queimadas de estrelas como o nosso Sol, e contm uma forma altamente condensada de hlio, carbono e oxignio. As duas ans brancas em HM Cancri esto to prximas uma da outra que material de uma estrela transportado para a outra. HM Cancri foi avistado pela primeira vez em 1999 como uma fonte de raios-X e com o tal perodo de 5,4 minutos, mas durante muito tempo no se sabia se indicava o perodo orbital real do sistema. Era to curto que os astrnomos estavam hesitantes em aceitar a possibilidade sem provas concretas.

    A equipa de astrnomos, liderada pelo Dr. Gijs Roelofs do Centro para Astrofsica Harvard-Smithsonian, usou o maior telescpio do mundo, o telescpio Keck no Hawaii, para provar que o perodo de 5,4 minutos era realmente o perodo binrio do sistema. Isto foi feito atravs da deteco das variaes na velocidade observadas nas linhas espectrais da luz de HM Cancri. Estas variaes na velocidade so induzidas pelo efeito Doppler, provocado pelo movimento orbital das duas estrelas em rbita uma da outra. O efeito Doppler faz com que as linhas periodicamente oscilem desde o azul para o vermelho e vice-versa.

    As observaes de HM Cancri foram um desafio devido ao extremamente curto perodo e ao fraco brilho do sistema binrio. distncia de cerca de 16.000 anos-luz da Terra, o binrio tem um brilho no maior do que um milionsimo das estrelas mais tnues visveis a olho nu.

    "Este sistema interessante em muitas maneiras: tem um perodo extremamente curto; a massa oscila entre uma estrela e colide no equador da outra, onde liberta mais do que o poder total do Sol em raios-X. Poder ser tambm um poderoso emitente de ondas gravitacionais, que um dia podero ser detectadas a partir deste tipo de sistema binrio", afirma o professor Tom March da Universidade de Warwick e membro da equipa.

    Danny Steeghs, doutorado da mesma Universidade e tambm pertencente equipa desta descoberta, afirma: "H uns anos atrs propusmos que HM Cancri era realmente um binrio em interaco, que consistia em duas ans brancas e que o perodo de 5,4 minutos era o perodo orbital. muito gratificante ver este modelo confirmado pelas nossas observaes, especialmente dado que as nossas primeiras tentativas foram impedidas devido ao mau tempo."

    O artigo que descreve as observaes de HM Cancri ser publicado na edio de 10 de Maro da Astrophysical Journal Letters.

    "Este tipo de observaes realmente o limite do que actualmente possvel. No s precisamos dos maiores telescpios do mundo, mas tambm tm que estar equipados com os melhores instrumentos disponveis," explica o professor Paul Groot da Universidade Radboud em Nijmegen, nos Pases Baixos.

    "O binrio HM Cancri um grande desafio para o nosso conhecimento da evoluo estelar e binria," acrescenta o Dr. Gijs Nelemans da mesma universidade. "Ns sabemos que o sistema dever ter originado de duas estrelas normais que de algum modo espiralou e formou um binrio, provavelmente em episdios mais antigos de transferncias de massa, mas a fsica deste processo ainda muito pouco conhecida. O sistema tambm uma grande oportunidade para a relatividade geral. Deve ser um dos maiores emissores de ondas gravitacionais. Estas distores do espao-tempo esperamos detectar directamente com o futuro satlite LISA, e HM Cancri ser um sistema decisivo para esta misso."



    ASTRNOMOS OBTM A MELHOR VISTA DE FBRICAS ESTELARES NO UNIVERSO DISTANTE

    Astrnomos combinaram uma lente gravitacional natural e uma rede sofisticada de telescpios para obter a vista mais detalhada de "fbricas estelares" numa galxia a 10 mil milhes de anos-luz da Terra. Eles descobriram que a galxia distante, conhecida como SMM J2135-0102, est a fabricar novas estrelas 250 vezes mais depressa que a nossa Galxia, a Via Lctea.

    Tambm localizaram quatro regies discretas de formao estelar dentro da galxia, cada com mais de 100 vezes o brilho de locais (tais como a Nebulosa de Orionte) onde as estrelas se formam na nossa Galxia. Esta a primeira vez que os astrnomos foram capazes de estudar propriedades de regies de formao estelar individuais numa galxia to longe da Terra.

    "Para um leigo, as nossas imagens parecem desfocadas, mas para ns, mostram o requintado detalhe de um ovo Faberg," afirma Steven Longmore do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofsica (CfA). Longmore um dos autores do estudo que descreve estes achados, publicado online na edio de 21 de Maro da Nature.

    Devido ao tempo que demora para a luz chegar at ns, vemos a galxia como existia apenas 3 mil milhes de anos aps o Big Bang. Tinha o tamanho da Via Lctea nessa altura. Se a pudssemos ver como agora, 10 mil milhes de anos depois, seria uma gigante galxia elptica muito mais massiva que a nossa.

    "Esta galxia o equivalente a um adolescente atravessando uma fase de crescimento," afirma Mark Swinbank da Universidade de Durham, autor principal do artigo. "Se a pudssemos ver hoje como um 'adulto', veramos o equivalente galctico a um alto jogador de basquetebol."

    Do nosso ponto de vista, SMM J2135-0102 est localizada por trs de um enorme enxame de galxias vizinhas. A gravidade do enxame age como uma lente para ampliar a galxia mais distante por um factor de 16, tanto em tamanho aparente como em brilho, tornando visveis detalhes que de outro modo seriam imperceptveis.

    A galxia, embora altamente obscurecida por poeira em comprimentos de onda visveis, emite grandes quantidades de radiao em comprimentos de onda submilimtricos (perto da regio rdio do espectro). De facto, a galxia submilimtrica mais brilhante conhecida, o que a torna num alvo bvio para o SMA (Submillimeter Array).

    O SMA um interfermetro de 8 elementos que opera nos comprimentos de onda entre 0,3 e 2 milmetros, localizado no topo do Mauna Kea no Hawaii. Combinado com a ampliao natural da lente gravitacional, a rede providenciou observaes de extrema alta resoluo - o equivalente a usar um telescpio para avistar uma moeda a mais de 600 km de distncia. Isto forneceu um nvel de detalhe para uma galxia a 10 mil milhes de anos-luz de distncia comparvel s melhores observaes de galxias vizinhas, ricas em formao estelar.

    Devido poeira obscurecente, a distncia galxia no pde ser determinada por observaes no visvel. Para essa tarefa, os astrnomos usaram um instrumento nico, denominado "Zpectmetro", acoplado ao Telescpio Robert C. Byrd Green Bank do NRAO (National Radio Astronomy Observatory). Este instrumento foi capaz de determinar a distncia da galxia ao medir a emisso de rdio por molculas de monxido de carbono. A medio precisa da distncia permitiu aos cientistas determinar o "efeito exacto que a lente gravitacional teria na galxia, e por isso exactamente como a galxia seria na ausncia da lente," de acordo com Andrew Baker, da Universidade de Rutgers.

    Os dados do SMA revelaram quatro regies de formao estelar extremamente brilhantes. As grandes luminosidades, 100 vezes maior que as galxias vizinhas normais, implicam uma elevada taxa de formao estelar.

    "Ns no sabemos com certeza o porqu das estrelas estarem a formar-se to rapidamente, mas o nosso resultado sugere que as estrelas formaram-se muito mais eficientemente no princpio do Universo do que agora," afirma Swinbank.

    Os seus resultados fornecem novos dados sobre uma altura crtica da histria do Universo. SMM J2135-0102 observada aquando do nascimento da maioria das estrelas, e por isso quando muitas das propriedades das galxias vizinhas foram definidas. Ao estudar esta e outras galxias distantes no jovem Universo, os astrnomos esperam aprender mais sobre a histria da Via Lctea e de outras galxias vizinhas.

    Estudos futuros podero identificar mais alvos para o SMA e para a prxima gerao de telescpios, como o ALMA (Atacama Large Milimeter Array).

    "Isto permitir-nos- testar com exactido quo genricos so os nossos resultados: ser que a formao estelar que ocorre nestas galxias sempre to vigorosa? Ou estamos apenas a observar uma galxia numa altura muito especial?" inquire Longmore.


    EXPLICADO: PORQUE QUE TANTOS RASTREIOS DE GALXIAS LONGNQUAS PERDEM 90% DOS SEUS ALVOS

    Os astrnomos sabem desde h muito tempo que, em muitos rastreios do Universo longnquo, uma grande fraco da radiao intrnseca total no observada. Agora, graas a um rastreio profundo executado com dois dos quatro telescpios gigantes de 8.2 metros que compem o Very Large Telescope do ESO (VLT) e a um filtro de alta qualidade, os astrnomos determinaram que uma enorme fraco de galxias cuja luz demorou 10 mil milhes de anos a chegar at ns no foi descoberta. O rastreio ajudou igualmente a encontrar algumas das galxias menos luminosas alguma vez descobertas nesta fase inicial do Universo.

    Os astrnomos utilizam frequentemente a impresso digital forte e caracterstica da radiao emitida pelo hidrognio conhecida como risca de Lyman-alfa, para investigarem o nmero de estrelas formadas no Universo longnquo. No entanto, suspeita-se desde h muito tempo que inmeras galxias permanecem por descobrir nestes rastreios. Um novo rastreio obtido com o VLT demonstra, pela primeira vez, que exactamente isso que se passa. A maior parte da emisso de Lyman-alfa fica presa na galxia que a emite, e por isso 90% das galxias no aparecem nos rastreios baseados nesta radiao.

    "Os astrnomos sempre souberam que estavam a perder uma certa fraco de galxias nos rastreios de Lyman-alfa," explica Matthew Hayes, autor principal do artigo publicado esta semana na revista Nature, "mas agora e pela primeira vez podemos quantificar essa fraco. O nmero de galxias perdido substancial."

    Para determinarem que fraco da radiao total se est a perder, Hayes e a sua equipa utilizaram a cmara FORS montada no VLT e um filtro de banda estreita para medir a radiao de Lyman-alfa, seguindo o procedimento padro dos rastreios de Lyman-alfa. Seguidamente, usando a nova cmara HAWK-I montada noutro dos telescpios que compem o VLT, fizeram, na mesma zona do espao, o mapeamento da risca de H-alfa, radiao emitida a um comprimento de onda diferente, tambm por hidrognio brilhante. Procuraram especificamente galxias cuja luz tivesse viajado durante 10 mil milhes de anos (deslocamento para o vermelho de 2.2), numa zona do cu bem estudada, conhecida como o campo GOODS-South.

    "Esta a primeira vez que observmos uma zona do cu to profundamente, observando a radiao emitida pelo hidrognio a estes dois comprimentos de onda to especficos, o que provou ser crucial," diz Gran stlin, membro da equipa. O rastreio foi extremamente profundo e por isso mesmo descobriu algumas das galxias menos luminosas conhecidas nesta fase inicial da vida do Universo. Os astrnomos puderam assim concluir que os rastreios tradicionais baseados na risca de Lyman-alfa vem apenas uma pequena parte da radiao que emitida, j que a maioria dos fotes Lyman-alfa so destrudos por interaco com as nuvens interestelares de gs e poeira. Este efeito dramaticamente mais significativo no caso da radiao Lyman-alfa do que no caso da radiao H-alfa. Como resultado, muitas galxias, numa proporo to alta como 90%, no so detectadas destes rastreios." Ou seja, se observamos dez galxias, podem bem existir cem," diz Hayes.

    Diferentes mtodos observacionais, tendo como alvo a radiao emitida a diferentes comprimentos de onda, levar sempre a uma viso do Universo que apenas parcialmente completa. Os resultados deste rastreio alertam de maneira clara os cosmlogos, uma vez que a assinatura de Lyman-alfa cada vez mais tida em conta quando se trata de examinar as primeiras galxias que se formaram na histria do Universo. "Agora que sabemos quanta radiao temos estado a perder, poderemos comear a criar representaes do cosmos muito mais fiveis, compreendendo melhor quo depressa as estrelas se formaram em diferentes pocas da vida do Universo," diz o co-autor Miguel Mas-Hesse.

    Esta descoberta foi possvel graas cmara utilizada. HAWK-I, que viu a primeira luz em 2007, um instrumento de ltima gerao. "Existem apenas algumas cmaras com um campo de viso maior do que o da HAWK-I, mas encontram-se montadas em telescpios com menos de metade do tamanho do VLT. Por isso, apenas a VLT/HAWK-I capaz de encontrar de forma eficaz galxias to pouco luminosas a estas distncias," diz o membro da equipa Daniel Schaerer.


    CONE DE VIDEOJOGO DOS ANOS 80 BRILHA NUMA LUA DE SATURNO

    Um mapa de temperaturas com a mais alta resoluo j obtida e imagens da lua gelada de Saturno, Mimas, registadas pela sonda Cassini, revelam padres surpreendentes na superfcie da pequena lua, inclundo regies quentes inesperadas que se assemelham com um "Pacman a comer um ponto", e bandas impressionantes de luz e escurido nas paredes de crateras.

    "Outras luas normalmente ganham mais protagonismo, mas ao que parece Mimas mais bizarra do que pensvamos," afirma Linda Spilker, cientista do projecto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, Califrnia, EUA. "Certamente deu-nos novos puzzles para resolver."

    A Cassini recolheu os dados no passado dia 13 de Fevereiro, durante a sua passagem mais rasante pela lua, marcada por uma enorme cicatriz denominada Cratera Herschel que se assemelha com a Estrela da Morte do filme "Guerra das Estrelas."

    Os cientistas que trabalham com o espectmetro infravermelho da sonda, o instrumento que mapeou as temperaturas de Mimas, esperavam temperaturas ligeiramente variantes, mximas tarde perto do equador. Ao invs, a regio mais quente o era de manh, ao longo do terminador do disco da lua, o que comps uma forma "Pacman" bastante definida, com temperaturas a rondar os 92 Kelvin. As restantes partes da lua eram muito mais frias, por volta de 77 K. Uma mancha mais quente e pequena - o ponto na boca do Pacman - apareceu em torno da Herschel, com uma temperatura por volta dos 84 K.

    A mancha quente na cratera faz sentido porque as paredes altas das crateras (cerca de 5 km) podem a capturar calor. Mas os cientistas ficaram completamente surpreendidos pelo padro em forma de V.

    "Ns suspeitamos que as temperaturas so diferenas reveladoras na textura da superfcie," afirma John Spencer, membro da equipa do espectmetro infravermelho da Cassini, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, Colorado.

    O gelo mais denso rapidamente conduz o calor do Sol para longe da superfcie, tornando-a fria durante o dia. O gelo quebradio mais isolante e captura o calor do Sol na superfcie, por isso ela aquece.

    Mesmo que as variaes na textura da superfcie estejam por trs das diferenas de temperatura, os cientistas ainda no percebem porque que existem limites to bem definidos entre as regies. possvel que o impacto que criou a Cratera Herschel tenha derretido gelo e espalhado gua pela lua. O lquido pode ter congelado superfcie num pice. Mas difcil compreender o porqu desta camada superior ter permanecido intacta quando os meteoritos e outros detritos espaciais j a deveriam ter pulverizado, reala Spencer.

    "Spray" gelado do anel-E, um dos anis exteriores de Saturno, deve tambm manter Mimas relativamente clara em termos de cor, mas as novas imagens obtidas no visvel pintam uma imagem de contrastes impressionantes. Os cientistas da equipa de imagem da Cassini no esperavam ver riscas escuras nas paredes brilhantes das crateras ou detritos estreitos e concentrados na base de cada parede.

    O padro pode existir devido maneira como a superfcie de Mimas envelhece, afirma Paul Helfenstein, associado da equipa de imagem da Cassini, da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque. Com o passar do tempo, a superfcie da lua parece acumular um fino vu de minerais de silicato ou partculas ricas em carbono, possivelmente por causa de poeira meterica que cai para a lua, ou impurezas j embebidas no gelo superficial.

    medida que os quentes raios solares e o vcuo do espao evaporam o gelo mais brilhante, o material mais escuro concentra-se e deixado para trs. A gravidade puxa o material escuro para baixo na cratera, expondo o gelo fresco por baixo. Embora efeitos similares possam ser observados noutras luas de Saturno, a visibilidade destes contrastes numa lua continuamente re-pavimentada com pequenas partculas do anel-E ajuda os cientistas a estimar rcios de mudana noutros satlites.

    "Estes processos no so nicos em Mimas, mas as novas imagens em alta-definio so como a Pedra de Roseta da sua interpretao," afirma Helfenstein.


    ESTRANHA DESCOBERTA EM TIT LEVA ESPECULAO DE VIDA EXTRATERRESTRE

    Novas descobertas despertaram muitos debates sobre a possibilidade de vida na lua de Saturno, Tit, que algumas fontes noticiosas j sobrevalorizaram como pistas de vida extraterrestre.

    No entanto, os cientistas j avisaram que os extraterrestres no tm nada a ver com estes achados.

    Toda esta excitao tem por base anlises de dados qumicos enviados pela sonda Cassini da NASA. Um estudo sugeria que o hidrognio "escorria" pela atmosfera de Tit e desaparecia na superfcie. O astrobilogo Chris McKay do Centro de Pesquisa Ames da NASA especulou que isto podia ser uma pista tantalizante que o hidrognio estava a ser consumido por vida.

    " o gs bvio para a vida consumir em Tit, semelhante ao modo como consumimos oxignio na Terra," afirma McKay.

    Outro estudo que investigava hidrocarbonetos na superfcie de Tit descobriu uma escassez de acetileno, um composto que pode ser consumido como alimento para a vida que depende do metano lquido - em vez de gua lquida - para viver.

    "Se estes sinais so realmente sinais de vida, seria duplamente excitante porque iria representar uma segunda forma de vida independente da vida baseada em gua na Terra," afirma McKay.

    No entanto, os cientistas da NASA acautelam que os extraterrestres podem no ter nada a ver com isto.

    "O conservacionismo cientfico sugere que a explicao biolgica dever ser sempre a ltima hiptese a ponderar aps todas as explicaes no-biolgicas serem excludas," afirma Mark Allen, investigador principal da equipa do Instituto Titan de Astrobiologia da NASA. "Temos muito trabalho pela frente com o intuito de exclur as explicaes no-biolgicas. mais provvel que um processo qumico, sem biologia, explique estes resultados."

    "Ambos os resultados so ainda preliminares," afirma McKay.

    At data, as formas de vida com base no metano so ainda especulao, e McKay props um conjunto de condies necessrias para estes tipos de organismos em Tit em 2005. Os cientistas ainda no detectaram este forma de vida em lado nenhum, embora existam micrbios com base em gua c na Terra que floresam no metano ou que o produzam como resduo.

    Em Tit, onde as temperaturas rondam os -179 C, quaisquer organismos teriam que usar uma substncia que lquida a essa temperatura para processos de vida. A prpria gua no possvel de usar, pois encontra-se no estado slido superfcie de Tit. A lista de candidatos lquidos muito curta -- metano lquido e molculas relacionadas como o etano. Estudos prvios descobriram que Tit tem lagos de metano lquido.

    A escassez de hidrognio detectada pela Cassini consistente com as condies que poderiam produzir vida com base em metano, mas no prova conclusivamente a sua existncia, avisa o cientista Darrell Strobel, cientista interdisciplinrio da Cassini da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, EUA, autor do artigo sobre o hidrognio e que aparece na edio online da revista Icarus.

    Strobel estudou as densidades do hidrognio em diferentes partes da atmosfera e da superfcie. Os modelos prvios teorizados pelos cientistas previam que as molculas de hidrognio, um subproduto da quebra do acetileno e de molculas de metano pela radiao ultravioleta na atmosfera superior, deveriam estar razoavelmente bem distribudas pelas camadas atmosfricas.

    As simulaes computacionais de Strobel sugerem um fluxo de hidrognio da atmosfera para a superfcie a uma proporo de 1x10^27 molculas por segundo.

    " como se tivssemos uma mangueira e esguichssemos hidrognio para o cho, mas ia desaparecendo," afirma Strobel. "No estava espera deste resultado, porque o hidrognio molecular extremamente inerte quimicamente na atmosfera, muito leve e flutuante. Deveria 'flutuar' do topo da atmosfera e escapar."

    Strobel disse que no provvel que o hidrognio seja armazenado numa gruta ou num qualquer espao subterrneo em Tit. Um mineral desconhecido pode estar a agir como um catalisador na superfcie de Tit para ajudar a converter as molculas de hidrognio e acetileno de volta a metano.

    Embora Allen tenha felicitado Strobel pela descoberta, ele reala a necessidade de um "modelo mais sofisticado para descobrir qual o fluxo de hidrognio."

    Os cientistas tambm esperavam que as interaces do Sol com os qumicos na atmosfera produzissem acetileno que cai e reveste a superfcie de Tit. Mas a Cassini mapeou os hidrocarbonetos na superfcie de Tit e no detectou qualquer acetileno superfcie - estes resultados encontram-se na edio online da revista Geophysical Research Letters.

    Em vez de vida extraterrestre em Tit, Allen diz que uma possibilidade que a luz solar ou raios csmicos possam estar a transformar acetileno, em aerosis gelados na atmosfera, em molculas mais complexas que caem para o cho sem qualquer assinatura de acetileno.

    Em adio, a Cassini detectou uma ausncia de gua gelada na superfcie de Tit, mas muitas quantidades de benzeno e outro material ainda por identificar, que parece ser um composto orgnico. Os investigadores dizem que uma camada de elementos orgnicos esto a cobrir a gua gelada que constitui o escudo rochoso de Tit. Esta camada de hidrocarbonetos mede pelo menos alguns milmetros at vrios centmetros em espessura, e possivelmente a maiores profundidades em alguns locais.

    "A qumica atmosfrica de Tit est a libertar compostos orgnicos que chovem na superfcie to abundantemente que mesmo at medida que torrentes de metano lquido e etano superfcie lavam estes compostos orgnicos, o gelo rapidamente coberto novamente," afirma Roger Clark, cientista da equipa da Cassini no USGS em Denver. "Tudo isto implica que Tit um lugar onde h qumica orgnica."

    Toda esta especulao excessiva, comenta Allen.

    "Normalmente, na pesquisa de vida, procuramos a presena de evidncias -- digamos, o metano observado na atmosfera de Marte, que no pode ser feito por processos fotoqumicos normais," acrescenta Allen. "Aqui estamos a falar sobre a ausncia em vez da presena de provas - a falta de hidrognio e acetileno - e muitas vezes existem processos no-biolgicos que podem explicar o porqu das coisas no existirem."

    Estas descobertas esto ainda "muito longe da prova de vida," afirma McKay. "Mas podem ser interessantes."


    SONDA HAYABUSA CHEGAR EM BREVE TERRA

    J passaram vrios anos - 29 de Novembro de 2005, para ser exacto - desde que uma sonda japonesa chamada Hayabusa aterrou num pequeno asteride com esperanas de recolher amostras da sua poeirenta superfcie e envi-las para a Terra. Se a misso tivesse corrido como planeado, as preciosas amostras do asteride 25143 Itokawa teriam chegado aos cientistas em Junho de 2007.

    Mas o voo da Hayabusa, a palavra japonesa para "falco", foi tudo menos normal. De facto, tem sido mais um desastre.

    A sonda quase se perdeu durante o encontro devido a uma srie de avarias que a poderiam ter condenado. Mas aguentou-se, apesar de uma grande perda de combustvel, da avaria de uma bateria e da perda de comunicaes durante dois meses. E depois falhou o seu sistema de controlo de orientao. A perda de trs dos seus quatro motores alimentados a xnon significou o atraso da sua chegada Terra por trs anos, seguida cuidadosamente a cada passo pela sua dedicada equipa de engenheiros.

    Bem, a Hayabusa est quase a. As ltimas notcias do gestor do projecto, Junichiro Kawaguchi, contam que foi enviado o comando para a sonda desligar o restante motor a 27 de Maro, aps ter gentilmente acelerado a sonda at 400 m/s no ltimo ano e a ter aproximado duma trajectria que a coloca a vrios milhares de quilmetros da Terra. "O que resta uma srie de correces da trajectria," explica Kawaguchi, "e a equipa do projecto est a finalizar as preparaes."

    Em meados de Junho, uma pequena cpsula de descida com 18 kg ir separar-se da sonda e entrar na atmosfera por cima da regio centro-Sul da Austrlia. A sonda maior, entretanto, ir afastar-se para evitar a Terra. Viajando pela escurido a 12,2 km/s, a cpsula abrir o seu pra-quedas e aterrar numa zona alvo, medindo 100 por 15 km, na remota regio de testes de Woomera.

    Aps o transporte para uma sala descontaminada na agncia espacial japonesa (JAXA), os cientistas iro abrir cuidadosamente a cpsula de 40 cm para descobrir, finalmente, se contm ou no amostras do asteride. No se sabe com certeza - embora tivesse aterrado na superfcie do Itokawa durante meia-hora, a Hayabusa no conseguiu disparar os dois pequenos chumbos desenhados para levantar material superficial para a sua recolha.

    O regresso bem sucedido da Hayabusa muito importante para o Japo, e at j esto planeadas festas. Kawaguchi tem cuidado em no divulgar publicamente a data exacta, e espera ainda o avalo das autoridades australianas. "No no comeo de Junho, nem no fim de Junho," afirma.

    Dado que as sondas raramente entram pela atmosfera com esta velocidade - os satlites em rbita da Terra caem trs vezes mais devagar - h muito interesse cientfico na prpria reentrada. A cpsula dever criar uma bola de fogo artificial comeando a cerca de 200 km de altitude e alcanar um brilho mximo de magnitude -6,7 (vrias vezes mais brilhante que Vnus) antes de abrir o seu pra-quedas.

    Durante o ltimo ano, o especialista em meteoros Peter Jenniskens do Instituto SETI na Califrnia, tem organizado uma equipa internacional para observar a chegada da cpsula a bordo de um jacto DC-8 repleto de instrumentos, voando perto da zona de recolha. Jenniskens organizou um evento semelhante para a chegada da cpsula de amostras da Stardust em Janeiro de 2006.

    Ir a Hayabusa, no obstante os seus problemas, chegar Terra? Ser que a cpsula contm as amostras do asteride Itokawa? Em breve desenrolar-se- o ltimo captulo desta espectacular misso!


    "POLUIO" ESTELAR SUGERE QUE PLANETAS ROCHOSOS SO COMUNS

    Talvez Frank Drake tenha razo. H quase meio sculo atrs, o astrnomo americano postulou que, com base em pura probabilidade estatstica, a Via Lctea podia estar repleta de planetas tipo-Terra. Agora, observaes de antigas estrelas como o nosso Sol, apelidadas de ans brancas, sugerem que a esmagadora maioria delas abrigou pelo menos um mundo rochoso. Dado que as estrelas que terminam a sua vida como ans brancas constituem bem mais de metade da populao estelar da Via Lctea (certos estudos apontam para uma percentagem superior a 90%), isto significa que centenas ou at milhares de civilizaes podem habitar na nossa Galxia.

    A questo de quantos mundos rochosos existem na Via Lctea desorienta os astrnomos h j quase cem anos. Mesmo hoje em dia, a tecnologia dificulta a pesquisa. Os astrnomos esto ainda a anos de serem capazes de fotografar directamente outra Terra. Os dois mtodos de deteco de planetas extrasolares envolvem ou o estudo de pequenas oscilaes no movimento de uma estrela, provocado pelo puxo gravitacional dos seus planetas em rbita, ou a observao da diminuio da luz da estrela quando um planeta passa entre esta e o observador terrestre. Ambos os mtodos j revelaram centenas de planetas tipo-Jpiter, mas no um gmeo da Terra - embora j tenham sido avistados alguns planetas rochosos gigantes.

    Hoje, numa reunio da Sociedade Astronmica Real em Glasgow, Reino Unido, uma equipa de investigadores apresenta um novo mtodo para estimar quantos planetas rochosos podem existir. O estudo centra-se nas ans brancas. Estes sis moribundos j brilharam como o nosso, mas no final da sua vida de 9 mil milhes de anos, cresceram e transformaram-se em gigantes vermelhas, estrelas com dimetros at 200 vezes o do nosso Sol (se isto acontecesse no nosso Sistema Solar, o Sol crescia at para l da rbita da Terra). Ento, gradualmente, estas estrelas inchadas murcham at metade do seu tamanho original, lentamente diminuindo de brilho e ficando rodeadas por uma grande mas fina atmosfera.

    De acordo com os cientistas, estas atmosferas podem ser um sinal fcil de ler, um sinal indicador da existncia prvia de planetas rochosos em rbita de estrelas mortas. Normalmente, estas atmosferas so dominadas por elementos leves, como o hidrognio e hlio, pois os elementos mais pesados tendem a car para o interior da estrela. Mas cerca de 20% das ans brancas esto poludas por elementos mais pesados. Uma teoria afirma que estas estrelas recolheram esta poluio ao absorver gs interestelar e poeira. "Esta teoria j existe h muito tempo," afirma Jay Farihi da Universidade de Leicester, Reino Unido. "Mas eu suspeitava que era falsa."

    A equipa de Farihi estudou o espectro, assinaturas qumicas da luz, em 146 ans brancas localizadas at vrias centenas de anos-luz da Terra, com o SDSS (Sloan Digital Sky Survey). De entre estas estrelas, 109 exibiram espectros que indicavam a presena atmosfrica de elementos mais pesados como o clcio. Os planetas rochosos so as nicas fontes provveis destes elementos pesados, por isso o espectro mostra que estas estrelas devem ter consumido tais planetas durante o seu estgio de gigante vermelha.

    Com base nos dados, a equipa extrapolou que pelo menos 3,5% de todas as estrelas como o Sol na Via Lctea actualmente contm planetas rochosos. Atravs de outro clculo grosseiro, isto significa que a nossa Galxia teve j, a dada altura, um mximo de mil milhes de planetas rochosos. Uma pequena fraco destes, por sua vez, podem ter sido do tipo Terra, o que significa que preenchiam determinados critrios, como a existncia de gua e presena na zona habitvel do sistema estelar.

    O estudo refora a ideia de que a formao de planetas em torno de outras estrelas " um resultado comum," afirma o cientista planetrio Jonathan Fortney da Universidade da Califrnia, Santa Cruz, EUA. To comum, salienta, que o nmero de estrelas com planetas rochosos "provavelmente muito maior" que o valor de 3,5% estimado pelos autores. Pode at ser superior a 20%, dado que alguns sistemas planetrios so inteiramente destrudos e no deixam traos para poluir a an branca com elementos mais pesados.

    Tambm interessante o indcio que algum deste material rochoso, poluidor de ans brancas, continha gua. As ans brancas estudadas tinham atmosferas de hlio, mas mostraram traos de hidrognio, um dos dois elementos que constituem a gua. Se o hidrognio e os metais forem oriundos de fontes diferentes, as estrelas que contm ambos devem ser raras, explicou Farihi. Mas na realidade so bastante comuns, sugerindo que o hidrognio e os metais tm a mesma fonte.

    "As rochas que forneceram os metais provavelmente forneceram o hidrognio," afirma Farihi. O hidrognio sugere que os minerais que continham metais tambm continham gua, um elemento essencial para a vida como a conhecemos. A descoberta de uma assinatura de oxignio nas atmosferas destas ans brancas poder ajudar a melhorar esta interpretao, mas Farihi afirma que a equipa precisa do Hubble para a descobrir. Pediram tempo de observao e esto espera da deciso.


    MODESTO TELESCPIO TERRESTRE FOTOGRAFA TRS EXOPLANETAS

    Astrnomos capturaram uma imagem de trs planetas em rbita de uma estrela para l do Sistema Solar usando um telescpio terrestre de tamanho modesto. O feito surpreendente foi alcanado por uma equipa do JPL da NASA em Pasadena, Califrnia, EUA, ao usar uma pequena poro do Telescpio Hale do Observatrio Palomar.

    Os planetas j tinham sido fotografados por dois dos maiores telescpios terrestres do mundo -- por um dos dois telescpios de 10 metros do Observatrio Keck e pelo telescpio de 8 metros do Observatrio Gemini Norte, ambos em Mauna Kea, Hawaii. Os planetas, que orbitam a estrela HR 8799, estiveram entre os primeiros a ser observados directamente, numa descoberta anunciada em Novembro de 2008.

    A nova imagem dos planetas, obtida, tal como anteriormente, no infravermelho, foi capturada usando apenas uma poro de 1,5 metros do espelho do Telescpio Hale. A equipa de astrnomos fez imensos esforos no desenvolvimento de nova tecnologia, at ao ponto de usarem apenas um telescpio assim to pequeno. Depois, combinaram duas tcnicas -- pticas adaptivas e um corongrafo -- para minimizar o brilho da estrela e revelar o brilho dos planetas muito mais tnues.

    "A nossa tcnica poder ser usada em telescpios terrestres maiores, para fotografar planetas que esto muito mais perto das suas estrelas-me, ou poder ser usada em pequenos telescpios espaciais para descobrir mundos tipo-Terra perto de estrelas brilhantes," afirma Gene Serabyn, astrofsico do JPL em associao com o Instituto de Tecnologia da Califrnia. Serabyn o autor principal do artigo cientfico que reporta as descobertas na edio de 15 de Abril da revista Nature.

    Pensa-se que os trs planetas, denominados HR8799b, c e d, sejam gigantes gasosos como Jpiter, mas mais massivos. Orbitam a sua estrela a aproximadamente 24, 37 e 68 vezes a distncia entre a Terra e o Sol, respectivamente (Jpiter orbita a 5 vezes a distncia Terra-Sol). possvel que mundos rochosos orbitem mais perto da estrela, mas com a tecnologia actual, so impossveis de ver devido ao seu brilho.

    A estrela HR 8799 um pouco mais massiva que o nosso Sol, mas muito mais jovem, com cerca de 60 milhes de anos, em comparao com os mais ou menos 4,6 mil milhes de anos do Sol. Est a 120 anos-luz de distncia na direco da constelao de Pgaso. O sistema planetrio desta estrela ainda activo, com corpos em coliso e expelindo poeira, recentemente detectada pelo Telescpio Espacial Spitzer da NASA. Tal como po acabado de fazer, os planetas esto ainda quentes da sua formao e emitem suficiente radiao infravermelha para serem observados pelos telescpios.

    Para obter uma imagem dos planetas de HR 8799, Serabyn e seus colegas usam ao incio um mtodo chamado pticas adaptivas para reduzir a quantidade de desfocagem atmosfrica, ou para retirar o "cintilar" da estrela. Esta tcnica foi optimizada ao usar apenas uma pequena parte do telescpio. Aps removerem o cintilar, a luz da prpria estrela foi bloqueada usando o corongrafo da equipa, um instrumento que selectivamente tapa a estrela. Um novo "corongrafo vrtice", inventado pelo membro da equipa Dimitri Mawet do JPL, foi usado neste passo. O resultado final foi uma imagem que mostra a luz dos trs planetas.

    "O truque est em suprimir a luz estelar sem suprimir a luz planetria," afirma Serabyn.

    A tcnica pode ser usada para observar o espao a apenas uma fraco de grau da estrela (cerca de um grau dividido por 10.000). Esta separao angular mais ou menos a mesma atingida pelo Gemini e pelo Keck -- telescpios que so, respectivamente, cinco e sete vezes maiores.

    Manter os telescpios pequenos muito importante para as misses espaciais. "Este o tipo de tecnologia que conseguir fotografar outras Terras," afirma Wesley Traub, lder cientfico do Programa de Explorao Exoplanetria do JPL. "Estamos a caminho de obter uma imagem de outro plido ponto azul no espao."


    EXPLICADA A ORIGEM DA MISTERIOSA LUZ ZODIACAL

    A origem do misterioso brilho que se prolonga pelo cu nocturno foi identificado por cientistas que examinaram as partculas que compem a luminosa nuvem de poeira.

    Com o nome de Luz Zodiacal, o tnue brilho provocado por milhes de pequenas partculas ao longo do percurso seguido pelo Sol, pela Lua e pelos planetas, tambm conhecido como eclptica.

    O brilho tnue e esbranquiado, que pode melhor ser observado no cu nocturno mesmo depois do pr-do-Sol ou antes do nascer-do-Sol na Primavera e no Outono, foi pela primeira vez identificado por Joshua Childrey em 1661 como luz solar espalhada na nossa direco por partculas de poeira no Sistema Solar.

    Mesmo assim, a fonte desta espessa nuvem de poeira tem sido tpico de debate.

    Num novo estudo, David Nesvorny e Peter Jenniskens descobriram que mais de 85% da poeira zodiacal oriunda da famlia de cometas de Jpiter (assim denominados porque as suas rbitas so alteradas pela passagem prxima pelo gigante gasoso, Jpiter), e no de asterides, como se pensava anteriormente.

    "Este o primeiro modelo inteiramente dinmico da nuvem zodiacal," afirma Nesvorny, cientista planetrio do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, Colorado, EUA. "Ns descobrimos que a poeira dos asterides no agitada o suficiente ao longo da sua vida para tornar a nuvem de poeira zodiacal to espessa como . Apenas a poeira de cometas de curto-perodo suficientemente dispersada por Jpiter para tal acontecer."

    Os investigadores identificaram a poeira oriunda da famlia de cometas de Jpiter aps examinar a forma da nuvem zodiacal, afirma Nesvorny.

    "Outros cometas, como os cometas tipo-Halley, tm grandes inclinaes orbitais," salienta Nesvorny. "Eles aproximam-se do Sistema Solar interior a partir de todas as direces, por isso se fossem estes os produtores da nuvem zodiacal, seria quase uma bola e no um disco. Os telescpios como o Spitzer, mostram que a nuvem zodiacal um disco. Isto aponta para a famlia de cometas de Jpiter, que tm inclinaes mais moderadas."

    Estes resultados confirmam o que Jenniskens, um astrnomo do Instituto SETI em Mountain View, Califrnia, h muito suspeitava. Perito em chuvas de meteoros, Jenniskens notou que a maioria delas consiste de poeira que se move em rbitas similares s dos cometas da famlia de Jpiter.

    Jenniskens descobriu um cometa inactivo na chuva de meteoros Quadrntidas em 2003 e desde a j identificou vrios corpos do mesmo gnero.

    Embora a maioria deles estejam actualmente inactivos na sua rbita actual em torno do Sol, todos se fragmentaram violentamente mesma altura, h milhares de anos atrs, criando detritos na forma de correntes de poeira que agora migraram para a rbita da Terra.

    Nesvorny e Jenniskens, com a ajuda de Harold Levison e William Bottke do Instituto de Pesquisa do Sudoeste, David Vokrouhlicky do Instituto de Astronomia da Universidade Charles em Praga, e Matthieu Gounelle do Museu de Histria Natural em Paris, demonstraram que estas perturbaes cometrias explicam a espessura observada na camada de poeira da nuvem zodiacal.

    E ao faz-lo, resolveram outro mistrio.

    H muito que se sabe que a neve na Antrtica contm uma percentagem notvel de micrometeoritos, e que 80-90% destes tm uma composio primitiva peculiar, rara entre os meteoritos maiores que se formaram a partir de asterides.

    "Estes micrometeoritos so pequenos meteoritos com aproximadamente 0,1 mm em tamanho," explica Nesvorny. "So encontrados no gelo da Antrtica, e no se sabia porque que tm uma composio diferente dos maiores meteoritos encontrados noutros lados."

    Nesvorny e Jenniskens sugerem que os micrometeoritos da Antrtica so na realidade fragmentos de cometas, o que explica a composio diferente dos outros meteoritos que vm da cintura de asterides. De acordo com os seus clculos, os gros cometrios mergulham pela atmosfera da Terra a velocidades baixas o suficiente para sobreviverem e alcanarem o cho.

    O estudo encontra-se na edio de 20 de Abril do Astrophysical Journal.


    SEGUINDO AS PEGADAS DO HUBBLE: MAIORES E MELHORES TELESCPIOS ESPACIAIS

    O Hubble celebra por esta altura o seu 20. aniversrio. Mas nem por isso os cientistas deixam de trabalhar na prxima gerao de telescpios espaciais, sucessores maiores e mais poderosos que o famoso instrumento orbital.

    O Telescpio Espacial Hubble foi lanado no dia 24 de Abril de 1990, com um espelho imperfeito, mas sobreviveu duas dcadas em grande parte devido s cinco misses de manuteno e reparao levadas a cabo pelos astronautas a bordo dos vaivns espaciais. O seu olhar csmico levou a descobertas sem paralelo acerca do Universo e a espantosas imagens do Cosmos que agora esto embebidas nos coraes e mentes do pblico.

    "O Hubble tornou-se num cone da Cincia porque consegue produzir imagens gloriosas," afirma Rick Fienberg, astrnomo da Sociedade Astronmica Americana.

    Mas dentro em breve a Cincia dar outros passos em frente.

    O Telescpio Espacial James Webb da NASA tem lanamento previsto para daqui a alguns anos. E outros novos observatrios espaciais esto tambm a ser considerados, mesmo que ainda no tenham recebido um avale oficial.

    A viso colectiva destes telescpios espaciais gigantes cobre um espectro que varia desde o infravermelho at aos raios-X, e poder permitir aos cientistas ver ainda mais para o passado, na direco do incio do Universo.

    "Cada gerao de telescpios lanada para o espao largamente superior que as anteriores, parcialmente devido maior abertura mas tambm a melhores detectores," reala Fienberg.

    O muito antecipado Telescpio James Webb (JWST) da NASA representa o prximo sucessor do Hubble, com lanamento previsto para 2014.

    Com um espelho primrio de 6,5 metros, tem quase sete vezes o poder do espelho do Hubble (2,4 metros). O JWST tambm bate o seu antecessor com um comprimento de 22 metros, quase o tamanho de um campo de tnis, em comparao com o tamanho de um autocarro escolar, 13,4 metros.

    O Hubble observa o Universo principalmente na luz visvel e em comprimentos de onda ultravioleta, com tambm uma pitada de infravermelho. Mas o JWST vai focar as suas observaes em maiores comprimentos de onda. Isto significa que o JWST conseguir ver as primeiras galxias que se moveram devido expanso do Universo, dado que a luz emitida por estas galxias-bebs deslocou-se para a parte mais vermelho do espectro.

    Existe um outro sucessor do Hubble e (j) do JWST ainda maior, mas por enquanto apenas em papel. O Advanced Technology Large Aperture (ATLAST) tem um espelho principal de pelo menos 8 metros de dimetro, mas possivelmente poder chegar aos 16 m. Este telescpio terico da NASA representa um dos seus pontos altos para os anos entre 2025 e 2035.

    Outros telescpios espaciais podero complementar os sucessores directos do Hubble e ajudar a substitur outros telescpios espaciais actualmente em rbita como o Observatrio de raios-X Chandra, o Telescpio Espacial Spitzer ou o Observatrio Espacial Herschel. Tais instrumentos cobrem as periferias mais extremas do espectro, que raramente conseguem atravessar a atmosfera da Terra at telescpios no cho.

    A prxima gerao do Spitzer e Herschel poder ser lanada em 2015. O observatrio Single Apertur Far-InfraRed (SAFIR) usa um nico espelho primrio que mede entre 5 e 10 metros de dimetro, em comparao com os 0,85 metros do Spitzer.

    Assim sendo, o SAFIR ser 1000 vezes mais sensvel que o Spitzer e o Herschel a detectar sinais infravermelhos e microondas.

    Outro projecto, o Observatrio Internacional de raios-X (IXO), representa um esforo conjunto entre a NASA, a ESA e a JAXA (a agncia espacial japonesa). Est desenhado como tendo um espelho raios-X concatenado com cerca de 20 vezes mais rea que qualquer outro observatrio em raios-X, e com um lanamento possvel por volta de 2021.

    Mas ao contrrio dos telescpios que observam o Universo no infravermelho ou no ultravioleta, o IXO usa espelhos primrios e secundrios colocados quase de lado na direco oriunda dos raios-X, para que a radiao ressalte de ambos num ngulo baixo. Isto impede com que os raios-X sejam simplesmente absorvidos pelos espelhos.

    Outro projecto implica a construo de um telescpio raios-X numa escala ainda maior que a do IXO. A misso Generation-X tem 500 vezes a rea de recolha do Observatrio Chandra, e poder examinar o nascimento e evoluo das primeiras estrelas, galxias e buracos negros.

    Ainda outros projectos, como o Terrestrial Planet Finder (TPF) proposto pela NASA, envolvem uma rede de dois ou mais telescpios espaciais. Tais instrumentos podem imitar a resoluo angular de lentes telescpicas muito maiores, ou at complementar observatrios na observao de fenmenos diferentes, como o caso do TPF.

    Os astrnomos naturalmente anseiam pela prxima gerao de maiores e melhores telescpios espaciais, porque cada destas importantes misses custa para cima de mil milhes de dlares e podem levar entre 10 e 20 anos a desenvolver. As misses de servio ajudaram o venervel Hubble a exceder o seu tempo esperado de vida, mas a maioria dos instrumentos apenas dura entre 5 e 10 anos.

    "Mesmo que se construa um hoje e lance amanh outro, estamos j a pensar no prximo e a fazer planos," explica Fienberg. "Caso contrrio, acabamos com misses separadas por uma dcada."

    S o JWST vai custar NASA, ESA e ao Canad qualquer coisa como 5 mil milhes de dlares, durante todo o seu ciclo de vida. "De momento, todos estes projectos excepo do James Webb esto apenas no papel," afirma Fienberg. "O JWST vai ser o maior telescpio em rbita ainda durante algum tempo."


    GUA GELADA DESCOBERTA PELA PRIMEIRA VEZ EM ASTERIDE

    Os asterides podem muito bem no ser os bocados de rocha inerte que os cientistas h muito pensam que so.

    Josh Emery, do departamento de cincias terrestres e planetrias da Universidade do Tennessee, Knoxville, EUA, descobriu evidncias de gua gelada e material orgnico no asteride 24 Themis. Estas evidncias suportam a ideia de que os asterides podem ser os responsveis por trazer gua e material orgnico para a Terra.

    Os achados esto detalhados na edio de 29 de Abril da revista Nature.

    Usando o Telescpio Infravermelho da NASA em Mauna Kea, Hawaii, Emery e Andrew Rivkin da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA, examinaram a superfcie de 24 Themis, um asteride com 200 quilmetros em dimetro que est situado entre Marte e Jpiter. Ao medir o espectro infravermelho reflectido pelo objecto, os investigadores descobriram que o espectro consistente com gua gelada e determinaram que 24 Themis est permeado com uma fina camada de gelo. Tambm detectaram material orgnico.

    "Os materiais orgnicos detectados parecem ser molculas complexas. 'Chovendo' numa Terra primitiva como meteoritos, estas podem ter dado o pontap inicial para o comeo da vida," afirma Emery.

    Emery notou que a descoberta de gelo na superfcie de 24 Themis foi surpreendente porque esta demasiado quente para o gelo a ficar durante muito tempo.

    "Isto significa que o gelo muito abundante no interior de 24 Themis e talvez em muitos outros asterides. Este gelo pode ser a resposta ao puzzle da origem da gua na Terra," afirma.

    Mesmo assim, a origem da gua no asteride incerta.

    A distncia de 24 Themis ao Sol faz com que o gelo vaporize. No entanto, as descobertas dos cientistas sugerem que a vida dos gelos no asteride varia entre os milhares e os milhes de anos, dependendo da latitude. Por isso, o gelo dever estar a ser regularmente reabastecido. Os cientistas teorizam que isto alcanado por um processo de libertao gasosa no qual o gelo enterrado por baixo da superfcie lentamente escapa como vapor, migra atravs de rachas superfcie ou escapa rapidamente e esporadicamente quando 24 Themis atingido por detritos espaciais. Dado que Themis faz parte de uma "famlia" de asterides formada a partir de um grande impacto e subsequente fragmentao de um corpo maior h muito tempo atrs, este cenrio salienta que o corpo-me tambm continha gelo e tem profundas implicaes para a formao do Sistema Solar.

    A descoberta de gelo abundante em 24 Themis demonstra que a gua muito mais comum na cintura principal de asterides do que se pensava.

    "Os asterides so geralmente vistos como sendo muito secos. Parece agora que quando os asterides e planetas se formavam no incio do Sistema Solar, o gelo prolongou-se para a regio da cintura de asterides," afirma Emery. "Aplicando esta viso para sistemas planetrios em torno de outras estrelas, os constituintes da vida - gua e material orgnico - podem ser mais comuns perto da zona habitvel de cada estrela. Os prximos anos vo ser muito excitantes medida que os astrnomos investigam para descobrir se estes blocos da vida tambm a 'fizeram das suas'."

    A descoberta dos cientistas tambm confunde ainda mais cometas com asterides. H muito que os asterides so considerados rochosos e os cometas gelados. Alm do mais, uma teoria afirma que foram os cometas que trouxeram a gua para a Terra. Esta teoria foi descartada quando se descobriu que a gua dos cometas tem assinaturas isotpicas diferentes que a gua na Terra.

    Agora, graas s descobertas de Emery e Rivkin, muitos questionam-se se os asterides podero ser os responsveis por polvilhar a Terra com os ingredientes da vida.


    AS DISTNCIAS NO CU NOCTURNO

    Por vezes, a distncia aparente entre dois objectos celestes - a distncia que podemos realmente ver no cu - indicada em termos de ngulos. Mas estas descries podem ser como uma lngua estrangeira para quem no est habituado. Por isso, aqui fica uma ajudinha.

    Se medssemos a distncia em torno do crculo de todo o horizonte - de Norte, passando por Este, Sul, Oeste e Norte outra vez -, totalizvamos 360 graus.

    Do horizonte ao ponto directamente por cima das nossas cabeas (o znite), vo 90 graus; de um ponto no horizonte, passando pelo znite, e continuando at ao lado do oposto do cu, so 180 graus.

    Tambm pode usar o seu punho fechado como um sextante para medir a altura da Lua, de uma estrela ou planeta por cima do horizonte. Um punho fechado, distncia de um brao esticado, mede aproximadamente 10 graus. Por isso pode usar o seu punho para fazer uma razovel estimativa, quer horizontalmente quer verticalmente.

    As prprias estrelas podem servir de rguas no cu. A famosa cintura de Orionte, por exemplo, mede coisa de 3 graus e as estrelas gmeas de Gmeos (Pollux e Castor) esto separadas por pouco mais de 4.

    Esta semana, a constelao de Leo situa-se convenientemente alta no cu a Sul ao pr-do-Sol. O padro estelar em forma de "ponto de interrogao invertido" forma a cabea de Leo e mede, de cima para baixo, 14 graus. A distncia entre as duas estrelas mais brilhantes de Leo, Rgulo e Denbola, de 24 graus.

    Ocasionalmente, dois planetas ou uma estrela e um planeta, parecem excepcionalmente perto um do outro no cu; a sua distncia menor que um grau.

    Em to invulgares casos, podemos medir a distncia entre os dois objectos em dcimas de grau ou, em casos mais extremos, em segundos de arco. Um grau, por exemplo, equivale a 60 arco-minutos. Meio grau, o tamanho aparente mdio da Lua, equivalente a 30 arco-minutos.

    Na Ursa Maior, a estrela no meio da pega da frigideira Mizar, e tem uma companheira mais tnue com um quinto do seu brilho, conhecida como Alcor.

    Mizar e Alcor em tempos medievais testavam a vista dos arqueiros reais (caso conseguissem ver duas estrelas e no apenas uma, seriam aceites), mesmo embora pessoas com falta de vista consigam observ-las. Esto separadas por apenas 0,11 ou 6,6 arco-minutos (396 arco-segundos); se quiser pode observ-las esta noite. De facto, dois planetas brilhantes ou um planeta e uma estrela, separadas por esta distncia ou menos, proporcionam uma esplndida vista astronmica.

    Nos prximos 20 anos tero lugar algumas conjunes muito prximas, nas quais dois objectos - ou dois planetas brilhantes ou uma estrela brilhante e um planeta - vo estar separados por menos de 12 arco-minutos. Na tabela abaixo encontram-se cinco exemplos.

    DATA OBJECTOS SEPARAO ALTURA DE OBSERVAO

    03/10/2012 Vnus/Rgulo 0,07 Antes do nascer-do-Sol
    27/08/2016 Vnus/Jpiter 0,09 Depois do pr-do-Sol
    21/12/2020 Jpiter/Saturno 0,06 Depois do pr-do-Sol
    28/07/2023 Mercrio/Rgulo 0,16 Depois do pr-do-Sol
    02/10/2028 Vnus/Rgulo 0,27 Antes do nascer-do-Sol

    Os estudiosos da Bblia e da Histria tero certamente um interesse especial em observar a conjuno de Vnus/Jpiter em Agosto de 2016, pois h quem teorize que uma aproximao deste gnero, no cu a Este ao lusco-fusco do dia 3 de Agosto do ano 3 AC, poderia ter sido o que os reis Magos comunicaram ao Rei Herodes como sendo a famosa Estrela de Belm.

    Ainda mais intrigante a conjuno de Jpiter e Saturno no dia 21 de Dezembro de 2020.

    As conjunes entre Jpiter e Saturno ocorrem mdia de uma a cada 20 anos. Mas a de 2020 ser invulgar porque raro os planetas estarem to prximos um do outro. J alguma vez quis observar Jpiter e seus satlites a passarem pelo mesmo campo de viso telescpica que Saturno e o seu sistema de anis?

    Pois bem, ser nessa noite! De facto, a ltima vez que estiveram to perto foi em Julho de 1623 e s o estaro novamente em Maro de 2080. Marque no seu calendrio!

    Dado que mede meio-grau em tamanho aparente, h quem pense que a Lua pode ser utilizada para medir distncias angulares, mas tal no o caso.

    Em primeiro lugar, h a famosa iluso de que o nosso satlite natural parece muito maior em tamanho quando est perto do horizonte. De facto, a Lua ao nascer pode por vezes parecer enorme, e uma ou duas horas depois parecer ter diminudo consideravelmente em tamanho. Este estranho efeito intrigou artistas e confundiu psiclogos durante muitos anos, e encantou pessoas desde tempos longnquos, at personagens famosas como Aristteles, entre outros.

    Ningum parece saber com exactido o porqu disto acontecer, embora a explicao mais popular que a iluso da Lua uma iluso ptica relacionada como a denominada iluso de Ponzo, na qual a mente humana julga o tamanho de um objecto com base em objectos no pano da frente e de trs, como rvores ou casas, enganando o nosso crebro a pensar que a Lua muito maior do que na realidade .
    Mas mesmo quando est alta no cu, a Lua parece "demasiado grande" para medir meio-grau em dimetro. E esta iluso no est confinada ao cu, ainda mais evidente no "Universo faz-de-conta" de um planetrio.

    Quandos os primeiros projectores foram desenhados e projectaram a imagem da Lua com meio-grau na cpula de um planetrio, tal como aparece no cu, descobriu-se que aparecia demasiado pequena para ser realista, embora tivesse o tamanho angular correcto em relao ao cu de fundo.

    Para rectificar este problema, os engenheiros duplicaram o tamanho da imagem projectada da Lua para um grau, o que representa uma aparncia muito mais realista; um dos nicos lugares onde a preciso foi sacrificada a favor do realismo.

    Similarmente, a Lua parece muito maior contra um cu verdadeiro. Tente esta experincia mental uma destas noites, quando puder ver a Ursa Maior e a Lua no cu ao mesmo tempo.

    Primeiro observe Dubhe e Merak, as duas estrelas usadas para apontar para a Estrela Polar. Agora, olhando para a Lua e novamente para Dubhe e Merak, tente estimar quantas Luas caberiam entre as duas estrelas.

    Tenha em ateno que estas duas estrelas esto separadas por qualquer coisa como cinco graus e meio. E como j se disse, a prpria Lua parece medir meio-grau em dimetro.

    Isto significa que conseguiria encaixar volta de 11 Luas entre as duas estrelas. um facto muito difcil de aceitar. Talvez caibam quatro Luas no espao entre as duas estrelas; cinco no mximo.

    Mas 11? O cu nocturno est cheio de surpresas.


    UM ENXAME E UM MAR DE GALXIAS

    Uma nova imagem de grande campo divulgada pelo ESO mostra vrios milhares de galxias longnquas, entre as quais se encontra um grande grupo pertencente a um enxame de galxias de grande massa conhecido como Abell 315. Embora parea j bastante denso em termos de objectos, este conjunto de galxias apenas a "ponta do icebergue", uma vez que Abell 315 - tal como a maioria dos enxames de galxias - dominado por matria escura. A enorme quantidade de massa deste enxame desvia a radiao emitida pelas galxias de fundo, distorcendo ligeiramente as suas formas observadas.

    Quando observamos o cu a olho nu, vemos principalmente estrelas da nossa Via Lctea e algumas pertencentes s galxias vizinhas mais prximas. As galxias mais distantes so muito pouco luminosas para poderem ser observadas a olho nu, mas se as pudssemos ver, elas cobririam literalmente todo o cu. Esta nova imagem divulgada pelo ESO cobre uma grande regio no cu e simultaneamente muito profunda, ou seja, foi obtida durante um tempo de exposio elevado, revelando assim milhares de galxias que se amontoam numa rea do cu correspondente mais ou menos ao tamanho da Lua Cheia.

    Estas galxias encontram-se a diferentes distncias da Terra. Algumas esto relativamente perto de ns, e nelas podemos distinguir os seus braos espirais ou os halos elpticos, principalmente na parte superior da imagem. As mais distantes aparecem apenas como pequenas manchas muito pouco luminosas - a sua luz viajou atravs do Universo durante oito mil milhes de anos ou mais antes de chegar Terra.

    Comeando no centro da imagem e estendendo-se para baixo e para a esquerda, uma concentrao de cerca de cem galxias amareladas identifica um enxame de galxias de grande massa, designado com o nmero 315 no catlogo compilado pelo astrnomo americano George Abell em 1958. O enxame situa-se entre as galxias vermelhas e azuis de fraca luminosidade e a Terra, a cerca de dois mil milhes de anos-luz de distncia, na Constelao da Baleia.

    Os enxames de galxias so uma das maiores estruturas do Universo ligadas gravitacionalmente. Mas estas estruturas so muito mais do que as galxias que podemos ver. Na realidade, as galxias contribuem com apenas 10% da massa, enquanto que o gs quente existente entre as galxias contribui com mais 10%. Os restantes 80% da massa so compostos por um ingrediente invisvel e desconhecido chamado matria escura que se encontra entre as galxias.

    A presena de matria escura revelada atravs do seu efeito gravitacional: a enorme massa do enxame de galxias actua na radiao emitida por galxias que se encontram por trs do enxame tal como uma lupa csmica, encurvando a trajectria da luz e tornando as galxias ligeiramente distorcidas. Ao observar e analisar as formas distorcidas destas galxias de fundo, os astrnomos podem estimar a massa total do enxame responsvel por essa distoro, mesmo quando a maior parte da massa invisvel. No entanto, este efeito normalmente muito pequeno e por isso necessrio medi-lo para um elevado nmero de galxias de modo a obter resultados significativos: no caso de Abell 315, foram estudadas as formas de quase 10.000 galxias de fraca luminosidade desta imagem, de modo a estimar a massa total do enxame, que resulta em cerca de cem bilies de vezes a massa do nosso Sol.

    Para complementar a enorme escala de distncias csmicas e tamanhos mapeados nesta imagem, esto igualmente espalhados pelo campo um punhado de objectos muito mais pequenos do que galxias e enxames de galxias e muito mais prximos da Terra: para alm de vrias estrelas pertencentes nossa Galxia, muitos asterides aparecem igualmente sob a forma de rastos azuis, verdes ou vermelhos. Estes objectos pertencem cintura de asterides principal, situada entre as rbitas de Marte e Jpiter, e as suas dimenses variam desde algumas dezenas de quilmetros, para os mais brilhantes a apenas alguns quilmetros no caso dos menos brilhantes.

    Esta imagem foi obtida com o instrumento Wide Field Imager montado no telescpio MPG/ESO de 2,2 metros, no Observatrio de La Silla, Chile. uma imagem composta por vrias exposies adquiridas em trs filtros de banda larga diferentes, num total de quase uma hora para o filtro B e meias horas para os filtros V e R. O tamanho do campo de 34x33 minutos de arco.


    UM ENXAME E UM MAR DE GALXIAS

    Uma nova imagem de grande campo divulgada pelo ESO mostra vrios milhares de galxias longnquas, entre as quais se encontra um grande grupo pertencente a um enxame de galxias de grande massa conhecido como Abell 315. Embora parea j bastante denso em termos de objectos, este conjunto de galxias apenas a "ponta do icebergue", uma vez que Abell 315 - tal como a maioria dos enxames de galxias - dominado por matria escura. A enorme quantidade de massa deste enxame desvia a radiao emitida pelas galxias de fundo, distorcendo ligeiramente as suas formas observadas.

    Quando observamos o cu a olho nu, vemos principalmente estrelas da nossa Via Lctea e algumas pertencentes s galxias vizinhas mais prximas. As galxias mais distantes so muito pouco luminosas para poderem ser observadas a olho nu, mas se as pudssemos ver, elas cobririam literalmente todo o cu. Esta nova imagem divulgada pelo ESO cobre uma grande regio no cu e simultaneamente muito profunda, ou seja, foi obtida durante um tempo de exposio elevado, revelando assim milhares de galxias que se amontoam numa rea do cu correspondente mais ou menos ao tamanho da Lua Cheia.

    Estas galxias encontram-se a diferentes distncias da Terra. Algumas esto relativamente perto de ns, e nelas podemos distinguir os seus braos espirais ou os halos elpticos, principalmente na parte superior da imagem. As mais distantes aparecem apenas como pequenas manchas muito pouco luminosas - a sua luz viajou atravs do Universo durante oito mil milhes de anos ou mais antes de chegar Terra.

    Comeando no centro da imagem e estendendo-se para baixo e para a esquerda, uma concentrao de cerca de cem galxias amareladas identifica um enxame de galxias de grande massa, designado com o nmero 315 no catlogo compilado pelo astrnomo americano George Abell em 1958. O enxame situa-se entre as galxias vermelhas e azuis de fraca luminosidade e a Terra, a cerca de dois mil milhes de anos-luz de distncia, na Constelao da Baleia.

    Os enxames de galxias so uma das maiores estruturas do Universo ligadas gravitacionalmente. Mas estas estruturas so muito mais do que as galxias que podemos ver. Na realidade, as galxias contribuem com apenas 10% da massa, enquanto que o gs quente existente entre as galxias contribui com mais 10%. Os restantes 80% da massa so compostos por um ingrediente invisvel e desconhecido chamado matria escura que se encontra entre as galxias.

    A presena de matria escura revelada atravs do seu efeito gravitacional: a enorme massa do enxame de galxias actua na radiao emitida por galxias que se encontram por trs do enxame tal como uma lupa csmica, encurvando a trajectria da luz e tornando as galxias ligeiramente distorcidas. Ao observar e analisar as formas distorcidas destas galxias de fundo, os astrnomos podem estimar a massa total do enxame responsvel por essa distoro, mesmo quando a maior parte da massa invisvel. No entanto, este efeito normalmente muito pequeno e por isso necessrio medi-lo para um elevado nmero de galxias de modo a obter resultados significativos: no caso de Abell 315, foram estudadas as formas de quase 10.000 galxias de fraca luminosidade desta imagem, de modo a estimar a massa total do enxame, que resulta em cerca de cem bilies de vezes a massa do nosso Sol.

    Para complementar a enorme escala de distncias csmicas e tamanhos mapeados nesta imagem, esto igualmente espalhados pelo campo um punhado de objectos muito mais pequenos do que galxias e enxames de galxias e muito mais prximos da Terra: para alm de vrias estrelas pertencentes nossa Galxia, muitos asterides aparecem igualmente sob a forma de rastos azuis, verdes ou vermelhos. Estes objectos pertencem cintura de asterides principal, situada entre as rbitas de Marte e Jpiter, e as suas dimenses variam desde algumas dezenas de quilmetros, para os mais brilhantes a apenas alguns quilmetros no caso dos menos brilhantes.

    Esta imagem foi obtida com o instrumento Wide Field Imager montado no telescpio MPG/ESO de 2,2 metros, no Observatrio de La Silla, Chile. uma imagem composta por vrias exposies adquiridas em trs filtros de banda larga diferentes, num total de quase uma hora para o filtro B e meias horas para os filtros V e R. O tamanho do campo de 34x33 minutos de arco.


    DESCOBERTO O ENXAME GALCTICO MAIS DISTANTE AT AGORA

    Uma equipa internacional de astrnomos alemes e japoneses descobriu o enxame galctico mais distante at agora conhecido - a 9,6 mil milhes de anos-luz. As observaes em raios-X e no infravermelho mostraram que o enxame tem predominantemente galxias velhas e massivas, demonstrando que as galxias formaram-se quando o Universo era ainda muito jovem. Estas e outras observaes similares providenciam novas informaes no s sobre a evoluo galctica, mas tambm sobre a histria do Universo como um todo.

    Os enxames de galxias so os maiores aglomerados no Universo. A nossa Galxia, a Via Lctea, faz parte do enxame de Virgem, que compreende entre 1000 e 2000 galxias. Ao observar as galxias e enxames muito distantes da Terra, os astrnomos podem observar o passado, pois a sua luz emitida levou milhares ou milhares de milhes de anos a alcanar os telescpios dos astrnomos.

    Uma equipa internacional de astrnomos do Instituto Max Planck para a Fsica Extraterrestre, da Universidade de Tquio e da Universidade de Quioto, descobriu o enxame galctico mais distante j observado. As observaes em raios-X feitas pelo Subaru XMM-Newton Deep Field ajudaram a identificar os candidatos, e as observaes no infravermelho usando o telescpio Subaru forneceram a informao da distncia. Uma particularidade desta descoberta consiste no uso de comprimentos de onda infravermelhos, invisveis ao olho nu. Isto ditado pela expanso do Universo, que fora as galxias distantes a terem grandes velocidades, mudando a sua luz visvel para comprimentos de onda infravermelhos. O instrumento MOIRCS (Multi-Object Infrared Camera and Spectrometer) acoplado ao telescpio Subaru trabalha em comprimentos de onda quase-infravermelhos, onde as galxias so mais luminosas.

    "O instrumento MOIRCS tem uma capacidade extremamente poderosa de medir distncias s galxias. Isto foi o que tornou possvel a nossa difcil observao," afirma Masayuki Tanaka da Universidade de Tquio. "Embora tenhamos confirmado s algumas galxias massivas quela distncia, existem evidncias convincentes de que o enxame um enxame real e gravitacionalmente ligado."

    O facto das galxias individuais estarem ligadas pela gravidade foi confirmado por observaes num comprimento de onda totalmente diferente: a matria entre as galxias do enxame aquecida at temperaturas extremas e emite luz em comprimentos de onda muito mais pequenos que o visvel vista desarmada. A equipa usou por isso o observatrio espacial XMM-Newton para observar esta radiao em raios-X.

    "Apesar das dificuldades em recolher fotes em raios-X com um telescpio de tamanho similar a um telescpio de quintal, detectmos uma clara assinatura de gs quente no enxame," explica Alexis Finoguenov do Instituto Max Planck para Fsica Extraterrestre.

    A combinao destas observaes em diferentes comprimentos de onda levou descoberta pioneira do enxame galctico distncia de 9,6 mil milhes de anos-luz - 400 milhes de anos mais para o passado que o enxame que anteriormente detinha este recorde.

    A anlise dos dados recolhidos acerca das galxias individuais mostra que o enxame contm j uma abundncia de galxias massivas e evoludas, formadas qualquer coisa como 2 mil milhes de anos antes. Dado que os processos dinmicos de envelhecimento galctico so lentos, a presena destas galxias requer que o enxame se agregue atravs da fuso de grupos massivos de galxias, cada alimentando a sua galxia dominante. O enxame por isso um laboratrio ideal para o estudo da evoluo galctica, numa altura em que o Universo tinha cerca de um-tero da sua idade actual.

    Dado que estes distantes enxames galcticos so importantes exemplos da estrutura a larga-escala e das flutuaes de densidade primordial no Universo, observaes semelhantes no futuro iro proporcionar importantes informaes para os cosmlogos. Os resultados obtidos at agora demonstram que as capacidades infravermelhas actuais conseguem fornecer uma anlise detalhada das populaes galcticas distantes e que a combinao com dados em raios-X se torna numa nova e poderosa ferramenta. A equipa est, ento, procura de enxames ainda mais distantes.


    UM ENXAME E UM MAR DE GALXIAS

    Uma nova imagem de grande campo divulgada pelo ESO mostra vrios milhares de galxias longnquas, entre as quais se encontra um grande grupo pertencente a um enxame de galxias de grande massa conhecido como Abell 315. Embora parea j bastante denso em termos de objectos, este conjunto de galxias apenas a "ponta do icebergue", uma vez que Abell 315 - tal como a maioria dos enxames de galxias - dominado por matria escura. A enorme quantidade de massa deste enxame desvia a radiao emitida pelas galxias de fundo, distorcendo ligeiramente as suas formas observadas.

    Quando observamos o cu a olho nu, vemos principalmente estrelas da nossa Via Lctea e algumas pertencentes s galxias vizinhas mais prximas. As galxias mais distantes so muito pouco luminosas para poderem ser observadas a olho nu, mas se as pudssemos ver, elas cobririam literalmente todo o cu. Esta nova imagem divulgada pelo ESO cobre uma grande regio no cu e simultaneamente muito profunda, ou seja, foi obtida durante um tempo de exposio elevado, revelando assim milhares de galxias que se amontoam numa rea do cu correspondente mais ou menos ao tamanho da Lua Cheia.

    Estas galxias encontram-se a diferentes distncias da Terra. Algumas esto relativamente perto de ns, e nelas podemos distinguir os seus braos espirais ou os halos elpticos, principalmente na parte superior da imagem. As mais distantes aparecem apenas como pequenas manchas muito pouco luminosas - a sua luz viajou atravs do Universo durante oito mil milhes de anos ou mais antes de chegar Terra.

    Comeando no centro da imagem e estendendo-se para baixo e para a esquerda, uma concentrao de cerca de cem galxias amareladas identifica um enxame de galxias de grande massa, designado com o nmero 315 no catlogo compilado pelo astrnomo americano George Abell em 1958. O enxame situa-se entre as galxias vermelhas e azuis de fraca luminosidade e a Terra, a cerca de dois mil milhes de anos-luz de distncia, na Constelao da Baleia.

    Os enxames de galxias so uma das maiores estruturas do Universo ligadas gravitacionalmente. Mas estas estruturas so muito mais do que as galxias que podemos ver. Na realidade, as galxias contribuem com apenas 10% da massa, enquanto que o gs quente existente entre as galxias contribui com mais 10%. Os restantes 80% da massa so compostos por um ingrediente invisvel e desconhecido chamado matria escura que se encontra entre as galxias.

    A presena de matria escura revelada atravs do seu efeito gravitacional: a enorme massa do enxame de galxias actua na radiao emitida por galxias que se encontram por trs do enxame tal como uma lupa csmica, encurvando a trajectria da luz e tornando as galxias ligeiramente distorcidas. Ao observar e analisar as formas distorcidas destas galxias de fundo, os astrnomos podem estimar a massa total do enxame responsvel por essa distoro, mesmo quando a maior parte da massa invisvel. No entanto, este efeito normalmente muito pequeno e por isso necessrio medi-lo para um elevado nmero de galxias de modo a obter resultados significativos: no caso de Abell 315, foram estudadas as formas de quase 10.000 galxias de fraca luminosidade desta imagem, de modo a estimar a massa total do enxame, que resulta em cerca de cem bilies de vezes a massa do nosso Sol.

    Para complementar a enorme escala de distncias csmicas e tamanhos mapeados nesta imagem, esto igualmente espalhados pelo campo um punhado de objectos muito mais pequenos do que galxias e enxames de galxias e muito mais prximos da Terra: para alm de vrias estrelas pertencentes nossa Galxia, muitos asterides aparecem igualmente sob a forma de rastos azuis, verdes ou vermelhos. Estes objectos pertencem cintura de asterides principal, situada entre as rbitas de Marte e Jpiter, e as suas dimenses variam desde algumas dezenas de quilmetros, para os mais brilhantes a apenas alguns quilmetros no caso dos menos brilhantes.

    Esta imagem foi obtida com o instrumento Wide Field Imager montado no telescpio MPG/ESO de 2,2 metros, no Observatrio de La Silla, Chile. uma imagem composta por vrias exposies adquiridas em trs filtros de banda larga diferentes, num total de quase uma hora para o filtro B e meias horas para os filtros V e R. O tamanho do campo de 34x33 minutos de arco.


    HUBBLE OBSERVA ESTRELA A ESCAPAR DE 30 DOURADO

    Uma estrela massiva est a fugir de um berrio estelar vizinho a mais de 400.000 km/h, uma velocidade que permite ir Lua e voltar em menos de 2 horas. Esta fugitiva o caso mais extremo de uma estrela massiva expelida do seu lar por um grupo de irms ainda mais massivas.

    Esta estrela vagabunda est situada nos arredores da nebulosa 30 Dourado, um berrio estelar spero na vizinha Grande Nuvem de Magalhes. A descoberta suporta a ideia de que as estrelas mais massivas no Universo Local residem em 30 Dourado, o que o torna num laboratrio nico para o estudo de estrelas gigantes. 30 Dourado, tambm denominado Nebulosa da Tarntula, est a aproximadamente 170.000 anos-luz da Terra.

    As tantalizantes pistas so oriundas de trs observatrios, inclundo o recm-instalado instrumento COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Telescpio Hubble, e de genuno trabalho de detective, sugerindo que a estrela poder ter viajado cerca de 375 anos-luz a partir do seu suspeito lar, um gigante enxame estelar denominado R136. Aninhado no ncleo de 30 Dourado, R136 contm algumas estrelas que ultrapassam as 100 massas solares cada.

    As observaes tambm proporcionam informaes acerca do comportamento de enxames estelares massivos.

    "Estes resultados so de grande interesse porque tais processos dinmicos em enxames massivos e muito densos, foram previstos teoricamente h j algum tempo, mas esta a primeira observao directa do processo numa regio deste gnero," afirma Nolan Walborn do Instituto Cientfico do Telescpio Espacial (STSI) em Baltimore, EUA, e membro da equipa do instrumento COS que observou a estrela irrequieta. "Estrelas fugitivas menos massivas, observadas no Enxame da Nebulosa de Orionte, foram descobertas h mais de meio sculo atrs, mas esta a primeira potencial confirmao das previses mais recentes aplicadas aos enxames mais massivos e jovens."

    Este tipo estelar pode existir de dois modos. Uma estrela pode encontrar uma ou duas mais pesadas num enxame massivo e denso, e ser expulsa atravs de um jogo estelar de pinball. Ou, uma estrela pode levar um 'pontap' de uma exploso de supernova num sistema binrio, no qual a estrela mais massiva explode primeiro.

    " geralmente aceite, no entanto, dado que R136 suficientemente jovem, com 1 ou 2 milhes de anos, que as estrelas mais massivas do enxame ainda no explodiram como supernovas," afirma Danny Lennon, membro da equipa do COS no STSI. "Isto significa que a estrela s poder ter sido expelida atravs de interaces dinmicas."

    A equipa de pesquisa, liderada por Chris Evans do Observatrio Real de Edimburgo, publicou os resultados do estudo na edio on-line de 5 de Maio da revista Astrophysical Journal Letters.

    Os astrnomos procuravam esta estrela fugitiva desde 2006, quando uma equipa liderada por Ian Howarth da Universidade de Londres a avistou com o Telescpio Anglo-Australiano no Observatrio Siding Spring. A observao revelou que a estrela era azul-esbranquiada, excepcionalmente quente, massiva e relativamente distante de qualquer enxame no qual este gnero estelar geralmente encontrado.

    Os astrnomos do Hubble encontraram outra pista inesperada quando usaram a estrela para calibrar o instrumento COS, instalado em Maio de 2009 durante a 4. Misso de Servio. As observaes espectroscpicas no ultravioleta, feitas em Julho desse ano, mostraram que a estrela desobediente est a libertar uma srie de partculas carregadas num dos mais poderosos ventos estelares conhecidos, um claro sinal de que extremamente massiva, talvez at com 90 vezes a massa do Sol. A estrela, por isso, tambm deve ser muito jovem, com cerca de 1-2 milhes de anos, pois estas estrelas extremamente massivas vivem apenas poucos milhes de anos.

    Pesquisando por entre o arquivo de imagens do Hubble, os astrnomos descobriram outra prova importante. Uma imagem ptica da estrela obtida pela cmara WFPC2 em 1995 revelou que se encontrava no limite de uma cavidade oval. Os limites brilhantes desta cavidade prolongavam-se para trs da estrela e apontavam na direco da sua anterior casa em 30 Dourado.

    Outro estudo espectroscpico feito com o VLT do ESO no Observatrio Paranal, Chile, revelou que a velocidade da estrela constante e no o resultado do movimento orbital num sistema binrio. A sua velocidade corresponde a um movimento invulgar relativamente aos arredores da estrela, provando que uma estrela fugitiva.

    O estudo tambm confimou que a luz oriunda da estrela provm de uma nica estrela massiva, em vez da luz combinada de duas estrelas de menor massa. Em adio, a observao estabeleceu que a estrela cerca de 10 vezes mais quente que o Sol, uma temperatura consistente com um objecto de alta-massa.

    As observaes do VLT fazem parte de um programa denominado Estudo Tarntula FLAMES (espectrografia multi-objecto do VLT). Este estudo, conduzido por uma equipa internacional liderada por Evans no Observatrio Real, compreende mais de 900 estrelas na regio de 30 Dourado. Tal como as observaes da estrela com o COS, os resultados do FLAMES foram tambm fortuitas. A estrela est longe da regio central da nebulosa, no limite do campo de estudo do FLAMES.

    Esta renegada estelar pode muito bem no ser a nica na regio. Duas outras estrelas massivas e extremamente quentes foram avistadas para l do limite de 30 Dourado. Os astrnomos suspeitam que estas estrelas foram tambm expulsas do seu lar. Planeiam analisar as estrelas em detalhe para determinar se 30 Dourado est a expulsar um conjunto de estrelas massivas para a vizinhana em redor.

    Esta estrela continuar a viajar pelo espao, afirma Paul Crowther, da Universidade de Sheffield no Reino Unido e tambm membro da equipa. Eventualmente, acabar a sua vida numa gigantesca exploso de supernova, provavelmente deixando para trs um buraco negro.


    HUBBLE DESCOBRE UMA ESTRELA A COMER UM PLANETA

    O planeta mais quente conhecido na Via Lctea pode tambm ser o seu mundo com a mais curta durao. De acordo com observaes feitas por um novo instrumento a bordo do Telescpio Espacial Hubble da NASA, o COS (Cosmic Origins Spectrograph), este planeta condenado est a ser devorado pela sua estrela-me. O planeta pode ter apenas 10 milhes de anos antes que seja completamente destrudo.

    O planeta, denominado WASP-12b, est to perto da sua estrela tipo-Sol que superaquecido at mais de 1500 C e esticado na forma de uma bola de futebol americano pelas enormes foras das mars. A atmosfera inchou at quase trs vezes o raio de Jpiter e est a libertar material para a estrela. O planeta 40% mais massivo que Jpiter.

    Este efeito de troca de material entre os dois objectos estelares normalmente observado em sistemas binrios, mas a primeira vez que to claramente visto num planeta.

    "Ns vemos uma gigantesca nuvem de material em torno do planeta, que est a escapar e que ser capturado pela estrela. Identificmos elementos qumicos nunca antes vistos em planetas para l do nosso prprio Sistema Solar," afirma a lder da equipa, Carole Haswell da Universidade Aberta da Gr-Bretanha.

    Os resultados de Haswell e da sua equipa cientfica foram publicados na edio de 10 de Maio da revista Astrophysical Journal Letters.

    Um artigo cientfico terico publicado na revista cientfica Nature em Fevereiro passado, por Shu-lin Li do Departamento de Astronomia da Universidade de Pequim, foi o primeiro a prever que a superfcie do planeta estaria a ser distorcida pela gravidade da estrela, e que as foras gravitacionais tornavam o interior to quente que expandia largamente a atmosfera superior do planeta. Agora o Hubble confirmou esta previso.

    WASP-12 uma estrela an amarela localizada aproximadamente a 600 anos-luz na direco da constelao de Cocheiro. O planeta extrasolar foi descoberto pelo WASP (Wide Area Search for Planets) do Reino Unido em 2008. O estudo automatizado procura por uma diminuio peridica das estrelas devido ao trnsito de planetas. O planeta quente est to perto da sua estrela que completa uma rbita em 1,1 dias.

    A sensibilidade sem precedentes do COS no ultravioleta permitiu a medio da diferena na luz entre a estrela e o trnsito exoplanetrio. Estas observaes espectrais em UV mostraram que as linhas de absoro do alumnio, estanho, mangansio, entre outros elementos, tornavam-se mais ntidas medida que o planeta passava em frente da estrela, o que significa que estes elementos existem na atmosfera do planeta bem como na da estrela. O facto que o COS pde detectar estes compostos num planeta proporciona fortes evidncias que a atmosfera do planeta est altamente prolongada devido temperatura.

    A espectroscopia UV foi tambm usada para calcular uma curva de luz com o intuito de mostrar com preciso a quantidade de luz estelar bloqueada durante o trnsito. A profundidade da curva de luz permitiu equipa do COS medir com exactido o raio do planeta. Descobriram que a exosfera que absorve UV muito maior que a de um planeta normal com 1,4 vezes a massa de Jpiter. Esto to dilatada que o raio do planeta excede o seu lbulo de Roche, o limite gravitacional para l do qual o material se perde para sempre da atmosfera do planeta.



    SONDA PHOENIX PERMANECE SILENCIOSA, NOVA IMAGEM MOSTRA DANOS

    A sonda Phoenix da NASA terminou oficalmente operaes aps vrias tentativas de contacto terem falhado. Uma nova imagem transmitida pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter mostra sinais de grandes danos nos painis solares provocados por gelo.

    "A sonda Phoenix levou a cabo todas as suas investigaes e excedeu o seu tempo de vida planeado," afirma Fuk Li, gestor do Programa de Explorao de Marte no JPL da NASA em Pasadena, Califrnia, EUA. "Embora o seu trabalho tenha terminado, a anlise dos dados enviados pela Phoenix vai continuar ainda durante algum tempo."

    A semana passada, a sonda Mars Odyssey da NASA voou 61 vezes por cima do local de aterragem da Phoenix, numa tentativa final de comunicar com o "lander". No foi detectada nenhuma transmisso. A Phoenix tambm no comunicou durante 150 voos em trs campanhas anteriores de escuta.

    A pesquisa c na Terra continua graas s descobertas que a Phoenix levou a cabo durante o Vero no Norte de Marte, quando a aterrou a 25 de Maio de 2008. O "lander" a energia solar completou a sua misso de trs meses e continuou a trabalhar durante outros dois, at que no conseguiu receber energia suficiente para funcionar.

    A Phoenix no estava desenhada para sobreviver o Inverno escuro, frio e gelado de Marte. No entanto, a nfima possibilidade da Phoenix conseguir sobreviver no podia ser eliminada sem tentar ouvir a sonda aps o regresso de luz solar abundante.

    Uma imagem da Phoenix, obtida este ms pelo instrumento HiRISE, uma cmara a bordo da MRO, sugere que o "lander" j no provoca sombras da mesma maneira que durante o seu tempo de vida.

    "As imagens antes e depois so dramaticamente diferentes," afirma Michael Mellon da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, membro da equipa cientfica da Phoenix e da HiRISE. "Parece mais pequena, e apenas uma poro da diferena pode ser explicada pela acumulao de poeira, que torna a Phoenix menos distinguvel da superfcie em redor."

    As mudanas aparentes nas sombras provocadas so consistentes com previses de como a Phoenix poderia ser danificada pelas rigorosas condies ambientais marcianas. Antecipava-se que o peso acumulado de gelo de CO2 podia dobrar ou at partir os seus painis solares. Mellon estimou que algumas dezenas de quilos de gelo provavelmente revestiram a Phoenix durante o Inverno.

    Durante a sua misso, a Phoenix confirmou e examinou depsitos de gua gelada detectada pela Odyssey e identificou um mineral chamado carbonato de clcio, que sugeria a presena ocasional de gua derretida. O "lander" tambm descobriu uma qumica no solo com implicaes significativas para a vida e observou o car de neve. A maior surpresa da misso foi a descoberta de percloratos, um qumico oxidante c na Terra que serve de alimento para alguns micrbios e potencialmente txico para outros.

    "Descobrimos que o solo por cima do gelo pode agir como uma esponja, e que o perclorato recolhe gua da atmosfera e captura-a," afirma Peter Smith, investigador principal da Phoenix na Universidade do Arizona em Tucson. "Podemos ter uma fina camada de gua capaz de ser um ambiente habitvel. Um micro-mundo escala de gros de solo -- a que est a aco."

    Os resultados da descoberta de percloratos esto a modelar as subsequentes pesquisas da astrobiologia, medida que os cientistas investigam as implicaes das suas propriedades anticongelantes e o uso potencial como uma fonte de energia para micrbios. A descoberta de gelo na camada superior de solo pela Mars Oydessey apontou o caminho para a Phoenix. Mais recentemente, a Mars Reconnaissance Orbiter detectou inmeros depsitos de gelo a latitudes mdias (mas a maiores profundidades) usando radar e expostos superfcie por recentes crateras de impacto.

    "Os ambientes ricos em gelo so uma parte ainda maior do planeta do que pensvamos," afirma Smith. "Algures naquela vasta regio existem lugares mais habitveis que outros."

    A MRO alcanou o planeta em 2006 para comear uma misso cientfica principal de dois anos. Os seus dados mostram que Marte teve diversos ambientes molhados em muitos locais durante alturas diferentes da histria do planeta, e que os ciclos de mudana climtica ainda persistem na era actual. A misso enviou mais dados planetrios do que todas as outras misses marcianas combinadas.

    A Odyssey j orbita Marte desde 2001. Esta misso tambm desempenhou importantes papis ao servir de suporte para os rovers gmeos Spirit e Opportunity.


    GALXIAS RICAS EM FORMAO ESTELAR? COMO GROS DE AREIA

    Astrnomos usando o Telescpio Herschel da ESA descobriram que as galxias mais brilhantes tendem a estar nas partes mais movimentadas do Universo. Este bocado crucial de informao permitir aos tericos melhorar as suas teorias de formao galctica.

    Durante mais de uma dcada, os astrnomos coaram cabeas devido a galxias estranhas e brilhantes no Universo distante que pareciam estar a formar estrelas a velocidades fenomenais, o que as torna muito difcil de explicar com as teorias convencionais de formao galctica. Uma questo importante tem sido os ambientes nos quais esto localizadas, tal como a que distncia esto umas das outras. O Observatrio Espacial Herschel, com a sua capacidade de mapear grandes reas com extrema sensibilidade, foi capaz de observar milhares destas galxias e identificar a sua localizao, mostrando pela primeira vez que esto muito perto umas das outras, no centro de grandes enxames de galxias.

    Um projecto que usa o instrumento SPIRE a bordo do Herschel tem estudado grandes reas do cu, actualmente totalizando 15 graus quadrados - cerca de 60 vezes o tamanho da Lua Cheia. As duas regies mapeadas at agora encontam-se nas constelaes da Ursa Maior e Drago, bem longe da confuso da nossa prpria Galxia. As galxias mais brilhantes observadas nos comprimentos de onda infravermelhos do Herschel so normalmente vistas tal como eram h cerca de 10 mil milhes de anos atrs - a sua luz viajou at ns desde a.

    Esta imagem em cores-falsas mostra uma pequena poro do cu observado pelo Herschel. Quase cada ponto de luz uma galxia inteira, cada contendo milhares de milhes de estrelas. As cores representam os comprimentos de onda infravermelhos medidos pelo Herschel - as galxias mais avermelhadas esto ainda mais distantes ou contm poeira mais fria, enquanto as galxias mais brilhantes esto a formar estrelas mais vigorosamente. Embora primeira vista as galxias paream estar espalhadas aleatoriamente, de facto no o esto. Um olhar mais cuidado revela que existem regies com mais galxias, e regies com menos. Este aglomerado galctico no espao fornece informaes acerca do modo como interagem ao longo da histria do Universo.

    O Dr. David Parker, Director do Departamento de Cincia e Explorao Espacial da Agncia Espacial do Reino Unido, afirma: "Estes novos e espectaculares resultados do Herschel so apenas uma amostra do que est para vir, medida que o Herschel continua a desvendar os segredos dos estgios iniciais de formao estelar e galctica no nosso Universo."

    O Herschel observa material que no pode ser avistado em comprimentos de onda visveis, nomeadamente gs frio e poeira entre as estrelas. Isto bem ilustrado ao observar galxias mais prximas, que podem ser vistas em detalhe. As Galxias das Antenas, a uns meros 50 milhes de anos-luz de distncia, so na realidade duas galxias no processo de coliso e foram observadas como parte de um programa de observao diferente. O Herschel no observa a luz emitida pelas estrelas, mas as nuvens de poeira nas quais se formam novas estrelas. A coliso destas galxias provocou uma exploso de formao estelar, mas tais fuses so relativamente raras no Universo hoje em dia. No entanto, h milhares de milhes de anos atrs, quando as galxias estavam muito mais perto umas das outras, tais eventos eram muito mais comuns.

    Apesar da nova janela para o Universo aberta pela radiao infravermelha, o Herschel no consegue ainda ver toda a paisagem. Trs-quartos da matria no nosso Universo constituda pela misteriosa "matria escura", que no emite brilho. Dado que no podemos observar a matria escura, no sabemos ainda a sua constituio, mas podemos medir o seu efeito na matria em redor. Embora no emita nem absorva luz, a matria escura interage com o resto do Universo atravs da gravidade, gradualmente aglomerando grupos de galxias em grandes enxames durante um perodo de milhares de milhes de anos. Embora existam hoje em dia muitas simulaes computacionais que demonstram este processo, a capacidade de o medir em diferentes alturas da histria do Universo permite aos astrnomos comparar as simulaes com as medies reais.

    Estes ltimos resultados do Herschel, parte do programa "HerMES", mostraram que as galxias mais brilhantes, detectadas com o instrumento SPIRE, preferencialmente ocupam regies do Universo que contm mais matria escura. Isto parece ser especialmente verdade h cerca de 10 mil milhes de anos atrs, quando estas galxias formavam estrelas a uma velocidade muito maior que a maioria das galxias actualmente.

    A nossa Galxia, a Via Lctea, reside nos subrbios de um grande superenxame centrado a aproximadamente 60 milhes de anos-luz de distncia. O superenxame galctico mais prximo do nosso est a cerca de 300 milhes de anos-luz de distncia. Em comparao, h 10 mil milhes de anos atrs, as galxias estavam separadas, em mdia, entre 20-30 milhes de anos-luz. A sua proximidade significa que muitas das galxias iriam eventualmente colidir umas com as outras. So estas colises que agitam o gs e a poeira nas galxias e que provocam grandes exploses de formao estelar. O professor Asantha Cooray, da Universidade da Califrnia, um dos astrnomos do HerMES que lidera a investigao, e comentou acerca dos resultados mais recentes: "Graas soberba resoluo e sensibilidade do instrumento SPIRE no Herschel, conseguimos mapear com detalhe a distribuio espacial de galxias ricas em formao estelar durante as fases mais jovens do Universo. Todos os indcios mostram que estas galxias esto ocupadas com colises, fuses e possivelmente estabelecendo-se nos centros de grandes halos de matria escura."

    Foi necessria a sensibilidade e resoluo do Hershchel para sermos capazes de identificar as galxias mais brilhantes e estabelecer o modo como se aglomeram. O Dr. Lingyu Wang, da Universidade do Sussex, disse que "j sabemos h muito tempo que o ambiente desempenha um papel importante na evoluo das galxias. Com o Herschel, somos capazes de atravessar grandes quantidades de poeira e estudar o impacto do ambiente logo desde o incio destas galxias massivas que formam estrelas a velocidades incrveis. Isto permite-nos testemunhar o passado activo das galxias elpticas e mortas de hoje, em alturas em que estavam em ambientes ricos."

    O professor Seb Oliver, da Universidade do Sussex, co-lder do projecto HerMES, apresentou estes resultados a semana passada no Simpsio Primeiros Resultados do Herschel nos Pases-Baixos. Ele afirma que "este resultado da equipa de Asantha fantstico, exactamente aquilo que espervamos descobrir graas ao Herschel e que foi apenas possvel porque podemos observar tantas galxias."

    Este estudo, parte do Projecto HerMES (Herschel Multi-tiered Extragalactic Survey) da misso Herschel, ser publicado na revista Astronomy & Astrophysics, numa edio especialmente dedicada aos primeiros resultados cientficos do telescpio espacial. O projecto vai continuar a recolher mais imagens ao longo de maiores reas do cu com o objectivo de construr uma imagem mais completa de como as galxias evoluram e interagiram durante os ltimos 10 mil milhes de anos.


    EXOPLANETA APANHADO EM MOVIMENTO

    Os astrnomos conseguiram, pela primeira vez, seguir o movimento de um exoplaneta, medida que este move-se de um lado da sua estrela hospedeira para o outro. O exoplaneta tem a mais pequena rbita alguma vez detectada em exoplanetas observados directamente em imagens, situando-se quase to perto da sua estrela como Saturno est do Sol. Os cientistas pensam que este objecto pode-se ter formado de modo semelhante aos planetas gigantes do Sistema Solar. Uma vez que a estrela bastante jovem, esta descoberta mostra que planetas gigantes gasosos podem formar-se no interior de discos em apenas alguns milhes de anos, uma escala de tempo curta em termos csmicos.

    Com apenas 12 milhes de anos, ou seja menos que trs milsimas da idade do Sol, Beta Pictoris tem 75% mais massa que a nossa estrela. Situada a cerca de 60 anos-luz de distncia, na direco da constelao de Pintor, este objecto um dos exemplos mais conhecidos de uma estrela rodeada por um disco de poeiras e restos de matria. Observaes anteriores mostraram uma deformao do disco, um disco secundrio inclinado e cometas em rota de coliso com a estrela. "Estes eram sinais indirectos, mas indicativos da presena de uma planeta de grande massa e as nossas novas observaes demonstram este facto de forma definitiva," diz a lder da equipa Anne-Marie Lagrange. "Uma vez que a estrela muito jovem, os nossos resultados mostram que planetas gigantes podem formar-se nestes discos em escalas de tempo to pequenas como alguns milhares de anos."

    Observaes recentes mostraram que os discos em torno de estrelas jovens se dispersam ao fim de alguns milhes de anos, e que a formao de planetas gigantes deve por isso ocorrer mais depressa do que o que se julgava anteriormente. Beta Pictoris a prova clara de que isso efectivamente possvel.

    A equipa utilizou o instrumento NAOS-CONICA (ou NACO), montado num dos telescpios de 8,2 metros que compem o Very Large Telescope do ESO (VLT), para estudar a regio na imediata vizinhana de Beta Pictoris em 2003, 2008 e 2009. Em 2003 foi observada uma fonte fraca no interior do disco, mas no foi possvel excluir a possibilidade de que se poderia tratar de uma estrela de fundo. Em novas imagens tiradas em 2008 e na Primavera de 2009, esta fonte tinha desaparecido! As mais recentes observaes, obtidas no Outono de 2009, revelaram o objecto do outro lado do disco, depois de um perodo em que este se deve ter escondido ou atrs ou frente da estrela (neste ltimo caso o objecto encontra-se escondido no meio do brilho da estrela). Estas observaes confirmaram que esta fonte efectivamente um exoplaneta em rbita da sua estrela hospedeira. As observaes forneceram igualmente informao sobre o tamanho e o tipo de rbita descrita em torno da estrela.

    Dispomos de imagens de, aproximadamente, dez exoplanetas, sendo que o que se encontra em torno de Beta Pictoris (designado por "Beta Pictoris b") apresenta a menor rbita conhecida at agora. Encontra-se situado a uma distncia da estrela de cerca de 8 a 15 Unidades Astronmicas (UA) - uma UA a distncia que separa a Terra do Sol - o que corresponde mais ou menos distncia de Saturno ao Sol. "O curto perodo do planeta permitir-nos- observar uma rbita completa em cerca de 15 - 20 anos, e estudos mais detalhados de Beta Pictoris b fornecer-nos-o importantes informaes sobre a fsica e qumica da atmosfera de um planeta gigante jovem," diz o estudante de investigao Mickael Bonnefoy.

    O exoplaneta tem uma massa de cerca de nove vezes a massa de Jpiter, dispondo igualmente da massa e localizao certas para explicar a deformao observada no interior do disco. Esta descoberta apresenta, por isso, alguma semelhana com a predio da existncia de Neptuno pelos astrnomos Adams e Le Verrier no sc. XIX, baseada em observaes da rbita de Urano.

    "Em conjunto com os planetas descobertos em torno das estrelas jovens de grande massa Fomalhaut e HR8799, a existncia de Beta Pictoris b sugere que os super-Jupiteres podem bem ser frequentes produtos derivados da formao planetria feita em torno de estrelas de grande massa," explica Gael Chauvin, membro da equipa.

    Tais planetas perturbam os discos que se encontram em torno das estrelas, criando estruturas que devero ser facilmente observadas com o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), o telescpio revolucionrio que se encontra em construo pelo ESO em conjunto com parceiros internacionais.

    Obtiveram-se mais algumas imagens de outros candidatos a exoplanetas, mas todos eles se situam mais afastados da sua estrela hospedeira do que Beta Pictoris b. Se estivessem localizados no Sistema Solar, estariam todos prximo ou mesmo para alm da rbita do planeta mais afastado do Sol, Neptuno. Os processos de formao destes planetas gigantes so provavelmente muito diferentes dos do nosso Sistema Solar e de Beta Pictoris.

    "As imagens directas recentes de exoplanetas - muitas obtidas pelo VLT - ilustram bem a diversidade dos sistemas planetrios," diz Lagrange. "Entre todos eles, o caso de Beta Pictoris b o mais promissor no sentido de poder ser um planeta que se formou de modo muito semelhante aos planetas gigantes do nosso Sistema Solar."


    KEPLER DIVULGA DADOS ACERCA DE 306 POTENCIAIS EXOPLANETAS

    A misso Kepler da NASA divulgou 43 dias de dados cientficos sobre mais de 156.000 estrelas. Estas estrelas esto a ser vigiadas em busca de mudanas subtis no seu brilho como parte de uma pesquisa por planetas tipo-Terra para l do nosso Sistema Solar.

    Os astrnomos vo usar os novos dados para determinar se esses planetas em rbita so os responsveis pelas variaes no brilho em 306 estrelas. Estas estrelas representam uma ordem completa de temperaturas, tamanhos e idades. Muitas delas so estveis, enquanto outras pulsam. Algumas mostram manchas, parecidas s manchas solares, e outras libertam proeminncias que muito possivelmente poderiam esterilizar os seus planetas mais prximos.

    Kepler, um observatrio espacial, procura por assinaturas de planetas nos dados recolhidos ao medir pequenas variaes no brilho das estrelas quando os planetas passam em frente delas, ou transitam. O tamanho do planeta pode ser derivado da mudana de brilho na estrela.

    A equipa cientfica do Kepler, com 28 membros, est tambm a usar telescpios terrestres e os Telescpios Espaciais Hubble e Spitzer da NASA para realizar observaes posteriores num outro conjunto especfico de 400 objectos de interesse. O campo estelar observado pelo Kepler nas constelaes de Cisne e Lira pode apenas ser observado pelos observatrios terrestres entre a Primavera e o incio do Outono. Os dados destas outras observaes vo determinar quais dos candidatos podem ser identificados como planetas. Os dados do conjunto de 400 candidatos vo ser anunciados comunidade cientfica em Fevereiro de 2011.

    Sem informaes adicionais, os candidatos que so verdadeiramente planetas no podem ser distinguidos de alarmes falsos, tais como estrelas binrias -- duas estrelas que se orbitam uma outra. O tamanho dos candidatos planetrios pode s ser aproximado at que o tamanho das estrelas que orbitam seja determinado por observaes espectroscpicas adicionais feitas por telescpios terrestres.

    "Estou ansioso para que a comunidade cientfica analise os dados e anuncie a descoberta de novos exoplanetas nos prximos meses," afirma Lia LaPiana, do programa Kepler na sede da NASA em Washington, EUA.

    "Este o conjunto de dados de fotometria estelar mais preciso, quase contnuo, mais longo e maior," afirma o vice-investigador principal do Kepler, David Koch do Centro de Pesquisa Maes da NASA em Moffett Field, Califrnia, EUA. "Os resultados s vo ser melhores com a maior durao do conjunto de dados."

    O Kepler vai continuar a desempenhar operaes cientficas at pelo menos Novembro de 2012, pesquisando planetas to pequenos como a Terra, inclundo aqueles que orbitam estrelas numa zona habitvel amena onde pode existir gua no estado lquido superfcie de um planeta. Dado que os trnsitos de planetas na zona habitvel de estrelas tipo-Sol ocorrem cerca de uma vez por ano e necessitam de trs trnsitos para verificao, espera-se que demore pelo menos trs anos a localizar e a verificar um planeta tipo-Terra.

    "As observaes do Kepler vo dizer-nos se existem muitas estreslas com planetas que possam ter condies para a vida, ou se estamos sozinhos na nossa Galxia," diz o investigador cientfico William Borucki, tambm do Centro Ames.



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